A menos de um mês de mais uma edição da BTL – Better Tourism Lisbon Travel Market 2026, a Ambitur esteve à conversa com Dália Palma, coordinating manager da feira, para perceber o que podemos esperar da iniciativa deste ano, e a sua evolução ao longo dos anos.
Desde que assumiu a liderança da BTL, que evolução destacaria na forma como o evento tem sido planeado e executado?
A evolução tem sido muito clara: a BTL passou a ser pensada de forma mais estratégica, integrada e orientada para resultados. Hoje, a feira é mais do que um evento — é uma plataforma que cruza negócio, conhecimento e posicionamento internacional do turismo.
Esse trabalho assenta numa leitura contínua do mercado, numa maior atenção aos dados e numa escuta ativa de expositores e parceiros. O resultado é uma organização mais clara por segmentos, uma experiência mais ajustada aos diferentes públicos e uma proposta de valor mais consistente. Ao longo deste percurso, a BTL tornou-se mais internacional, mais digital e mais alinhada com as reais necessidades do setor.
Que obstáculos ou metas principais se colocam à edição deste ano da BTL? Há algo que a diferencia particularmente?
O principal desafio é continuar a crescer de forma sustentada, mantendo a qualidade da oferta e a relevância num contexto internacional cada vez mais competitivo. A meta é clara: consolidar a BTL como um hub global de turismo, capaz de atrair decisores, compradores qualificados e projetos diferenciadores à escala internacional.
Esta edição distingue-se por ser a maior de sempre, com a abertura de um novo pavilhão, mas também pela maturidade do seu posicionamento internacional, pela aposta na inovação digital e por uma organização da oferta mais clara e eficaz para expositores e visitantes.
Esta edição distingue-se por ser a maior de sempre, com a abertura de um novo pavilhão, mas também pela maturidade do seu posicionamento internacional, pela aposta na inovação digital e por uma organização da oferta mais clara e eficaz para expositores e visitantes.
De que forma os participantes podem potenciar ainda mais a sua presença na feira?
A chave está numa abordagem estratégica à participação. A BTL disponibiliza hoje ferramentas que permitem preparar a feira antes da sua realização, potenciar contactos durante o evento e prolongar o impacto após o seu encerramento.
O lançamento das novas apps — para o público profissional e para o público final — é um exemplo claro dessa evolução, permitindo agendar reuniões, identificar contactos relevantes, promover ofertas e medir resultados. A participação em programas como o Hosted Buyers ou em áreas segmentadas aumenta significativamente a visibilidade e o retorno do investimento.
Porque é que investir na presença na BTL continua a ser uma aposta com retorno?
Porque a BTL é hoje uma marca reconhecida no mercado nacional e internacional, posicionada como a principal montra da diversidade, qualidade e representatividade da oferta turística, não apenas de Portugal, mas também de destinos e operadores internacionais.
É o único evento em Portugal que cruza de forma eficaz B2B e B2C, permitindo gerar negócio, notoriedade de marca e contactos estratégicos no mesmo espaço. Para além da visibilidade, a BTL é uma plataforma que cria oportunidades à escala global, ligando expositores a compradores, parceiros e mercados internacionais.
A forte adesão do público profissional, aliada à capacidade de gerar vendas diretas junto do consumidor final, faz da BTL uma aposta com retorno mensurável, tanto em posicionamento e notoriedade como em resultados comerciais concretos.
Para além da visibilidade, a BTL é uma plataforma que cria oportunidades à escala global, ligando expositores a compradores, parceiros e mercados internacionais.
O que esperam alcançar com esta edição, em termos de impacto e visibilidade internacional?
Queremos consolidar os resultados históricos das últimas edições, reforçando a presença nacional e internacional e aumentando a participação de compradores qualificados. Mais do que números, o objetivo é gerar impacto efetivo no setor, criando oportunidades reais de negócio.
Ao nível internacional, estamos a reforçar a visibilidade da BTL como evento de referência no calendário europeu e a afirmar Lisboa como um ponto de encontro estratégico para o turismo global. Para isso, é de realçar o forte investimento realizado na campanha de comunicação internacional com objetivo de posicionar a BTL nos mercados de Espanha, Itália, França, Reino Unido, Polónia e Alemanha.
Como está a evoluir o processo de internacionalização da feira?
O posicionamento internacional da BTL está muito sólido, com mais de 200 Hosted Buyers internacionais de 42 mercados e mais de 125 destinos representados. Este crescimento resulta de uma estratégia consistente, assente em campanhas internacionais dirigidas, parcerias institucionais e na credibilidade conquistada ao longo dos anos.
Há ainda um grande espaço para crescer, sobretudo em mercados europeus estratégicos e regiões emergentes, sempre com um foco claro: garantir que a internacionalização se traduz em negócio efetivo para os expositores.
Qual o papel dos parceiros institucionais na organização da BTL?
Os parceiros institucionais são pilares fundamentais da BTL. O Turismo de Portugal, as Entidades Regionais de Turismo, a TAP e as associações setoriais têm um papel central na afirmação da feira enquanto plataforma nacional e internacional.
O futuro passa por aprofundar esta colaboração, nomeadamente na promoção internacional, captação de buyers, criação de conteúdos estratégicos e valorização dos territórios.
Há alguma novidade que possa destacar nesta edição?
A BTL traz muitas novidades este ano… mas não posso revelar tudo.
Esta edição assenta em três eixos estratégicos: reforço do posicionamento internacional, inovação e diversidade e qualidade da oferta turística. Destaco o crescimento da feira como marketplace global, a organização por regiões e continentes para tornar os contactos mais eficazes, o lançamento de duas apps — B2B e B2C — e a expansão física com a abertura do 5.º pavilhão. O Algarve será o destino nacional convidado e a Figueira da Foz o município convidado e em breve vamos revelar o Destino Internacional convidado.
Esta edição assenta em três eixos estratégicos: reforço do posicionamento internacional, inovação e diversidade e qualidade da oferta turística.
Qual o papel da BTL na afirmação do turismo português?
A BTL é a principal plataforma de encontro entre destinos, empresas e mercados, ligando Portugal ao mundo. É aqui que se reforça a imagem do país como um destino competitivo, sustentável e diversificado, tanto no mercado nacional como no mercado internacional.
A feira dá visibilidade não só a destinos consolidados, mas também a regiões e produtos emergentes, promovendo um turismo mais qualificado, que valoriza o território e responde às novas exigências dos viajantes.
Como se organiza o trabalho da equipa da BTL ao longo do ano?
A BTL constrói-se ao longo de todo o ano. Após cada edição, iniciamos uma fase de avaliação e escuta ativa dos parceiros e clientes. Segue-se um trabalho estratégico de planeamento, desenvolvimento de conteúdos, reforço de parcerias e identificação de oportunidades de inovação.
Gerir a maior feira de turismo em Portugal é uma grande responsabilidade, mas também uma forte motivação para elevar continuamente o nível do evento.
Gostava de nos falar um pouco sobre o seu percurso?
Tenho um percurso profissional ligado à gestão estratégica e à organização de eventos há mais de duas décadas. Sou licenciada e mestre em Gestão de Empresas e iniciei a minha carreira na área da consultoria em Tecnologias de Informação, tendo passado posteriormente pelo setor financeiro.
Desde 2010, estou ligada à Fundação AIP e à Feira Internacional de Lisboa, onde tive a oportunidade de gerir vários projetos de grande dimensão. Atualmente, desempenho funções como gestora coordenadora da BTL, do Lisboa Games Week, do Portugal Smart Cities e do Millennium Portugal Exportador — eventos com perfis distintos, mas com um denominador comum: a criação de experiências relevantes, a geração de negócio e a capacidade de acompanhar a evolução dos mercados.
Tendo experiência na organização de outros certames, o que torna o setor do turismo único ou mais desafiante?
O turismo distingue-se de outros setores pela sua enorme transversalidade e pela forma como cruza territórios, culturas, pessoas e experiências. Ao contrário de certames mais segmentados, um evento de turismo envolve destinos, empresas, comunidades e viajantes, o que exige uma visão integrada e uma forte capacidade de articulação.
Um dos principais desafios é transformar essa diversidade numa experiência coerente e relevante para públicos muito distintos, garantindo que tanto o visitante profissional como o público em geral encontram valor na BTL. A experiência do visitante é central e obriga-nos a pensar o evento não apenas como uma feira, mas como um espaço de descoberta, inspiração e geração de negócio.
A experiência do visitante é central e obriga-nos a pensar o evento não apenas como uma feira, mas como um espaço de descoberta, inspiração e geração de negócio.
Acresce ainda a rápida evolução do setor, marcada por novas tendências de viagem, pela crescente importância da sustentabilidade, da inovação e da personalização da oferta. É neste contexto dinâmico que trabalhamos para desenvolver uma BTL cada vez mais atual, capaz de antecipar tendências, responder às expectativas do mercado e criar valor real para expositores, parceiros e visitantes.
Se pudesse fazer um desejo para esta edição da BTL, qual seria?
O meu maior desejo é que esta edição da BTL continue a afirmar-se como um verdadeiro catalisador para o crescimento do turismo em Portugal, reforçando a visibilidade do país nos mercados nacionais e internacionais.
Gostaria de ver a feira a gerar ainda mais oportunidades concretas de negócio, a dar palco a novos destinos e experiências diferenciadoras e a inspirar profissionais e visitantes. Em última análise, que cada pessoa que passe pela BTL saia com novas ideias, novas ligações e com vontade de descobrir Portugal e o mundo em todas as suas dimensões.
Por Inês Gromicho


















































