O ano de 2025 foi muito positivo para o Grupo Vila Galé. Durante o almoço de balanço do ano passado, Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador da cadeia hoteleira portuguesa, indicou uma receita total de 321,5 milhões de euros, em Portugal, Espanha e Brasil, o que corresponde a um crescimento de 15% face a 2024. Neste total, a Península Ibérica foi responsável por 60% deste valor mas o empresário acrescentou que o Brasil cresceu muito mais (+23%), comparativamente com o aumento de 8% de Portugal e Espanha.

Em termos de quartos ocupados, o grupo chegou aos 1,9 milhões, acolhendo 1,25 milhões de hóspedes. Já o EBITDA estimado atinge 127 milhões de euros, um aumento de cerca de 15% relativamente ao ano anterior.
Enquanto que Portugal se encontra num momento “turisticamente estável”, Gonçalo Rebelo de Almeida adianta que o Brasil deu “um salto significativo no movimento de turistas internacionais”. O nosso país cresceu sobretudo à conta do preço médio, explicou também o responsável, e não do aumento do número de turistas.
Em Portugal, o mercado nacional continua a ser o principal, representando 50% dos hóspedes, e, sublinha o empresário, “tem respondido bem ao nosso desafio do interior e da recuperação patrimonial histórica”, até porque, confessa, “o público português gosta particularmente destes produtos”. Seguem-se os mercados inglês e alemão mas, em terceira posição, os EUA consolidaram-se e ultrapassaram o Brasil, que ainda é relevante. Também o mercado canadiano tem estado a dar sinais positivos.
Gonçalo Rebelo de Almeida reconhece que algumas das dificuldades que o Aeroporto de Lisboa enfrentou, e tem enfrentado, também se prendem com o facto de chegarem a Portugal cada vez mais turistas fora do Espaço Schengen, agora além dos brasileiros e ingleses, também EUA e Canadá. Este movimento tem sido, na verdade, positivo, e permitiu “atrair novos públicos e permitiu também um dos objetivos do turismo nacional, potenciar o crescimento mais pelo valor”. A verdade é que o turista americano, explica, fica mais dias no destino do que os turistas dos mercados emissores de proximidade, e aproveita a viagem para conhecer outros destinos dentro de Portugal, além de ter um poder de compra superior a muitos outros mercados.
Quanto a perspetivas para o futuro, o administrador da Vila Galé não tem dúvidas: com os atuais constrangimentos do Aeroporto de Lisboa, que não serve só esta região do país, “durante 10 a 12 anos o número de turistas em Portugal não terá muita capacidade de crescer”. Gonçalo Rebelo de Almeida acredita que “vamos entrar num planalto” e adianta que “estabilizamos num nível satisfatório mas que inibe um pouco a pesquisa de novos mercados e o desenvolvimento turístico em Portugal”.
A Vila Galé assume assim uma visão “cautelosa” até porque “temos este gargalo em Portugal”, além da atual situação geopolítica a nível mundial, que acaba por também afetar o turismo, gerando receios de viajar. Além disso, sublinha o gestor, a nível mundial o crescimento turístico está a vir da Ásia, ou seja, de mercados como a China, o Vietname, a Tailândia ou a Indonésia, que começam a viajar em grande volume. E Portugal vai perder para outros destinos europeus se não tiver capacidade de atrair novas rotas destes mercados, alerta. As principais cidades europeias já começam a ter fluxos importantes da Ásia, nomeadamente Paris, Roma, Londres, Madrid ou Barcelona. Recorde-se, por exemplo, a abertura do voo para a Coreia que fez com que este mercado entrasse de imediato no TOP 15 dos mercados emissores para Portugal. “Há muita vontade de viajar e de descobrir a Europa”, admite Gonçalo Rebelo de Almeida, “e nós corremos o risco de perder o crescimento dos turistas desta região”, ou seja, “Portugal vai perder um pouco este comboio de crescimento do mercado asiático que vai ser apanhado por Espanha”.
Em 2025, e pela primeira vez, aponta o administrador da cadeia nacional, Lisboa sentiu alguns sinais de retração, algo que se confirmou com alguns hotéis a fazerem promoções e preços mais baixos, o que já não acontecia há três ou quatro anos. Gonçalo Rebelo de Almeida adianta que o balanço global foi positivo mas houve meses que estiveram pior do que em 2024. “Lisboa já começou a dar sinais de uma estagnação e náo vai crescer substancialmente”, frisou. Mas o empresário lembra que hoje há uma visão redutora de Lisboa, e é necessário encarar a região como um todo alargado, e não apenas a cidade.
Já o Brasil não enfrenta os mesmos constrangimentos e por isso a Vila Galé tem expectativa de continuar a crescer aí.
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Por Inês Gromicho




















































