O mercado imobiliário português registou um volume de investimento de 895 milhões de euros no último trimestre de 2025, o que elevou o total anual para 2,8 mil milhões de euros. Este desempenho traduz um crescimento de 22% face a 2024 e posiciona-se 10% acima da média dos últimos dez anos, confirmando a resiliência e atratividade do setor.
Segundo a Dils, no quarto trimestre do ano, assistiu-se ao regresso do capital nacional, em particular dos fundos domésticos, que nos últimos anos tinham tido uma postura mais contida, justificando os 44% de representação de investimento estrangeiro do volume total. Ainda assim, no conjunto do ano, o capital internacional manteve um peso dominante, concentrando cerca de 60% do total investido. As estratégias core e value add corresponderam a mais de 70% do volume anual.
Os setores de Escritórios (39%), Retalho e Hospitality (ambos com 19%) destacaram-se como os mais atrativos em 2025, representando quase 80% do volume total no último trimestre do ano, e mais de 70% do total do ano.
Entre as maiores transações destacam-se o Exeo Lumnia (120 milhões de euros), a Torre Oriente (80 milhões de euros), bem como a Quinta da Comporta e o Maison Albar – Le Monumental Palace 5*, ambos com valores entre 50 e 60 milhões de euros. As yields mantiveram-se estáveis, reforçando a confiança dos investidores no mercado nacional, e antecipa-se que assim se mantenham, com potencial de compressão em classes de ativos selecionadas, como Industrial & Logística e Retails Parks.
“Os resultados de 2025 confirmam a resiliência e a maturidade do mercado. Num contexto económico e geopolítico desafiante, o crescimento do investimento demonstra a confiança contínua dos investidores, nacionais e internacionais. Portugal continua a posicionar-se como um destino seguro e competitivo, com procura transversal aos vários segmentos”, destaca Pedro Lancastre, CEO da Dils Portugal.
Hotelaria com crescimento significativo do mercado americano
No último trimestre do ano, o investimento no setor hoteleiro em Portugal atingiu 155 milhões de euros, impulsionado pela venda de dois hotéis emblemáticos no Porto e de um ativo prime na Comporta. Este desempenho elevou o volume anual total para 540 milhões, um aumento de 15% face a 2024.
O ano registou um crescimento sustentado do setor hoteleiro, evidenciado por uma transação com o preço por quarto mais elevado de sempre (Cascais Miragem), enquanto as yields prime se mantiveram estáveis nos 5,75%. Perspetivando o futuro, espera-se que o setor mantenha o dinamismo, apoiado por transações de grande dimensão previstas.
O ano de 2025 fica também marcado pelo maior aumento de oferta de quartos dos últimos anos, com 2.900 novos quartos, (no último trimestre abriram 7 novos hotéis, o que resultou num acrescento de 467 quartos). Entre as principais aberturas destacam-se unidades de 5 estrelas, como o The Editory Hotels e o Tivoli Kopke Porto Gaia.
Até novembro de 2025, Portugal registou 82 milhões de dormidas, mais 3% face ao período homólogo, e 33 milhões de hóspedes (+2%). O Reino Unido e a Alemanha mantiveram-se como os principais mercados emissores, sendo de destacar o crescimento significativo do mercado americano, com um aumento de 7%.
Os indicadores de desempenho mantiveram uma dinâmica positiva, com taxas de ocupação em crescimento, ainda que abaixo dos níveis pré-pandemia. O ADR e o RevPAR mantiveram valores elevados, atingindo 131€ e 178€ em Lisboa, 133€ e 91€ no Porto, e 193€ e 116€ no Algarve, respetivamente.



















































