Esta é uma das conclusões do inquérito “Balanço 2020 % Perspetivas 2021” apresentado hoje pela AHP – Associação da Hotelaria de Portugal, realizado entre 4 e 28 de fevereiro junto dos empreendimentos turísticos associados e/ou aderentes ao AHP Tourism Monitors de todas as regiões de Portugal. Cristina Siza Vieira, presidente da direção executiva da AHP, afirmou que quando inquiridos sobre previsões de reabertura ao longo deste ano, cerca de 15% dos hoteleiros admitiu voltar a abrir portas a partir já de março, havendo um salto grande já em abril, com mais de 30% dos inquiridos a admitir reabrir, e depois uma subida maior em junho (superior a 30%) que se mantém praticamente inalterada até dezembro. O que significa que, mantendo-se as atuais condições à altura deste inquérito, quase 40% da hotelaria nacional poderá não reabrir em 2021.
O Algarve atingirá o pico destas reaberturas em junho (cerca de 80%, mas a responsável mostra-se preocupada com outras regiões do país, nomeadamente Lisboa, que apesar de apresentar algum crescimento nas previsões de abertura já a partir de maio, com algum aumento em junho, não ultrapassa os 60% até ao final do ano.
“Este será um ano muito tímido em termos de aberturas, muito pobre a nível da oferta de alojamento porque vai haver muito pouca procura”, reconheceu Cristina Siza Vieira, durante a apresentação.
O impacto do anúncio da vacina contra a Covid-19 não se fez sentir nas reservas. Pelo menos é o que mostram os dados divulgados ela AHP, onde quase 80% dos inquiridos afirma não ter sentido qualquer impacto. E as reservas apresentam uma “timidez confrangedora”, diz a dirigente associativa, mesmo com os meses de verão a demonstrarem algum ânimo (nunca superior aos 25%). “Temos um trabalho enorme pela frente no que diz respeito a consolidar estas reservas”, frisa a responsável, que reconhece que “vai ser um ano muito difícil”. O mercado nacional é dominante em todas as regiões do país, à exceção da Madeira, que estima um peso predominante da Alemanha e do Reino Unido. Em termos globais, o Reino Unido apresenta-se como segundo mercado emissor.
Quanto a perspetiva de taxas de ocupação, os associados da AHP acreditam que a tendência será para melhorar, sobretudo nos terceiro e quarto trimestres, e que é acompanhada por um maior otimismo para a receita total.
Já no que se refere a estimativas de recuperação a níveis de 2019, a grande maioria dos inquiridos aponta o segundo semestre de 2022 e o primeiro de 2023 como mais realistas. A percentagem de hoteleiros que acredita que a retoma ainda poderá acontecer no primeiro semestre de 2022 é “muito modesta”, indica Cristina Siza Vieira, de apenas 8%. 2024 será o ano da retoma, com 24% dos inquiridos a apontar esta data como expectável.
2020: ocupação a 26%, ARR de 86 euros
Efetuando um balanço do ano de 2020, o relatório da AHP demonstra que os encerramentos das unidades hoteleiras se acentuaram em abril (85%) e maio (84%), com julho, agosto e setembro a apresentar melhorias (33%, 24% e 21%, respetivamente). A partir de novembro e dezembro, 42% e 48%, respetivamente, das unidades hoteleiras voltaram a fechar portas. As regiões mais afetadas foram claramente o Algarve, Lisboa, Madeira e Açores.
As dormidas, no ano passado, registaram uma quebra homóloga “brutal” a partir de março. E mesmo com um arranque de ano que anteciparia um “ano muito bom”, no total do ano foram 65% as dormidas perdidas, e se considerarmos apenas o período de março a dezembro, esse valor ascende aos 73%.
O Alentejo destacou-se sempre com a melhor performance relativa, caíndo 20,4 pontos percentuais para uma taxa de ocupação anual que se situou, em 2020, nos 41,60%, muito acima da média nacional de 25,97%. Os Açores evidenciaram a taxa de ocupação mais fraca (17,71%), uma descida de 47,29 pontos percentuais.
No que diz respeito ao Preço Médio por Quarto (ARR), nos períodos em que os hotéis estiveram abertos, a AHP mostra novamente o Alentejo no topo da lista, com um valor de 110,71€, superior ao total nacional de 86,06€. Acima desta média estiveram também o Algarve (107,88€) e o Norte (93,28€). O ARR de Lisboa situou-se nos 85,06€.
Cristina Siza Vieira sublinha que “não andámos em saldo”, não havendo um sacrifício do preço assim tão forte, especialmente em regiões como o Centro ou o Alentejo.
Quanto à perda na receita de alojamento, a AHP apresenta um total nacional de 68,57%, estando Lisboa a encabeçar a lista com 76,63%, seguida de perto pelos Açores (75,91%) e depois pelo Algarve (69,95%). Também na perda na receita total Lisboa e Açores estão no topo, respetivamente com 80,02% e 81,20%, acima do total nacional de 72,70%. As regiões Centro e Alentejo foram aquelas que registaram menores perdas de receitas.
O principal mercado, em 2020, foi claramente o português (89%), seguindo-se Espanha (63%) e França (45%). Aqui sim verificou-se uma alteração no “cabaz” tradicional, com o Reino Unido apontado apenas por 27% dos inquiridos, tal como a Alemanha. Só na Madeira, os mercados britânico e alemão superaram o nacional.
Analisando os principais canais de distribuição, o inquérito da AHP revela que a Booking se manteve como predominante em todas as regiões do país, observando-se porém uma expressão que ganhou algum peso a nível dos websites próprios, e sendo os GDS quase irrelevantes em regiões como o Centro ou o Algarve.
Abordando as reservas reembolsáveis, o estudo mostra que atingiram em 2020 uma média nacional de 61%, conquistando maior expressão nos Açores (72%), Lisboa (67%) e Algarve (62%). “Existe uma grande flexibilidade nas reservas”, explica Cristina Siza Vieira, o que provoca “instabilidade na operação e na tesouraria”.
80% dos inquiridos referiu ter registado entre 60% a 100% de cancelamentos no segundo trimestre de 2020, com o primeiro confinamento. No último trimestre, os cancelamentos voltaram a subir.


















































