
O setor de Turismo e Lazer em Portugal manterá uma trajetória de crescimento acelerado em 2026, com uma temperatura de mercado “Hot”. Impulsionado por investimentos estrangeiros e por uma estratégia nacional focada na sustentabilidade e na digitalização, o setor está a redefinir-se, atraindo viajantes mais exigentes e expandindo-se para regiões menos exploradas. No entanto, a escassez de talento qualificado e a dificuldade em gerir processos de recrutamento ágeis continuam a ser os principais desafios, revela a mais recente análise do Guia Hays 2026.
“O Turismo e Lazer estão a viver uma transformação profunda em Portugal. A sustentabilidade, a digitalização e a descentralização estão a criar novas oportunidades de crescimento, mas também a aumentar a exigência na atração de talento qualificado. Em 2026, as empresas que conseguirem alinhar estes três pilares com uma proposta de valor forte para os profissionais serão as que vão liderar o setor”, afirma Patrícia Machado, Team Manager na Hays Portugal.
Após um 2025 “Fervente”, marcado por um crescimento expressivo e pela diversificação da oferta, 2026 será um ano de consolidação desta nova realidade. O foco estará em perfis cada vez mais especializados, com competências em gestão estratégica, marketing digital e operação em ambientes multiculturais.
Três tendências-chave irão moldar o futuro do Turismo e Lazer em Portugal:
- Sustentabilidade Ambiental como prioridade estratégica: A exigência por práticas sustentáveis irá reforçar a procura por profissionais com conhecimento em gestão ambiental, certificações ecológicas e comunicação de impacto. A sustentabilidade deixa de ser um nicho para se tornar um pilar central da estratégia do setor.
- Digitalização da experiência turística: A aposta em soluções digitais para a personalização da jornada do cliente será crucial. A valorização de perfis com competências em Inteligência Artificial (IA), CRM e marketing digital será uma consequência direta desta tendência, com o objetivo de criar experiências mais ricas e personalizadas.
- Descentralização do turismo e quebra da sazonalidade: A expansão para regiões menos exploradas e a consolidação do turismo “todo o ano” exigirão equipas ágeis, com capacidade de adaptação a diferentes contextos operacionais e culturais. Isto irá impulsionar a procura por profissionais versáteis e com forte capacidade de liderança.
Procura de talento e competências chave
A procura irá focar-se em perfis de liderança e especialistas capazes de responder à crescente sofisticação do setor. A escassez de talento, especialmente em funções operacionais críticas como a de Governanta, continuará a ser um desafio. Os perfis mais procurados em 2026 são: Hotel Manager, Chefe de Cozinha, Sales Manager e Marketing Manager.
As competências mais valorizadas para se destacar no setor em 2026 são:
- Hard Skills: Competências de IA, CRM e marketing digital serão cada vez mais importantes para a personalização da experiência do cliente.
- Soft Skills: Inteligência emocional e comunicação são fundamentais para a gestão de equipas e para a interação com clientes cada vez mais exigentes.
- Idiomas: A fluência em Inglês, Espanhol e Francês continua a ser essencial.
Perspetivas de salários e benefícios
Prevê-se um aumento salarial significativo em 2026, como resposta à dificuldade em atrair talento verificada em 2025. No entanto, os benefícios deverão manter-se estáveis, refletindo as limitações estruturais do setor. Urge que as unidades hoteleiras desenvolvam uma Proposta de Valor ao Colaborador (EVP) sólida para conseguir atrair e reter talento.
O que surpreendeu o mercado
Em 2025, a baixa disponibilidade dos candidatos para mudança profissional surpreendeu o setor, dificultando e prolongando os processos de recrutamento. Em contrapartida, esperava-se que a digitalização dos processos operacionais em hotelaria tivesse um impacto transformador, mas essa evolução foi mais lenta e menos disruptiva do que o previsto.


















































