Manuel Castro Almeida marcou presença no segundo dia da FITUR, feira internacional de turismo em Madrid, data em que recebeu no stand de Portugal os Reis de Espanha. Em declarações aos jornalistas e no contexto do evento, o Ministro da Economia afirmou que o turismo continua a ser um dos principais motores do crescimento económico de Portugal, sublinhando o seu potencial para gerar mais riqueza, melhores salários e uma maior convergência com a média europeia de rendimento.
Respondendo às insinuações sobre um eventual excesso de turistas, o ministro rejeitou essa ideia, admitindo apenas situações pontuais de maior pressão turística em determinados locais e períodos do ano. Defendeu que o desafio não é reduzir o turismo, mas fazê-lo crescer com mais qualidade, apostando na diversificação de destinos para além de Lisboa, Porto e das zonas balneares, promovendo o interior, a gastronomia, o enoturismo e os territórios junto à fronteira.
O Ministro da Economia salientou ainda que o turismo já representa uma parte significativa da riqueza nacional, mas que existe margem para aumentar esse contributo. Para isso, considerou essencial melhorar o nível de receitas do setor, permitindo que quem nele trabalha possa beneficiar de rendimentos mais elevados.
Relativamente aos números mais recentes, o governante indicou que o turismo continuou a crescer em 2025, com uma taxa superior a 5%, acima do crescimento médio do Produto Interno Bruto. Ainda assim, alertou que as perspetivas futuras dependem do contexto internacional, marcado por incerteza geopolítica.
De Espanha só bons ventos
“Nós temos muito a ganhar em ter uma relação próxima e amiga com a Espanha”, disse Manuel Castro Almeida, classificando-a como “uma excepcional relação de vizinhança”. Referiu ainda o impacto económico direto: “a Espanha é o principal destino das nossas exportações de forma muito notória. Portanto, é muito bom para nós que a economia corra bem em Espanha”.
Além disso, destacou a visita dos Reis de Espanha ao pavilhão português como um sinal claro de reconhecimento e proximidade entre os dois países. Entre mais de uma centena de pavilhões internacionais, a escolha de Portugal foi interpretada como uma distinção relevante e uma valorização do turismo nacional. Segundo o Ministro, este gesto demonstra o bom momento que o país atravessa em termos de imagem externa e confiança internacional.
Incerteza geopolítica não afasta ambição
Sobre os Estados Unidos, reconheceu um cenário misto. “O turismo tem tido um crescimento importante em Portugal” e “os turistas americanos têm um excelente poder de compra”, afirmou. No entanto, alertou que “nas exportações de bens para os Estados Unidos diminuiu quase 6%”, apesar do crescimento global das exportações portuguesas. Para o governante, este contraste reflete a instabilidade global: “o mundo está incerto, há uma grande intranquilidade e incerteza”.
Ainda assim, deixou uma mensagem de confiança: “no meio desta incerteza, nós temos que nos concentrar em fazer bem o nosso trabalho”, afirmou. O objetivo final, explicou, é estrutural: “Portugal ainda está longe da média europeia de rendimento”, estando atualmente em “82,3% da média europeia”. “Não há razão nenhuma para que nós não consigamos chegar aos 100%”, defendeu, admitindo que se trata de “um objetivo que demora anos”, mas que deve ser alcançado “um bocadinho por ano”.
Por Diana Fonseca, na FITUR, Madrid
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