Mensagem ao setor:”Já podemos antecipar que o novo viajante exigirá uma experiência padrão, segura e de qualidade”

Mensagem ao setor:”Já podemos antecipar que o novo viajante exigirá uma experiência padrão, segura e de qualidade”

Categoria Advisor, Opinião

A Ambitur.pt está a pedir aos profissionais do setor do turismo que partilhem connosco uma mensagem ao setor dada a atual situação provocada pela Covid-19. Esta é a mensagem de Rebeca Avila, vice-presidente da Comunicação e Responsabilidade Social Corporativa da Europa do Sul do Grupo ACCOR.

“Estamos a atravessar tempos difíceis. Nunca nos tinha acontecido viver uma situação semelhante. Uma pandemia, chamada Covid-19, fez tremer, numa questão de dias, o sistema de saúde, as instituições, as relações internacionais, a economia e a nossa forma de viver como sociedade.

Uma vulnerabilidade transversal e global que pôs em risco o nosso sistema de vida, de uma forma que nunca o podíamos ter imaginado. Numa questão de dias, assistimos a como o ser humano tem uma enorme capacidade de adaptação e é capaz de dar o melhor de si. Pessoas a título individual, empresas e várias entidades, especialmente no setor hoteleiro, demonstraram que com responsabilidade, generosidade e solidariedade, é possível combater este vírus. Os hotéis cederam os seus quartos e espaços às autoridades para uso hospitalar e acolheram profissionais de saúde e pessoas vulneráveis, como os sem-abrigo ou pessoas em risco de violência doméstica; empresas do setor da restauração ocuparam-se da alimentação daqueles que estão na primeira linha da batalha; as famílias adaptaram-se rapidamente e ajustaram-se, no melhor dos casos, ao teletrabalho, em simultâneo com as responsabilidades domésticas e parentais; as instituições de ensino continuam a sua atividade docente de forma online, com um esforço impagável por parte dos professores e alunos.

O coronavírus está a transformar a vida quotidiana das pessoas e das empresas, os hábitos, a forma de consumir e a forma de viajar. O principal desafio que enfrentamos é recuperar a confiança dos viajantes. Uma recuperação que passa, em primeira instância, por cumprir com as normativas de saúde e segurança, garantindo elevados padrões de qualidade. A partir de agora, as empresas turísticas terão de se habituar a um cliente mais exigente, mais responsável com a sua envolvente e muito mais próximo do mundo digital. No caso concreto do setor hoteleiro já podemos antecipar que o novo viajante exigirá uma experiência padrão, segura e de qualidade.

Teremos de nos habituar que o cliente exija, em qualquer estabelecimento a que se dirija, informação clara sobre todos os padrões de desinfeção, limpeza e higiene. Solicitará, em muitos casos, especialmente o cliente corporativo, um selo, uma certificação.

Neste sentido, no Grupo Accor, há vários meses que trabalhamos no regresso da atividade e na reabertura de hotéis com o foco no que é realmente importante:

👉 a saúde e segurança com o selo ALLSAFE: o Grupo Accor desenvolveu, com a ajuda do Bureau Veritas, líder mundial em inspeção, verificação e certificação, o selo ALLSAFE. Uma iniciativa através da qual os seus hotéis aplicarão novos protocolos de higiene e segurança, auditados por profissionais externos. Este selo incluirá tanto o alojamento, como a restauração e estabelece as normativas sanitárias aplicáveis a todos os hotéis do grupo. Além disso, recentemente anunciámos uma parceria estratégica inovadora para fornecer assistência médica aos clientes dos 5000 hotéis Accor em todo o mundo, com efeitos a partir de 1 de julho de 2020. Isto permitirá aos clientes alojados nos hotéis do Grupo Accor beneficiar do mais alto nível de assistência mediante o acesso gratuito a teleconsultas médicas e a amplas redes médicas da AXA, com dezenas de milhares de profissionais médicos.

👉 a sustentabilidade, responsabilidade e solidariedade: manter os compromissos do nosso programa da RSC. A RSC será estratégica ao nível da sociedade. Numa crise como esta, com um inimigo desconhecido e consequências tão incertas, a solidariedade demonstrada pelas empresas e a capacidade de colocar os seus recursos ao serviço da sociedade será mais valorizada que nunca. A tarefa da empresa como agente transformador está no centro do debate a nível mundial e também afeta as empresas do setor turístico. A sociedade está a evoluir a passos largos em termos de valores e propriedades e apenas as empresas que saibam adaptar-se a estas novas exigências terão a capacidade de sobreviver a longo prazo.

👉 a flexibilidade nas políticas de cancelamento de reservas. É importante proporcionar aos clientes uma maior flexibilidade no momento das reservas, com taxas ao melhor preço que permitam modificá-la ou cancelá-la.

👉 Oferecendo o que convida a viajar, o “calor” – o espírito heartist – que carateriza as equipas dos hotéis Accor e a componente experiencial. Depois de um longo período de confinamento voltaremos a querer viajar, mas fazê-lo naturalmente e com a máxima segurança, colocando o foco nas pessoas e nas experiências.

Sempre acreditei, talvez pela minha natureza otimista, que toda a crise, como ponto de inflexão, traz consigo numerosas oportunidades. Oportunidades de reflexão, de melhoria e avanço. Humildade, Resiliência e Confiança podem ser os principais ingredientes do prisma a trabalhar este novo paradigma, que cada setor terá de analisar. O setor turístico é um dos que está a ser especialmente afetado, como tantos outros, por esta crise sem precedentes. Restrições na liberdade de cada movimento, cancelamento de voos, encerramento dos hotéis e restaurantes…e, no entanto, como referia mais acima, é um dos setores que tem “oferecido o seu ombro”, contribuindo com o seu grão de areia na luta contra a Covid-19.

Se algo caracteriza o setor é a sua capacidade de resiliência, a sua solidariedade. Evidentemente sairemos da crise de uma maneira diferente da que entrámos e o setor terá de adaptar-se e introduzir mudanças nas quais, paradoxalmente, já tinha começado a trabalhar, como a transformação digital das empresas, provocada pela mudança cultural existente. Por último, também creio que é importante que todos os atores do setor ativem a coresponsabilidade, através de alianças e sinergias. Em contextos complexos como os que vivemos e viveremos será necessário, mais do que nunca, ativar uma inteligência partilhada na qual os diferentes setores, público, privado e social, assim como os profissionais, trabalharão de maneira coordenada, mostrando a nossa criatividade e imaginação e procurando alternativas que consigam ativar o setor e dar uma resposta urgente ao grande objetivo que temos pela frente. Com humildade, resiliência e confiança.”