Durante a FITUR, feira internacional de turismo em Madrid, André Gomes, Presidente da Associação de Turismo do Algarve, em declarações ao Ambitur.pt, reforçou a importância do mercado espanhol enquanto mercado estratégico de proximidade para a região. Integrado no stand do Turismo de Portugal, o destino apresentou-se este ano com uma presença reforçada, envolvendo vários municípios algarvios numa ação concertada de promoção do território.

“A Fitur continua a ser uma das feiras mais importantes de turismo do mundo e, para nós, é extremamente importante estarmos presentes junto do mercado espanhol, que é um mercado de proximidade e de grande relevância para o Algarve”, afirmou o responsável, sublinhando que esta presença permite “apresentar as novidades da região e aquilo que temos para oferecer aos milhões de turistas que nos visitam todos os anos”.
Um dos principais focos da promoção algarvia em 2025 e 2026 passa pela redução da sazonalidade, através da captação de grandes eventos internacionais. “Neste momento temos a taxa de sazonalidade mais baixa da última década, se não de sempre”, destacou André Gomes, explicando que o Algarve passou de 43% de sazonalidade em 2014 para 38% em 2024.
Segundo o responsável, esta evolução resulta sobretudo da aposta em eventos realizados fora da época alta. “Temos vindo a captar grandes eventos desportivos, como o MotoGP, a Volta ao Algarve em bicicleta, os Superbikes e muitos outros, maioritariamente fora da época alta, o que tem contribuído claramente para esta redução da sazonalidade”, frisou.
Apesar da diversificação da oferta, o Algarve continua a promover os seus produtos âncora, como as praias, o turismo de natureza e o golfe, segmento onde mantém uma posição de liderança. Neste contexto, foi também confirmada a realização do Grande Prémio de Fórmula 1 no Algarve em 2027 e 2028: “desde o dia seguinte ao fecho do contrato com a Liberty começámos imediatamente a trabalhar todo o potencial que uma marca como a Fórmula 1 traz para um destino como o Algarve”, revelou, acrescentando que já em 2026 se espera sentir um aumento da procura associado ao evento.
Paralelamente, a região tem reforçado a aposta em produtos que permitem uma procura turística ao longo de todo o ano: “a gastronomia permite-nos mostrar os nossos produtos endógenos, a autenticidade do destino, as nossas tradições e a nossa cultura”, referiu, acrescentando que o enoturismo tem registado “um crescimento muito significativo nos últimos anos”.
“Há cerca de uma década teríamos cerca de 20 produtores de vinho e duas ou três ofertas de enoturismo. Hoje estamos a chegar aos 60 produtores e a mais de 25 ofertas estruturadas na região”, exemplificou.
Durante a FITUR, foram também apresentados outros grandes acontecimentos previstos para 2026, como o PGA Championship de Golfe, que terá lugar em julho, em Vilamoura, bem como a reabertura do centro equestre da região com provas internacionais.
A feira madrilena é ainda vista como uma plataforma fundamental para o reforço de relações com outros mercados europeus e com o setor do transporte aéreo: “a Fitur é um encontro mundial do setor do turismo e permite-nos reunir com operadores e companhias aéreas para trabalhar novas rotas, aumento de capacidade e prolongamento das operações ao longo do ano”, explicou.
O crescimento do Aeroporto de Faro foi igualmente destacado, tendo ultrapassado pela primeira vez os 10 milhões de passageiros: “este resultado é fruto de um trabalho conjunto entre o Turismo do Algarve, o Turismo de Portugal e a ANA. Sem esta articulação, não teríamos os resultados que estamos a ter”, afirmou.
Apesar do desempenho positivo, foram apontados constrangimentos nos controlos fronteiriços: “a mera suspensão do sistema durante três meses não resolve o problema. Exige-se uma resposta efetiva por parte do Governo e das entidades competentes, seja ao nível de investimento em equipamentos ou de reforço de meios”, alertou André Gomes.
Relativamente ao mercado norte-americano, o responsável mostrou-se confiante quanto à sua evolução: “já registávamos um crescimento significativo antes da nova rota com a United, mas com o início da operação, em maio de 2025, assistimos a um crescimento exponencial”, disse, admitindo que está a ser equacionado o prolongamento da rota ao longo de todo o ano.
Por sua vez, o mercado nacional continua a assumir um papel central no turismo algarvio: “ano após ano, o mercado nacional continua a ser o principal mercado do Algarve”, sublinhou, destacando um crescimento de 22% em novembro face ao período homólogo. “Estes números contrariam claramente a ideia de que o Algarve está afastado dos portugueses”.
A próxima BTL (Bolsa de Turismo de Lisboa), a realizar no próximo mês de fevereiro, será, por isso, uma aposta estratégica: “vamos ser novamente destino nacional convidado, algo que não acontecia há cerca de uma década, o que representa uma oportunidade única de promoção junto do mercado nacional”.
Por fim, foi destacada a evolução positiva ao nível dos recursos humanos no setor: “as dificuldades que sentíamos há três ou quatro anos já não são as mesmas. Houve uma aposta clara dos empresários em valorizar e reter as suas equipas”, explicou.
O programa de formação de competências turísticas do Algarve, iniciado em 2024, certificou cerca de mil formandos e entrou numa segunda edição em outubro de 2025: “este programa resulta de um diagnóstico real das necessidades das empresas e queremos continuar a apostar na qualificação para garantir serviços e experiências de qualidade”, concluiu o Presidente da Associação de Turismo do Algarve.
Por Diana Fonseca, na FITUR, Madrid



















































