A indústria do turismo europeu iniciou 2026 com indicadores robustos tanto no transporte aéreo como na hotelaria, reforçando a posição do continente como um dos destinos mais resilientes e competitivos do mundo. Os dados constam no mais recente relatório da Amadeus – “Amadeus Demand Generation – Market Snapshot Jan–Abr 2026” , que analisa padrões de procura, reservas e comportamento do viajante entre janeiro e abril deste ano.
Procura internacional reforça liderança europeia
Os destinos europeus mantêm-se consistentemente no topo das preferências globais. Em 2025, Espanha, Itália e Reino Unido foram os países mais pesquisados por viajantes internacionais, seguidos de França e Alemanha — um padrão de procura que praticamente não sofreu alterações e que sublinha a maturidade turística destes mercados.
A procura não se limitou a pesquisas. No período entre janeiro e abril de 2026, estes países também dominaram as reservas efetivas: o Reino Unido lidera o ranking, com Alemanha, Espanha, França e Itália a completarem o top cinco. Portugal, que ao longo dos últimos anos tem vindo a reforçar a sua visibilidade global, surge novamente bem posicionado, mantendo o sexto lugar entre os destinos mais reservados.
Esta estabilidade nos fluxos turísticos para as principais economias europeias demonstra não apenas a força das suas marcas nacionais, mas também a capacidade de resposta das infraestruturas aeroportuárias e hoteleiras para absorver picos de procura, aponta este relatório.
Mercados emissores com nova dinâmica: EUA dominam, Ásia cresce
A análise dos mercados emissores revela uma evolução relevante para a estratégia de destinos e operadores europeus. Os Estados Unidos destacam-se como o maior emissor de turistas para a Europa em 2026, seguidos de Espanha, Itália, França e Reino Unido — estes últimos impulsionados pelo forte turismo intrarregional.
O relatório mostra, no entanto, a subida de mercados asiáticos como Japão e Índia, que entram no top 10 de origens para viagens ao continente. Esta presença reforçada confirma tendências já identificadas nos anos pós-pandemia: viajantes asiáticos com estadias mais longas, maior gasto médio e maior procura por destinos culturais e urbanos maduros.
Para os especialistas, este é um indicador estratégico que poderá influenciar a captação de novas rotas aéreas e campanhas de marketing segmentadas na Ásia-Pacífico.
Pesquisa aérea dispara: Europa ganha tração global
Os níveis de interesse por viagens para a Europa continuam a crescer a ritmo acelerado. De acordo com a Amadeus, as pesquisas globais para voos com destino ao continente subiram:
- +30% em buscas internacionais
- +25% em buscas regionais, comparando com o total de 2024
Estes valores confirmam que a Europa está a ganhar não só volume mas também diversidade de origens na procura aérea.
Estes indicadores são particularmente relevantes para a aviação, explica a Amadeus: um aumento das pesquisas é frequentemente o primeiro sinal mensurável de futuros picos de reservas, oferecendo às companhias aéreas e aeroportos dados essenciais para planeamento de capacidade.
Hotelaria europeia: estabilização com crescimento sustentado
O setor hoteleiro europeu segue a mesma tendência positiva. A taxa média de ocupação entre janeiro e abril de 2026 cresceu 0,5% face ao mesmo período do ano anterior, enquanto o ADR aumentou 1,2% e o RevPAR 0,8%.
Embora o crescimento seja moderado, os analistas interpretam estes números como sinal de estabilização num mercado altamente competitivo e já muito desenvolvido. A capacidade da hotelaria europeia para manter indicadores sólidos mesmo sob pressão inflacionista demonstra um equilíbrio saudável entre oferta e procura.
A distribuição dos canais de reserva mantém-se diversificada:
- 32% – reservas diretas
- 28% – OTAs
- 24% – Brand.com
- 11% – GDS
A presença forte das OTAs confirma a maturidade do ecossistema digital europeu e a crescente sofisticação dos consumidores, que cruzam múltiplos canais antes de concluir a reserva.
Comportamento do viajante: reservas mais tardias, decisões mais rápidas
O relatório da Amadeus evidencia também um padrão especialmente relevante para hotéis e destinos: uma forte concentração de reservas com 0 a 30 dias de antecedência. Este comportamento traduz um viajante cada vez mais espontâneo e digital, altamente influenciado por promoções de última hora, disponibilidade aérea e eventos sazonais.
Para os especialistas, esta tendência reforça a necessidade de estratégias de revenue management mais dinâmicas, ajustadas semanalmente — ou mesmo diariamente — às flutuações de procura.
Europa entra no verão com bases sólidas
À medida que se aproxima a época alta, os dados sugerem um verão europeu particularmente forte. A combinação de maiores pesquisas aéreas, maior diversidade de mercados emissores e uma hotelaria a operar com níveis saudáveis de ocupação coloca o continente numa posição favorável para mais um ano de crescimento.
Os sinais são claros: 2026 poderá consolidar-se como mais um ano de expansão para o turismo europeu, com desafios sobretudo concentrados no equilíbrio entre capacidade, sustentabilidade e qualidade da experiência.



















































