Congresso AHP: “A cidade de Lisboa tem uma necessidade essencial de preparar e articular produtos”

Congresso AHP: “A cidade de Lisboa tem uma necessidade essencial de preparar e articular produtos”

O pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa, foi o local escolhido pela Associação de Hotelaria de Portugal (AHP) para a 30.ª edição do Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo. Sob o tema “Turismo – Que Futuro Queremos?”, mais de 25 oradores convidados debatem as estratégias e objetivos para o setor.

O terceiro painel do Congresso centrou-se nas “Tensões, Conflitos e Oportunidades”. Reunindo diversos presidentes de câmaras municipais, debateu-se sobre a capacidade de carga ou a turistificação das áreas metropolitanas.

Painel 3

O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, focou-se na necessidade de aumentar os elementos de atração e retenção de turistas. Para o presidente da Área Metropolitana de Lisboa, a capital tem uma “necessidade essencial de preparar e articular os produtos”. O autarca defende que, apesar do esforço de “melhorarmos a nossa capacidade, e termos muito a fazer do ponto de vista das atrações e experiências, há limites”, referindo a importância dos turistas conhecerem outros destinos.

A ligação com os concelhos com os quais a capital faz fronteira foi também outra das questões abordadas. “É vital para a cidade de Lisboa que Almada e Cascais tenham sucesso”, considera Fernando Medina, acrescentando que a cidade tem de ter “capacidade, do ponto de vista dos operadores, de criar produtos complexos e mais estruturados”, até porque há “boas condições naturais de base” e uma “oferta cada vez mais qualificada”. O autarca refere que “temos de continuar neste trabalho de valorização de experiência e tornar os municípios mais atrativos.

Já para Carlos Carreiras, presidente da Câmara de Cascais, o “turismo é gerador de emprego e criou riqueza”. Cascais tem “uma taxa de desemprego abaixo da média nacional” e o “desemprego jovem é mais baixo do que no geral”. No entanto, o autarca destaca a importância de “haver um esforço” por parte dos agentes económicos do setor “para melhorar as próprias remunerações do trabalho que são baixas”, acrescentando ainda que “temos de continuar a garantir um conjunto de outros fatores que nos tornem atrativos e competitivos”.

O responsável sublinha que a “maior guerra” que existe com os “agentes económicos ligados à hotelaria e ao turismo em geral” está relacionada com outra componente: o “preço. Nós continuamos a ser um destino barato” quando comparado com outros. Para o presidente da Câmara de Cascais, a “equação quantidade vs. preço” exige o “aumento da qualidade de serviço quer a nível da indústria, quer das responsabilidade do Estado”, seja ele local ou central. É neste sentido que Carlos Carreiras que vê como o concelho “poderá continuar numa liderança internacional.Temos que ter a perspetiva que o nosso campeonato é global”, conclui.

Cristiana Macedo, no 30º Congresso da AHP, Lisboa