Metaverso: “Teremos a possibilidade de redefinir a forma de comercializar produtos num patamar completamente diferente”

Metaverso: “Teremos a possibilidade de redefinir a forma de comercializar produtos num patamar completamente diferente”

A Consolidador.com anunciou ontem a compra de um espaço no Metaverso num esforço para se preparar para a próxima década e preparar o futuro das viagens para as agências de viagens. Ambitur.pt quis perceber melhor esta nova realidade e desafiou Miguel Quintas, fundador e CEO do Consolidador.com, a responder a algumas questões sobre este novo investimento, o qual acredita ser “um espaço em que as agências de viagens do futuro terão uma palavra importante a dizer”.

O que significa este investimento no Metaverso, em termos concretos?

Um investimento desta natureza tem associado um conceito de futuro que ainda carece em grande medida da definição clara dos seus próprios standards. Neste sentido, a perspetiva de investimento mede-se em acreditar na sua evolução para uma sociedade em que queremos estar presentes e não numa perspetiva de retorno de investimento imediato. Mal comparado, seria como saber quais os retornos do plano das descobertas portuguesas, antes de lançar os navios ao mar.

O que engloba o Metaverso ao nível de aplicações empresariais hoje?

Implica uma aposta fortíssima em desenvolvimento tecnológico, de parcerias com empresas que detêm know-how especifico, de estar atento à evolução das tendências, de saber como se vai interagir com as pessoas nos próximos dois a cinco anos. As aplicações empresariais hoje ainda estão na sua fase de estruturação para empresas que queiram construir o seu próprio espaço, que é o caso do Consolidador.com.

Qual o potencial que apresenta e a que prazo?

O potencial são as novas formas de interagir num mundo virtual em que o nosso comportamento não é idêntico à realidade que conhecemos. Os desejos dos clientes são diferentes, a forma de interagir é diferente, os modelos comportamentais de clientes e fornecedores é aparentemente mais curto no tempo e intenso. Isto significa que teremos a possibilidade de redefinir a forma de comercializar produtos num patamar completamente diferente do conhecido atualmente.

Na prática, o que significa este projeto a prazo para as agências de viagens e clientes?

Vou dar um pequeno exemplo: Um cliente pode no prazo de uma hora assistir a um concerto na Praça de São Marcos em Veneza e entrar nesse espaço em dois segundos antes do mesmo começar. Comer um hot dog, comprar um “outfit” que deseje, conhecer pessoas de qualquer parte do mundo e decidir mudar de espaço virtual a meio do evento para velejar numa praia no Indico, ou mergulhar num qualquer oceano. E este é apenas um exemplo do mundo tal como o conhecemos. As pessoas podem viajar para qualquer parte, para fazerem o que lhes der mais prazer de fazer.

Será necessário uma equipa própria da empresa ou a contratação de serviços para um trabalho neste campo?

Nesta fase, será necessário uma ligação enorme com outras empresas que operam no mundo real e/ou no mundo virtual. Uma empresa de pequena dimensão não tem capacidade de contruir o seu espaço sozinha, até porque o mercado ainda é muito reduzido e dificilmente consegue “monetizar” o seu investimento.

Quando esperam retorno a este investimento?

Dentro de cinco a sete anos.

Porque o turismo poderá ser uma das atividades que poderá tirar mais do Metaverso?

Diria que será uma das principais atividades neste setor. Conhecer, descobrir, sentir, partilhar faz parte do ADN do ser humano desde que toma conhecimento da sua existência. O turismo tem em si próprio a essência de todas aquelas atividades. Será seguramente um espaço em que as agências de viagens do futuro terão uma palavra importante a dizer. Mas é preciso estar presente.

Consolidador.com abre espaço no Metaverso

Inês Gromicho