United Hotels of Portugal: “Respeitamos a operação, o sonho de cada proprietário e a identidade de cada hotel”

À margem da FITUR, em Madrid, e em declarações ao Ambitur.pt, Alexandre Marto Pereira, CEO da United Hotels of Portugal, confirmou que o grupo se mantém com uma estratégia de crescimento sustentada na “valorização de hotéis independentes, com identidade própria e forte ligação ao território”, ao mesmo tempo que prepara novos projetos de expansão e reforça a aposta em segmentos estruturantes para o turismo nacional.
“O nosso grupo é um grupo de hotéis independentes. O foco é continuar a captar hotéis portugueses, com marcas próprias e operação local, e alargar a nossa presença geográfica”, explica o responsável. A United Hotels of Portugal iniciou o seu percurso em Fátima, passou por Óbidos e Lisboa e prepara agora novas unidades, com destaque para um projeto de grande dimensão no Porto, em 2027, e agora a recente aquisição do Grande Hotel do Luso. Em paralelo, o grupo mantém portas abertas a hotéis independentes que necessitam de ganhar escala, sobretudo ao nível da promoção e da distribuição internacional.

A diferenciação é, segundo o diretor, o principal trunfo do grupo. Ao contrário das grandes cadeias internacionais, baseadas em modelos standardizados, a United Hotels of Portugal aposta em unidades “irrepetíveis”, enraizadas na cultura local. “Respeitamos a operação, o sonho de cada proprietário e a identidade de cada hotel. O que oferecemos é visibilidade, ferramentas de distribuição e escala, algo que uma unidade pequena dificilmente consegue sozinha num mercado global”, sublinha.

A estratégia de expansão passa tanto por projetos de raiz como pela integração de hotéis já existentes, desde que cumpram critérios claros: serem detidos por hoteleiros independentes, apresentarem forte potencial e terem uma dimensão mínima entre 60 e 70 quartos. Uma das regras é evitar a sobreposição de produtos semelhantes na mesma geografia, prevenindo conflitos de interesse dentro do portfólio.

João Diniz, Grande Hotel de Luso, com Alexandre Marto Pereira, CEO da UHP, na FITUR

Um dos exemplos mais recentes é a integração do Grande Hotel de Luso, descrito como “um hotel extraordinário e icónico”. Para a United Hotels of Portugal, esta unidade reforça a diversidade da oferta do grupo e responde a uma necessidade concreta de promoção internacional. “É um hotel com enorme potencial, mas que, como muitos independentes, não tinha capacidade para se promover à escala global. É exatamente aí que nós acrescentamos valor”, afirma o CEO, destacando ainda o contributo do Luso para o turismo de bem-estar e lazer.

No Porto, o grupo prepara a abertura de um novo hotel, prevista para 2027, no centro da cidade, a poucos minutos dos Clérigos. O projeto distingue-se por um jardim com cerca de meio hectare, que será um dos elementos centrais da experiência, e pela integração de tecnologia e experiências sensoriais associadas à marca Lumen, já desenvolvida em Lisboa. A unidade contará com diferentes tipologias, desde quartos urbanos a spa rooms, apartamentos para estadias mais longas e quartos de luxo integrados num palacete histórico, reforçando uma oferta diferenciada num mercado cada vez mais competitivo.

Sobre a forte oferta turística e hoteleira no Porto e Lisboa, Alexandre Marto Pereira não se mostra preocupado: “os ciclos de crescimento muito acelerado não são eternos. Pode haver um período de estabilização, mas o importante é que esse planalto seja o ponto de partida para um novo ciclo de crescimento”.

Turismo religioso é “verdadeira âncora turística para o país”

Paralelamente, o grupo destaca o turismo religioso como um dos segmentos mais fortes e resilientes do turismo em Portugal, com Fátima a assumir um papel central. “Fátima recebe cerca de três milhões de visitantes por ano e é um produto extremamente global, que não depende de um único mercado emissor”, refere o responsável. Entre as principais nacionalidades estão brasileiros, norte-americanos, coreanos, italianos, espanhóis, alemães e portugueses, sendo os mercados asiáticos apontados como dos mais promissores para o futuro.

Segundo Alexandre Marto Pereira, Fátima funciona como uma verdadeira âncora turística para o país. “Quando alguém vem de mercados longínquos para visitar Fátima, acaba por visitar a região Centro e Portugal. Sem Fátima, muitos desses turistas simplesmente não viriam”, sublinha. Embora não seja um turismo totalmente regular ao longo do ano, é menos sazonal do que outros produtos e tem um forte efeito multiplicador, cruzando-se com o turismo cultural, gastronómico e enoturismo.

Com uma presença consolidada e a realização de um evento dedicado ao turismo religioso já em fevereiro, em Fátma, a United Hotels of Portugal reforça assim a sua aposta em produtos diferenciadores, na força dos hotéis independentes e na diversificação de mercados, posicionando-se para um crescimento sustentado e alinhado com a identidade do turismo português.

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Por Diana Fonseca, na FITUR, Madrid