Após registar um crescimento de cerca de 10% no volume de negócios em 2025, a Magnet confirmou, à margem da BTL (Better Tourism Lisbon Travel Market), que o último ano traduziu-se num “ano importante de consolidação”, com foco no reforço da estrutura, na reorganização das fontes de receita e na adaptação a um contexto de maior volatilidade.

Num setor em que os produtos são facilmente replicáveis, Nuno Vargas, Managing Director da Magnet, defende que o verdadeiro fator de diferenciação está no serviço, sobretudo no apoio prestado às agências de viagem em situações críticas. Cancelamentos, perdas de ligações e reemissões continuam a marcar o dia a dia da operação, exigindo capacidade de resposta rápida e eficaz.
O apagão que afetou o aeroporto no ano passado foi identificado como o momento mais crítico de 2025, tendo provocado paralisações e uma complexa reorganização de viagens. A redução dos prazos de pagamento no âmbito do BSP também representou um desafio financeiro relevante, sobretudo na fase inicial de adaptação.
Emissão de bilhetes Ryanair é grande aposta de 2026
A principal novidade estratégica para o novo ano é a integração da emissão de bilhetes da Ryanair na plataforma da Magnet. Depois de anos a evitar trabalhar com companhias lowcost, a empresa decidiu avançar, tendo em conta o peso crescente da transportadora no mercado português, especialmente na região Norte.
Nuno Vargas sublinha, porém, que a Magnet só avançará com uma solução oficial, que permita garantir o acompanhamento no pós-venda: “não faz sentido oferecer a emissão de um bilhete e depois, perante um problema, não conseguirmos intervir”, explicou.
No passado, a ausência de reconhecimento formal das agências por parte da Ryanair dificultava este processo, obrigando, em alguns casos, clientes a recorrerem a contactos diretos enquanto passageiros. Com as novas soluções disponibilizadas pela companhia, a Magnet está a analisar a implementação e prevê lançar a emissão oficial ainda no primeiro semestre de 2026, através do seu agregador.
A Magnet estima deter cerca de 5% de quota no BSP Portugal, embora reconheça que os números podem ser influenciados pela atividade das OTA’s (Online Travel Agencies), que emitem no mercado nacional vendas originadas noutros países.
O arranque de 2026 apresenta já sinais positivos, com as últimas semanas a registarem crescimentos superiores a 10% face ao período homólogo. Uma das tendências identificadas é a antecipação da emissão de bilhetes, com reservas feitas cada vez mais cedo no ano.
NDC da TAP e privatização no radar
No plano tecnológico, a empresa continua a investir na implementação do NDC da TAP Air Portugal. No entanto, aguarda que a companhia avance de forma plena com o modelo, garantindo estabilidade e apoio operacional.
A eventual privatização da companhia aérea portuguesa é outro dossiê acompanhado com atenção, podendo trazer mudanças estruturais relevantes para o setor.
Apesar do contexto internacional incerto, a Magnet mantém como objetivo mínimo crescer cerca de 10% em 2026, apostando no reforço tecnológico, na diversificação de conteúdos e, sobretudo, na nova etapa que representa a emissão de bilhetes da lowcost Ryanair.
Por Diana Fonseca, na BTL

















































