A propósito da recente abertura da primeira unidade da Kodawari Residences em Portugal, mais concretamente no Porto, a Ambitur esteve à conversa com Gonçalo Fernandes, CEO da empresa, que nos falou sobre estratégia e objetivos deste novo conceito hoteleiro no nosso país. A Kodawari quer ter cinco unidades em operação em 2028 e, até 2032, chegar às 15 a 17 unidades em Portugal, sendo a ambição depois desta expansão procurar mercados internacionais. Sustentada num conceito de luxo premium onde o sono e o descanso são a proposta de valor, a marca está já a negociar quatro novos ativos, em Lisboa e no Porto.
Como descreve a visão de longo prazo da marca? Onde quer ver a Kodawari daqui a três/cinco anos?
Queremos ver a Kodawari como uma referência do que de novo se faz em Hotelaria, de algum modo, a redefinir o luxo. Num espaço de três-cinco anos queremos ver também a Kodawari com um portfólio de cerca de 10 hotéis, incluindo os que estarão em funcionamento e os que estarão em construção, entre Lisboa e Porto. E que, acima de tudo, a marca seja sinónimo da melhor noite de sono do mundo nas localizações mais centrais das cidades mais vibrantes, onde, claro, estão Lisboa e Porto. Queremos daqui a cinco anos estar a tomar a decisão de qual a 1º cidade onde vamos inaugurar a 1ª unidade Kodawari no estrangeiro.
A que tipo de viajante ou hóspede a Kodawari pretende responder?
Smart Traveler, que sabe o que quer, que não quer pagar pelo que não valoriza ou não utiliza. Alguém que sabe que o verdadeiro luxo é o descanso, o criar memórias e o faz porque repousa, descansa e acorda na melhor versão de si mesmo.
Queremos daqui a cinco anos estar a tomar a decisão de qual a 1º cidade onde vamos inaugurar a 1ª unidade Kodawari no estrangeiro.
Porque escolheram o Porto para a estreia da marca em Portugal?
O Porto porque de todos os ativos que estávamos a estudar na altura entre Lisboa e Porto, foi o que apresentou o tipo de localização que procuramos, a melhor e mais central possível, neste caso na Rua das Flores. Na nossa opinião, de entre muitas outras ruas do Porto, claro, a mais vibrante da cidade. O Porto também porque é e acima de tudo, está, uma cidade linda, vibrante, trendy mas ao mesmo tempo ainda com características e pormenores tradicionais deliciosos. Vou dar um exemplo, há uns dias quando visitei o Hotel da Rua das Flores com parte da equipa, estava, ao lado da nossa porta, uma senhora com um balde, a vender peixe fresquíssimo a quem passasse e a cantar uns pregões a plenos pulmões – o que não incomoda ninguém no hotel, atenção, mas é uma prova do cuidado que colocamos na nossa acústica.
O que distingue o Kodawari Residences Flores de outras unidades boutique no mercado do Porto?
O Kodawari Residences Flores distingue-se por ter um propósito muito claro: proporcionar a melhor noite de sono possível. Ao contrário de muitas unidades boutique que se focam sobretudo no design ou na multiplicidade de serviços, a Kodawari assume um foco absoluto no descanso, com cada detalhe – da acústica à luz, das cores aos materiais – pensado para criar uma experiência de conforto profundo e silencioso.
A escala intimista da unidade e o serviço personalizado criam um contraste intencional com a energia vibrante da Rua das Flores, oferecendo um verdadeiro refúgio urbano no coração do Porto. O luxo é sentido, nunca exibido, e manifesta-se na serenidade, na atenção ao detalhe e na qualidade da experiência.
Ao mesmo tempo, o Kodawari Flores incentiva ativamente a descoberta da cidade, da gastronomia e dos negócios locais, assumindo-se como um complemento ao destino e como uma mais-valia para a economia local. Mais do que um boutique hotel, é um ponto de partida e de regresso, pensado para quem valoriza o descanso como parte essencial de uma vivência autêntica da cidade.
Quais são os elementos de design e serviço que considera «não negociáveis» numa unidade Kodawari?
A obra de arte (no Kodawari Residences Flores, um painel da Viúva Lamego de 8 m2 da autoria da artista Mariana, a Miserável).
O pormenor com efeito “WOW!” (nas Flores um candeeiro vertical de 12 metros nas escadas, de flores de cristal coloridas e iluminadas por led), que cria uma atmosfera íntima, confortável, sofisticada, luxuosa, mas não opulenta, que sossega e acalma, mas encanta.
O azul e o dourado, as camas Hästens brancas e azuis, a sinalética retro iluminada. O serviço de excelência que começa muito antes do hóspede chegar, o surpreender o hóspede durante a estadia, o explicar tudo o que está ao dispor, mas não ser invasivo, o “adivinhar”o que o hóspede quer antes mesmo de ele saber. Não nos preocupa tanto o lado físico/material da questão, mas que, pelo conjunto, o nosso hóspede ao entrar em qualquer unidade da Kodawari no mundo sinta que está a entrar na marca, sinta que está num sítio em que tudo o que existe é pensado ao pormenor e com todo o bom gosto.
A experiência do sono é claramente central no conceito. Pode explicar as escolhas de parceiros e como isso se traduz na experiência do hóspede?
A centralidade do sono é clara: cada suíte foi projetada para proporcionar “a melhor noite de sono possível”. Selecionámos cuidadosamente camas Hästens que são sinónimo de excelência no sono, fabricação artesanal e personalização há mais de 125 anos, complementadas com cobertores pesados Blanky. Estes cobertores estimulam o descanso profundo pela respirabilidade que proporcionam, estabilizando assim a temperatura do corpo, como também pelo facto de ao serem pesados fazerem com que a pessoa se mexa muito menos, o que leva a um sono muito mais profundo. As almofadas de alta qualidade da Pato Rico com diversas alturas e graus de densidade, garantem conforto adaptado às preferências individuais. A escolha da cor azul profundo é também para proporcionar uma calma ao cérebro, para acalmar as sensações e aumentar o relaxamento do hóspede. O azul monocromático é quebrado pelo dourado que transmite luxo e requinte e por apontamentos de outras cores para trazer o elemento de surpresa que quebram a monotonia, mas sem elevar a pulsação claro.
Acima de tudo queremos o cliente relaxado. Para colmatar a experiência, oferecemos um serviço único de atenção para com o cliente. Cliente este que é tratado pelo nome como se em casa estivesse, em que sugerimos restaurantes e atividades com a curadoria Kodawari para que toda a experiência do cliente na cidade seja inesquecível. Afinal, queremos providenciar a melhor noite de sono do mundo, mas o melhor dia também e acima de tudo, recordações e uma vivência autêntica da cidade que visitam.

Quantas suites tem a unidade e que serviços exclusivos oferece?
Temos 17 suítes no Kodawari da rua das Flores no Porto. Tipologias e serviços exclusivos? Temos o mesmo para todos, a melhor noite de sono do mundo!
Planeiam adaptar o conceito Kodawari de forma diferente noutras cidades ou manterão um padrão único e replicável?
Manteremos sempre o mesmo “tom”, o mesmo cuidado com a acústica, a mesma “paleta” de cores, o mesmo ambiente de sofisticação onde menos é mais. Mas a obra de arte que nas Flores é um painel de azulejo, pode ser, no próximo Kodawari, uma escultura ou um grafitti. O fator “WOW”, que nas Flores é o candeeiro vertical, pode ser uma pintura ou outro tipo de instalação. Dependerá sempre do espaço e da nossa interpretação do mesmo. Mas, até o aroma que temos será uma constante o que, mesmo pelo cheiro, faz com que os nossos hóspedes saibam que estão a entrar numa das nossas unidades de imediato.
Nos próximos dois-três anos, esperamos ter cinco unidades abertas em Portugal, a das Flores e mais quatro que esperamos entrar em processo de construção muito em breve e abrir em 2028.
Qual o montante total investido neste primeiro projeto?
Entre obras, FF&E (Furniture, Fixture and Equipments) e exploração da unidade nos próximos 20 anos, cerca de 5.5 milhões de euros.
Quais as metas de crescimento para a marca em Portugal e internacionalmente nos próximos dois–três anos?
Nos próximos dois-três anos, esperamos ter cinco unidades abertas em Portugal, a das Flores e mais quatro que esperamos entrar em processo de construção muito em breve e abrir em 2028. Depois disso esperamos até 2032 chegar às 15 – 17 unidades em Portugal e depois internacionalizar. Temos parcerias com marcas com notoriedade e renome mundial e privilegiar o sono e o descanso é uma proposta de valor irrecusável em qualquer geografia.
Já existem ativos identificados para a próxima fase? Pode partilhar prazos aproximados?
Já existem sim, temos constantemente acesso a ativos quer via mediadores e agências imobiliárias, mas também acesso a ativos “off market” que muitas vezes nos são apresentados por outros canais mais indiretos como ateliers de arquitetura, consultores a até mesmo sociedades de advogados que representam investidores. Neste momento estamos a negociar quatro novos ativos, dois em Lisboa e dois no Porto, e esperamos que estejam prontos a operar durante o segundo semestre de 2028.
Que critérios usam para escolher novos edifícios/locais?
As melhores localizações e aqui, sem qualquer tipo de compromisso, tipicamente centros históricos. Depois disso, a capacidade de construção de suítes com as nossas características.
Que desafios operacionais têm sido mais exigentes no lançamento (recrutamento, formação, fornecedores)?
O recrutamento para nós e para o nosso modelo não é um desafio extraordinário, porque como somos unidades relativamente pequenas e muito focadas num só tema, providenciar a melhor noite de sono possível, não temos todos os outros serviços da hotelaria “tradicional”, como ginásios, F&B, salas de reuniões e eventos, piscinas etc. Isso também nos permite escolher os melhores dos melhores para trabalharem connosco, não temos de “comprometer” a qualidade. Neste caso, quem tem de contratar 50 ou 60 pessoas, neste momento, para hotelaria, dificilmente consegue manter os standards ideais em todas as posições. Eu diria que para esta unidade em particular, o desafio foi o período de construção, que teve um atraso de mais de um ano, quer por constrangimentos do empreiteiro e subempreiteiros, quer porque nunca comprometemos o nosso standard de qualidade e por isso somos extraordinariamente exigentes em tudo o que fazemos.
Que medidas de sustentabilidade integraram neste projeto e serão parte do padrão Kodawari?
A preocupação do projecto Kodawari, desde a sua génese, tem sido em providenciar uma experiência e uma proposta de valor que seja única. Tendo dito isto, nunca o poderíamos fazer sem que este projeto fosse sustentável, respeitasse o ambiente e fizesse parte de um ecossistema que promova estes valores.
Nesse sentido, a escolha dos nossos parceiros, fulcrais no nosso posicionamento e proposta de valor, teve em conta, não só os seus critérios de máxima qualidade e diferenciação, mas também as suas metodologias e visão no tema da sustentabilidade.
O exemplo de dois dos nossos parceiros como a Hästens e a Blanky é uma evidência clara da nossa preocupação.
Como sabem, as nossas suítes são equipadas com camas Hästens, consideradas as melhores do mundo, que utilizam materiais naturais de altíssima qualidade. Os resguardos, feitos de Lyocell, não só garantem um sono superior devido à sua respirabilidade e controlo de temperatura corporal, mas também são 100%
biodegradáveis e compostáveis. O processo de produção do Lyocell ocorre num ciclo fechado, sem gerar subprodutos perigosos, e utiliza madeira de eucalipto, uma planta que requer menos recursos para crescer, tornando esta fibra uma escolha ambientalmente responsável.
Do mesmo modo a Blanky, especializada nos cobertores pesados que utilizamos nas nossas suites, partilha da nossa visão de sustentabilidade. A Blanky utiliza materiais orgânicos certificados, opta por fibras naturais, como o bambu, em vez de algodão, e mantém um compromisso contínuo de optimizar os seus processos de fabrico de forma a reduzir a pegada ambiental. Além disso, a Blanky garante que as suas fábricas seguem padrões éticos e sustentáveis, contribuindo para um ciclo de produção mais ecológico.
Quem vender “apenas” dormidas, vende uma commodity e isso significa em regra vender por preço, e unidades independentes e indiferenciadas não conseguem competir em preço com as grandes cadeias internacionais.
Como avalia o panorama competitivo no segmento boutique premium em Portugal e que lacunas de mercado a Kodawari pretende ocupar?
O panorama competitivo é intenso, não só no segmento boutique premium, mas na hospitalidade em geral. A entrada de grandes cadeias, o número de camas a ser construído nos próximos anos em Lisboa e no Porto é brutal. Eu admito mesmo que, a prazo, poderão aparecer oportunidades de compras de unidades que, por não serem distintas ou terem uma proposta de valor que vá de encontro a necessidades específicas, comecem a ter dificuldades na operação. Quem vender “apenas” dormidas, vende uma commodity e isso significa em regra vender por preço, e unidades independentes e indiferenciadas não conseguem competir em preço com as grandes cadeias internacionais. Agora o facto é que a expressão boutique se usa atualmente de modo bastante… livre – um hotel pequeno não é necessariamente um boutique hotel. Nós oferecemos algo específico e valorizado cada vez mais pelas pessoas, o descanso profundo, o desligar quando estamos em lazer, o poder ir de férias e viajar e chegar a casa com mais energia e vigor do que quando se iniciou as férias.
Nós cobramos pelo que o hóspede realmente usa e valoriza e não pelo que precisamos para cobrir uma estrutura de custos fixos pesada e que a maior parte dos hóspedes não usa de facto, mas paga sempre. E com isto temos uma estrutura de custos muito clean, e uma resiliência a época baixa altíssima. A lacuna que pretendemos e vamos ocupar é “vender” luxo onde ele é apreciado e valorizado e o hóspede só pagar por isso mesmo, pelo que quer, porque é o que valoriza e o que efetivamente quer usufruir.
Por Inês Gromicho



















































