Um estudo da Tourism Economics, uma empresa da Oxford Economics, para a European Travel Comission (ETC) sobre tendências e perspetivas no setor do turismo, tendo por base o primeiro trimestre de 2021,
aponta que até à data as viagens a nível europeu se mantêm limitadas e que os dados de chegadas internacionais são pouco animadores. As dormidas e os turistas internacionais sofreram quebras homólogas, entre janeiro e março deste ano, em todos os destinos europeus. Os dados apresentados, da TourMis, mostram, por exemplo, que neste período as chegadas registaram uma descida de praticamente 90%, e as dormidas caíram cerca de 85%. Valores que não diferem da globalidade dos países da UE, onde as quebras foram, na maioria, superiores a 70%, nos dois parâmetros.
No que diz respeito à atividade hoteleira na Europa, só se têm verificado melhorias tímidas, afirmou Dave Goodger, managing director para a EMEA da Tourism Economics, num webinar que teve lugar na passada semana para apresentar os resultados do relatório. Na Europa, a taxa média de ocupação hoteleira registou os piores valores nos meses de abril, maio e junho de 2020, tendo atingido os 10% em abril por exemplo. Voltou a subir nos meses de verão do ano passado, com o pico em agosto (ligeiramente acima dos 40%) para diminuir de novo a partir de setembro, e hoje (abril) a taxa média de ocupação nos hotéis europeus está perto dos 20%, segundo dados da STR e da Tourism Economics.
Também as viagens aéreas continuaram em queda no primeiro trimestre, no continente europeu. Os dados da IATA e do Eurocontrol confirmam que os piores meses foram abril e maio de 2020, com o número de voos a cair mais 80% e o RPK a descer mais de 90%. Em março deste ano, os dois valores apresentavam descidas superiores a 70%.
Como seria de esperar, a capacidade das companhias de aviação permanece reduzida e os indicadores não apontam para uma recuperação imediata.
Programa de vacinação está a acelerar
Dave Goodger reconhece que o ritmo de vacinação está a acelerar a nível mundial mas diz que ainda não haverá uma cobertura universal este ano. No entanto, na Europa, ainda em 2021 haverá uma cobertura significativa no que diz respeito à vacina da Covid-19. A maioria dos países está muito alinhada no que se refere às metas do programa de vacinação, atingindo 30% da população em meados deste ano, e os 70% até ao final do ano. Mas há algumas exceções apontadas pela Tourism Economics: Malta é o país mais bem posicionado, a atingir os 70% ainda no início do segundo semestre de 2021. Também se destacam outros países como o Reino Unido, Hungria, Países Baixos e Luxemburgo, mais avançados neste programa da vacinação.
Com estes progressos, o responsável da Tourism Economics acredita que as restrições às viagens serão aliviadas ao longo deste ano, começando a melhorar já a partir de maio e acelerando sempre até dezembro. Com isso, a procura reprimida de curta distância poderá ter resposta em 2021 e 2022. Um inquérito da ETC no sentido de avaliar o sentimento para viagens domésticas e intraeuropeias, nos próximos seis meses, revela isso mesmo, sendo que a partir de agosto/setembro 54% dos europeus inquiridos afirmam ser provável/muito provável viajar na Europa; uma percentagem que melhora ligeiramente para os 56% a partir de fevereiro de 2022.
No entanto, alguns dos principais mercados de longo curso estão a sofrer um processo mais lento, até porque o ritmo de vacinação nos diferentes países do mundo difere bastante. Há países que, segundo a Tourism Economics, só no final de 2024 atingirão 30% da população vacinada: é o caso do Japão e da África do Sul. E outros que apenas vão conseguir ter 70% da população vacinada em 2025, como a Indonésia e a Coreia do Sul. A Rússia deverá atingir os 70% em 2023, tal como a Austrália. Na Índia, as estimativas apontam para que essa percentagem se consiga até final de 2022, assim como na China. No Brasil, a expectativa é de que 70% da população esteja vacinada até ao final deste ano.
Procura reprimida sustentada pela recuperação económica
No que diz respeito ao cenário global, o estudo dá motivos para haver algum otimismo. Segundo a Oxford Economics/Haver Analytics, o PIB mundial já iniciou uma trajetória ascendente, depois de uma forte quebra no segundo trimestre de 2020. E as perspetivas a médio prazo para a Zona Euro são melhores do que na crise do euro. Nos EUA, o crescimento está a ser sustentado por uma política monetária e fiscal altamente expansionista, revela Adam Sacks, presidente da Tourism Economics.
O analista indica que se verifica, a nível global, um nível muito elevado de poupanças das famílias o que irá impulsionar a retoma económica. Na Austrália, Canadá e EUA, estas poupanças acumuladas em 2020 atingiram percentagens superiores a 14% do PIB. Mas também encontramos poupanças significativas em países europeus, como Espanha (+ de 10%) ou França (quase 8%). Contudo, os gastos da procura reprimida na Zona Euro ainda estão limitados pelos confinamentos em vigor.
Os EUA já estão a assistir a um boom do lado do consumidor e à mais forte criação de emprego da história em 2021.
Adam Sacks acredita que a economia europeia deverá voltar aos níveis anteriores já em 2022.
Poderá o turismo interno salvar o verão se se mantiverem as restrições?
Dave Goodger confirma que serão as viagens domésticas a liderar a recuperação em 2021, na Europa, atingindo já níveis próximos dos de 2019. E vão representar uma percentagem elevada da procura.
O analista explica que um verão perdido significaria uma quebra nas viagens internacionais este ano, com as restrições à mobilidade a manterem-se no terceiro trimestre.
O turismo interno terá assim algum espaço para substituir os turistas internacionais mas será sempre parcial, e não suficiente, recordam os analistas. “Precisamos que as fronteiras abram este verão para a recuperação”, frisa Adam Goodger, reforçando a necessidade de haver um “esforço coordenado”. Até porque, recorda, os impactos variam de acordo com a dimensão do mercado interno. Os mercados com maior dependência internacional são, pois, os mais vulneráveis.
O estudo aponta países como Portugal, Espanha ou Grécia, entre outros, como os que poderão perder mais se o turismo internacional ainda não estiver ativo. Já para destinos como a Alemanha, Polónia, Finlândia ou Suécia poderão ter aqui alguma oportunidade de substituição do turismo internacional pelo turismo doméstico.
Entre 2023 e 2024, a Tourism Economics prevê o regresso ao “normal” a nível do turismo internacional, sendo que 2024 será mais consensual para a maioria dos mercados. Já 2023, será o turismo intraeuropeu aquele que terá ainda mais força.


















































