A Ambitur.pt tem estado ao lado do setor da Hotelaria em Portugal, seguindo tendências, anunciando novidades, acompanhando mudanças. Hoje trazemos-lhe mais uma rubrica, desta feita procurando a visão das mulheres que escolheram o mundo dos hotéis para o seu percurso profissional. Como é ser mulher nesta indústria? É o que procuramos saber com “Hotelaria no Feminino”. A conversa hoje é com Ana Calçada, Cluster Housekeeping Manager da PHC Hotels, que admite que ainda existem desafios para as mulheres na hotelaria, sobretudo em cargos de liderança, embora reconheça haver uma evolução positiva..
É difícil ser mulher na hotelaria em Portugal nos dias de hoje? Observa alguma evolução desde o seu primeiro emprego no setor?
Ser mulher na hotelaria, ainda tem alguns desafios, especialmente em cargos de liderança. Noto que a situação tem vindo a evoluir de forma positiva, e há cada vez mais oportunidades e maior reconhecimento, embora persistam barreiras como a necessidade de provar competência e a conciliação entre vida pessoal e profissional. A diversidade e inclusão têm ganhado força, tornando o setor mais equilibrado.
Quando começou a trabalhar no setor hoteleiro e onde?
Iniciei a minha carreira no setor hoteleiro em 2011, no icónico Hotel Mundial, e desde então tenho crescido profissionalmente dentro da organização. Ao longo dos anos, enfrentei inúmeros desafios que me permitiram desenvolver competências essenciais na área, desde a gestão de equipas até a adaptação das constantes mudanças do setor.
O que a motivou a trabalhar na hotelaria?
A hotelaria é um setor dinâmico e exigente, onde cada dia traz novos desafios, aprendizagens e oportunidades de crescimento. Essas experiências diárias impulsionam a minha evolução profissional, motivando-me a proporcionar sempre um serviço de excelência e criar momentos memoráveis para os hóspedes.
Qual a sua função/cargo no grupo hoteleiro em que trabalha? Desde quando ocupa esse cargo? E como é o seu dia a dia?
Sou Housekeeping Manager do Grupo PHC Hotels desde 2022, assumindo a responsabilidade pela organização e gestão das diferentes secções sob minha coordenação: Andares, Limpezas e Lavandaria das diversas unidades do grupo, à excepção do Convent Square Hotel.O meu dia a dia é pautado pela supervisão e otimização dos processos, garantindo a eficiência operacional e a qualidade dos serviços prestados. Uma das principais especificidades do cargo é a criação e implementação de procedimentos que facilitem o trabalho das equipas e assegurem o cumprimento dos objetivos estabelecidos. É uma função exigente, que exige atenção ao detalhe, capacidade de liderança e gestão eficiente de recursos. No entanto, é também extremamente gratificante, especialmente ao ver o impacto positivo na experiência dos hóspedes.
Alguma vez sentiu, ao longo da sua carreira, mais dificuldade em aceder a determinado cargo/função por ser mulher? Considera que ser mulher é um fator que dificulta o crescimento profissional?
Ao longo da minha carreira, enfrentei desafios como qualquer profissional que busca crescimento na hotelaria, um setor exigente e competitivo. Embora não possa afirmar que ter sido mulher tenha sido um obstáculo direto, é inegável que, em determinadas situações, a necessidade de provar competência e capacidade pode ter sido maior.
Na sua opinião, há um equilíbrio ou desequilíbrio no número de mulheres versus homens que trabalham no setor? De que forma isso se verifica – nos cargos exercidos, nos salários oferecidos? E porque razão considera que é assim?
Na minha opinião, ainda há um desequilíbrio no setor hoteleiro, principalmente quando analisamos as posições de liderança e gestão. Embora as mulheres sejam bem representadas nas áreas operacionais, como recepção, housekeeping e restauração, elas ainda são minoria nos cargos de topo, como diretores gerais, chefes de operações e outras funções estratégicas.
No seu grupo hoteleiro quem está em maioria – mulheres ou homens? E na equipa onde trabalha?
Na minha empresa, não se nota desequilíbrio entre o número de mulheres e homens, seja nos cargos de gestão seja nas demais áreas. A cultura organizacional valoriza a igualdade de oportunidades para todos, independentemente do gênero. Todos têm espaço para crescer e se desenvolver, o que cria um ambiente de trabalho equilibrado e inclusivo, onde a diversidade de ideias e perspetivas é altamente valorizada. No meu departamento, temos uma equipa mista, onde aproveitamos as diferentes experiências e abordagens de cada membro. Acreditamos que essa diversidade é essencial para alcançar os melhores resultados e garantir o sucesso do nosso trabalho em conjunto. A troca de ideias e a colaboração são fundamentais para a nossa eficiência e para a criação de soluções inovadoras.
No seu caso pessoal, gosta mais de trabalhar com equipas de mulheres, só de homens ou mistas?
Prefiro trabalhar em equipas mistas. A variedade de ideias e experiências que cada pessoa oferece torna o ambiente de trabalho mais dinâmico e ajuda a encontrar soluções mais criativas e eficientes. Acredito que essa diversidade é essencial para alcançar os melhores resultados.
É fácil conjugar a sua vida pessoal/familiar com a vida profissional? Sente uma maior pressão em atingir este equilíbrio pelo facto de ser mulher?
Conciliar a vida pessoal e familiar com o trabalho é, definitivamente, desafiador. A hotelaria tem horários imprevisíveis e uma carga de trabalho intensa, o que torna o equilíbrio entre as duas coisas complicado. Embora isso seja um desafio para qualquer profissional, ser mulher pode, às vezes, trazer uma pressão extra, especialmente quando as responsabilidades familiares entram em cena. O segredo está na organização e no apoio da equipa para conseguir lidar com tudo.
O que pensa que a visão feminina pode trazer de diferenciador e de positivo ao setor hoteleiro?
A visão feminina pode trazer uma abordagem mais cuidadosa e focada no cliente, algo muito importante na hotelaria, onde a experiência do hóspede é a prioridade. Muitas vezes, as mulheres têm uma habilidade natural para a comunicação e para lidar com as pessoas, o que ajuda a criar um ambiente acolhedor e a oferecer um atendimento de qualidade. Além disso, a perspetiva das mulheres pode trazer uma sensibilidade extra para a gestão, especialmente quando se trata de temas como equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, inclusão e bem-estar da equipa. A diversidade de pensamento, quando há mulheres em posições de liderança, pode gerar soluções mais criativas e eficazes, favorecendo o sucesso do setor a longo prazo.
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