O Presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, destacou o papel estratégico do turismo religioso na economia nacional, sublinhando o seu crescimento sustentado e o impacto direto na captação de mercados internacionais de elevado valor.
Na sua intervenção, durante a 13.ª edição do IWRT (International Workshops on Religious Tourism), começou por manifestar solidariedade ao presidente da Câmara Municipal de Ourém devido às tempestades recentes que afetaram o concelho e outras zonas do país. “Estou certo de que a vossa resiliência permitirá que Ourém volte em breve à plena normalidade”, afirmou, reconhecendo que o impacto das intempéries “está a provocar consequências negativas em vários setores e também no turismo”.
Apesar do contexto adverso, Francisco Calheiros defendeu que o setor continua a revelar robustez: “o turismo é um fator estruturante da economia”, disse, lembrando que as receitas turísticas cresceram 6,9% em 2025, atingindo “um novo máximo de perto de 30 mil milhões de euros”.
Com especial enfoque no turismo religioso, o Presidente da CTP sublinhou que Portugal é “um país profundamente marcado pela história, pela fé e pela cultura”, elementos que se articulam de forma única na oferta turística nacional. Assim, “o turismo religioso vai muito além do sentido exclusivo de culto e comunhão. Trata-se de uma experiência espiritual, cultural e humana que atrai milhares de visitantes todos os anos ao nosso país”.
Segundo Francisco Calheiros, o segmento continua a crescer, com destaque para o aumento de turistas nacionais e internacionais nos últimos anos, e as previsões apontam para a manutenção dessa tendência positiva. O mercado sul-coreano foi apontado como um dos mais relevantes, em grande parte graças às ligações aéreas diretas entre Seul e Portugal.
Francisco Calheiros destacou ainda que o crescimento do turismo tem sido mais expressivo ao nível das receitas do que no número de hóspedes e dormidas, o que considera um sinal positivo. “Portugal deixou de ser percecionado como um destino de baixo custo e passou a afirmar-se como um destino de qualidade e de valor, onde os turistas estão disponíveis para gastar mais e a permanecer por períodos mais longos”, afirmou.
Este, defendeu, é “um caminho virtuoso” que deve ser consolidado, apostando na atração de turistas com maior poder de compra, interessados em experiências diferenciadoras e de elevada qualidade. “É este o modelo que cria riqueza, emprego qualificado e maior solidez económica para Portugal”.
Entre os mercados prioritários, destacou os Estados Unidos, que considera de “particular relevância” pela sua capacidade de gerar elevado valor e rentabilidade na oferta turística nacional.
Ligações aéreas e aeroporto como prioridades
Para sustentar o crescimento do turismo, incluindo o religioso, Francisco Calheiros defendeu o reforço das ligações aéreas diretas, nomeadamente com cidades norte-americanas e com Seul. “As ligações aéreas desempenham um papel absolutamente central”, afirmou, apelando à diversificação e reforço dessas rotas. A este propósito, considerou a TAP um “ativo fundamental para o país” e essencial na estratégia de consolidação do turismo nacional.
No entanto, alertou para um entrave estrutural: a capacidade aeroportuária: “Para que haja um reforço efetivo nas ligações aéreas e para que mais turistas possam chegar a Portugal, é indispensável avançar uma solução para a nossa capacidade aeroportuária”. O presidente da CTP apelou ao Governo para que acelere as decisões, reforçando que “não podemos atrasar mais o desenvolvimento das infraestruturas aeroportuárias do país”.
O IWRT decorre nos dias 19 e 20 de fevereiro de 2026, no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima, Portugal, sendo que o workshop específico de Herança Judaica acontecerá, posteriormente, na Guarda, a 23 de fevereiro.
Por Diana Fonseca




















































