O setor da distribuição, quer seja quem programa ou quem vende os destinos e programas junto do cliente, já sente a exigência crescente deste na hora de escolher as suas férias ou viagens de trabalho. Ambitur falou com várias empresas na sua edição 354, dedicada à temática da sustentabilidade, e todos assumem a sua responsabilidade enquanto intermediários que criam e moldam experiências. Susana Fonseca, diretora geral da Airmet, fala-nos sobre desafios e responsabilidades nesta matéria.

A representante da Airmet não tem dúvidas de que tanto operadores turísticos como agentes de viagens assumem um papel fundamental na promoção da sustentabilidade. A eles cabe selecionar parceiros responsáveis, sensibilizar clientes para escolhas mais conscientes e integrar opções sustentáveis nas suas ofertas. Além disso, Susana Fonseca sublinha que estes players funcionam como “intermediários de confiança, capazes de influenciar comportamentos e de promover práticas que respeitem os destinos, as comunidades e o meio ambiente”. E frisa que “a responsabilidade passa também por dar o exemplo, adotando internamente políticas sustentáveis”.
Mas também os consumidores finais, sobretudo os mais jovens e mais atentos às questões ambientais e sociais, deverão exercer uma maior pressão sobre as empresas no futuro, admite a entrevistada. Esta sensibilidade, explica, irá influenciar escolhas, incentivando os operadores e destinos a adotarem práticas mais sustentáveis, mesmo que não seja ainda o fator decisivo na maioria das reservas.
A sustentabilidade será, sim, um fator de diferenciação entre destinos com propostas semelhantes, influenciando decisões quando combinada com outros elementos essenciais para o viajante”
Para Susana Fonseca, não há dúvidas de que a sustentabilidade ambiental dos destinos terá um peso cada vez maior nas decisões de viagem. Mas acredita que é pouco provável que, a curto ou médio prazo, se torne o principal critério de escolha. Para a diretora geral da Airmet, fatores como o preço, a segurança, a acessibilidade e a oferta de experiências autênticas continuam a ser determinantes. “A sustentabilidade será, sim, um fator de diferenciação entre destinos com propostas semelhantes, influenciando decisões quando combinada com outros elementos essenciais para o viajante”, detalha.
A possibilidade de uma maior sustentabilidade ambiental implicar custos mais elevados nas viagens é real, admite a responsável. Tal deverá implicar custos acrescidos na implementação de práticas mais responsáveis, na limitação de acessos ou na valorização de fornecedores locais. Estes custos poderão refletir-se no preço final das viagens. Mas Susana Fonseca está convicta de que “muitos consumidores estarão dispostos a pagar um pouco mais por opções que respeitem o ambiente e as comunidades locais, desde que percebam claramente o valor dessa diferença”.
“muitos consumidores estarão dispostos a pagar um pouco mais por opções que respeitem o ambiente e as comunidades locais, desde que percebam claramente o valor dessa diferença”
Relativamente aos desafios que os destinos turísticos enfrentam neste caminho rumo à sustentabilidade, a diretora geral da Airmet aponta o equilíbrio do crescimento do turismo com a preservação dos recursos naturais e culturais como sendo um dos maiores obstáculos. “Muitos destinos ainda dependem fortemente do turismo de massas, o que exerce uma pressão significativa sobre os ecossistemas locais, infraestruturas e comunidades”, adianta. A nível nacional, Susana Fonseca recorda o desafio da descentralização da procura, já que, na sua opinião, Portugal continua a ter zonas sobrecarregadas – como é o caso de Lisboa, Porto ou Algarve – enquanto outras regiões com potencial continuam esquecidas. “Promover uma distribuição mais equilibrada dos fluxos turísticos pode contribuir para a sustentabilidade, ao mesmo tempo que dinamiza a economia local”, defende.
Por Inês Gromicho.



















































