Na sessão de abertura de mais um Congresso da AHP, que se iniciou ontem, dia 11, no Porto, Francisco Calheiros, presidente da CTP – Confederação do Turismo de Portugal, garantiu: “A hotelaria em Portugal continua a viver um momento de crescimento e investimento”, com a procura internacional e a atração de grandes cadeias hoteleiras a contribuírem para o crescimento sustentável da hotelaria e do turismo.
Mas, embora a hotelaria ajude a economia, gerando empregos e movimentando outros setores, como a indústria, os transportes ou o comércio, o responsável lembrou que ainda se colocam desafios a este setor. E um destes desafios é a escassez de mão-de-obra. Um desafio para o setor turístico em geral para o qual já se procuram soluções, como é o caso da formação no âmbito do programa “Integrar para o Turismo”, do Turismo de Portugal, AIMA e CTP. O objetivo com este programa é identificar, formar e integrar migrantes para trabalharem na atividade turística, nomeadamente nos hotéis.
Por esta razão, Francisco Calheiros não tem dúvidas: “este é mais um exemplo de como o turismo é a melhor parceria público-privada do país”.
Porém, o presidente da CTP defende que é “necessário mais”, como é o caso da revisão da legislação laboral em discussão no “Trabalho XXI” que considera ser “de uma importância decisiva para o futuro do emprego e da competitividade em Portugal”. O responsável afirma que esta “é uma reforma muito positiva e equilibrada” e acrescenta que, para o turismo, “é fundamental que a lei laboral assegure simultaneamente a necessária proteção aos trabalhadores e a flexibilidade indispensável às empresas, tendo em conta a natureza sazonal e cíclica da atividade”.
Referindo-se ainda ao bom ano de 2025, cujos números revelaram um novo recorde no que diz respeito ao consumo dos visitantes, e com um novo máximo de 29,4 mil milhões de euros de receitas turísticas, Francisco Calheiros lembrou que este crescimento não é apenas importante para o turismo mas também para o crescimento do país: “O motor do turismo continua bem oleado e com a força necessária para puxar a economia nacional”, sublinhou. E acrescentou que aqui há um dado importante de salientar: as receitas têm crescido mais que as dormidas, ou seja, “a qualidade impera sobre a quantidade e assim geramos mais valor para o país”.
Defende pois que, para que a atividade turística acelere, “temos de continuar a seduzir turistas com maior poder de compra e que estejam disponíveis para pagar preços mais elevados”. E os EUA são um bom exemplo de um mercado que gera valor, mas também a Ásia, nomeadamente, China, Japão e Coreia do sul.
Neste âmbito, as ligações aéreas são essenciais, admite, e o presidente da CTP considera que deveria mesmo haver um reforço das ligações com cidades dos EUA e com a capital da Coreia do sul. Mas acredita que a TAP vai continuar a ter um papel fundamental, “que será com certeza reforçado e diversificado com o seu novo dono”.
Neste contexto, Francisco Calheiros não pode deixar de abordar, uma vez mais, a questão do aeroporto de Lisboa: “Sem um novo aeroporto, ou no mínimo sem uma solução intermédia, temo que a próxima estratégia para o turismo tenha de ser várias vezes atualizada”. Apela pois ao Govenro para que “não haja receio em decidir, em ficar com o ónus da decisão ou em recuar um pouco”, adiantando que “ninguém levaria a mal uma pequena inversão na estratégia e que o Governo equacionasse o investimento numa solução intermédia enquanto não houver aeroporto em Alcochete”.
Por Inês Gromicho, no Porto




















































