A consolidação das estadias curtas marca a hotelaria portuguesa, mas os dados analisados pela BedsRevenue revelam nuances decisivas para a gestão de receita e segmentação de mercado.
De acordo com este estudo, a hotelaria portuguesa enfrenta hoje um cenário bem definido: 2,4 noites por reserva em média, confirmando a tendência de estadias curtas que se instalou nos últimos anos. Mas é
precisamente na análise granular deste indicador que, de acordo com a BedsRevenue, reside a diferença entre uma gestão reativa e uma estratégia fundamentada em dados.
Sinais de mudança em média época
Apesar da predominância de estadias breves, no estudo observa-se um movimento relevante: o aumento gradual de reservas de três a quatro noites em períodos de média época. Este padrão sinaliza maior flexibilidade na decisão de viagem e uma procura progressivamente menos dependente de datas fixas — uma janela de oportunidade para hotéis que saibam ajustar políticas de minimum stay e yield management.
Nacional vs. Internacional: dois comportamentos distintos
A diferença entre mercados é estrutural, frisa o estudo. Turistas nacionais registam 1,8 noites de média, concentradas maioritariamente em fins de semana. Em contraste, os mercados internacionais apresentam 2,9 noites, com maior antecedência nas reservas e, crucialmente, maior abertura a upselling de noites adicionais. Traduzindo: menos pressa, mais margem.
Segmentação: a duração da estadia como critério estratégico
Os dados por segmento deixam claro que a duração não é homogénea — e que cada perfil exige abordagens diferenciadas: Casais apresentam uma média de 2,3 noites, com forte expressão em hotéis urbanos e
boutique. Famílias estendem-se por 3,6 noites, sobretudo em destinos de lazer e resorts.
Grupos mantêm-se em 2,1 noites, altamente sensíveis a preço e disponibilidade. Já o segmento business fica apenas 1,4 noites — mas compensa com ADR superior à média.
O dado é inequívoco: segmentos com estadias mais longas exigem estratégias específicas, que vão muito além de descontos lineares.
Geografia e tipologia: contexto determinante
Hotéis de lazer apresentam durações médias superiores a 3 noites, especialmente no Algarve e ilhas. Já os hotéis urbanos em Lisboa e Porto mantêm estadias entre 1,7 e 2,1 noites, compensadas por maior rotação e tarifas médias mais elevadas. Nos hotéis de 4 e 5 estrelas, a duração tende a aumentar — sobretudo quando a experiência justifica prolongar a estadia.
Conclusão: da métrica à alavanca estratégica
A duração média das estadias deixou de ser apenas um indicador operacional. Hoje, é uma verdadeira alavanca estratégica. Quem sabe interpretá-la com rigor ajusta preços, mínimos de estada e campanhas com maior precisão.
Como sempre aconteceu na hotelaria: os números mudam, mas quem respeita os fundamentos continua um passo à frente.

















































