“Fazer uma gestão produtiva da minha agenda é o meu trabalho”

“Fazer uma gestão produtiva da minha agenda é o meu trabalho”

Paulo MendesHá nove anos na Airmet, e há seis como diretor-geral do grupo, Paulo Mendes assume-se como alguém que gosta de desafios, explicando assim o seu rápido crescimento a nível profissional, apesar da tenra idade. Focado em liderar uma equipa também ela jovem, o profissional recebeu-nos para mais uma Grande Entrevista da Ambitur e explicou o que é hoje a Airmet e para onde vai caminhar no futuro, realçando a internacionalização como o grande desafio.
Paulo Mendes altoComo surge no setor do turismo?
A minha formação base é em turismo. Fiz a minha licenciatura, na ESHTE – Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, onde entrei em 2000 e saí em 2005. Fiz o curso de Direção e Gestão de Operadores Turísticos (hoje Direção e Gestão de Empresas Turísticas). Uma das coisas boas que a ESHTE tem é a obrigatoriedade de estágios em todos os anos. Tive a oportunidade por esta via de conhecer diversas realidades. No incoming, tive a oportunidade de trabalhar nos EUA, na empresa King Holidays, que faz parte do grupo Top Atlântico.
Estive na Direção Geral do Turismo e também fiz outgoing na antiga Americatur. No final da minha licenciatura comecei logo à procura de oportunidades de emprego e apareceu um convite da Omnisiberia, que estava à procura de comerciais para novos projetos. Entrei em janeiro de 2006 e estive um ano na empresa. Na altura, o Miguel Quintas fez-me uma proposta de abraçar um novo projeto que tinha lançado em junho de 2006 para fazer a parte comercial da Airmet, para onde entro em 2007. A partir daí fiz o meu percurso nesta casa. Comecei como consultor comercial, basicamente fazia toda a parte de prospeção e angariação de clientes e agências de viagens. Depois, em 2008, fui convidado para diretor comercial, também para fazer toda a parte da contratação de fornecedores para as nossas agências. Na altura em que o Miguel Quintas decide vender a Airmet, sou convidado para diretor-geral, em 2010.
Foi uma ascensão bastante rápida, as oportunidades apareceram no momento certo. Sou uma pessoa que gosta de desafios e decidi aproveitá-los. Posso dizer que em 2010, ao ser convidado para diretor-geral, tinha algumas reticências, face à experiência que outras pessoas tinham no mercado, mas decidi abraçar o desafio, ir em frente e aproveitar. Felizmente as coisas correram bem. A experiência vale como um todo, mas é a pessoa que faz a diferença nas organizações, no passado, presente e futuro.
Na Airmet temos uma equipa excecional, de sete pessoas, jovem mas já com muita experiência e dedicação. É isso que faz a diferença da Airmet no mercado. Ter uma equipa eficiente, capaz, que está sempre à altura para responder aos desafios.

Qual a sua marca pessoal na Airmet?
Na Airmet há uma equipa que se complementa. Uma regra de ouro é que internamente não existem cargos, estamos dispostos a fazer o trabalho dos outros quando é necessário. Não é por acaso que também atendo telefones, quando é preciso. Isto faz toda a diferença.

Paulo MendesMas é o líder desta equipa…
Tenho a responsabilidade de liderar o projeto. É óbvio que tenho as minhas ideias, mas as deles também são válidas. É um brainstorming constante, feito internamente, que faz com que pensemos sempre no futuro da empresa, mas ao mesmo tempo nos permite lançar novos projetos. A comunicação interna é muito boa e facilita imenso o meu trabalho.
O meu “cunho pessoal”, se existe, pode passar pelos conhecimentos, maneira de estar, pela boa relação que tenho com os players no mercado. Não sou uma pessoa que me feche, mas sim que se dá bem com todos. Damos sempre oportunidade a todos de poderem trabalhar connosco. Não fechamos as portas a ninguém.

Como é o seu dia-a-dia na empresa?
É muito variado. Desde o trabalho diário de escritório, que ocupa 70% do meu tempo, onde também tenho a maioria das reuniões, com a minha equipa também. Quando é necessário também vou visitar os nossos clientes. Dedico-me desde a agência mais pequena à maior. Faço questão de visitar os nossos clientes, os nossos fornecedores e não obrigá-los a vir sempre cá, de forma a haver uma interação. Fazer uma gestão produtiva da minha agenda é basicamente o meu trabalho.

É viciado no trabalho?
Desde que o meu filho nasceu (tem dois anos e meio) sou mais contido no trabalho. Tomei a decisão que também teria que dar mais algum tempo à minha família. No entanto, sou algo viciado porque não largo o telemóvel. Quando necessário respondo na hora a emails e/ou telefonemas. Mas não sou viciado. Tenho a minha família, os meus amigos, uma vida social que quero manter e é meio caminho andado para ter uma vida saudável e permitir que sejamos produtivos no trabalho. É esse o conselho que dou. Desde pequeno, com o meu pai, quando trabalhava com ele no verão, aprendi uma coisa: há tempo para tudo, para trabalhar, para nós, para a família, temos é que saber gerir a nossa agenda. A partir do momento que apanhamos esse segredo de saber gerir o nosso tempo, conseguimos ser bons em tudo o que estamos a fazer. É verdade que temos de ter motivação para isso. Por isso digo que não vale a pena só viver o trabalho, todas as outras componentes são importantes a nível pessoal. Senão éramos máquinas.

Paulo MendesO que o fascina no mundo do turismo?
O maior desafio do setor é a sua constante mudança. Este setor muda de dois em dois anos, seja do paradigma internacional, ao nível da legislação, da alteração dos destinos que estão na moda, há sempre novos desafios e variáveis que entram, para além de ser um setor bastante volátil. Hoje podemos estar no topo, amanhã em baixo. Cabe a nós, que estamos no setor, tentar que isso não aconteça. Devemos estar sempre na “mó de cima” com projetos. Se paramos e estancamos, mais tarde ou mais cedo seremos ultrapassados. Temos que nos lembrar que estamos num mercado muito pequeno e temos constante concorrência a nível internacional. Temos de estar atentos às oportunidades, desafios e ameaças do setor.
Este ano é um bom exemplo: todos estão a faturar mais, mas há muitas questões que devem ser colocadas: à custa de quê? Que variáveis é que entraram para que isso acontecesse? Estamos a aproveitar todo o potencial das oportunidades que estão a aparecer?
O setor das viagens é muito abrangente. Isso faz toda a diferença e é isso que me chamou a este setor. Quando optei por fazer uma licenciatura nesta área o que me chamou a atenção foi essa capacidade/ oportunidade que o setor dá às pessoas que cá trabalham.

Então não tinha nenhuma ligação com o setor?
Não. Caí de paraquedas. A área que me apaixonava e ainda hoje é a aviação, na vertente mais técnica, de engenharia, que era a minha primeira opção. Quando entrei na Faculdade, na Venezuela, entrei para manutenção aeronáutica, este era o meu objetivo. Quando vim para Portugal essa oportunidade caiu pela questão burocrática e de equivalência entre os dois países. Ou seja, teria que começar praticamente do zero e recuar ao 12º ano, para poder ter equivalências para um curso deste tipo. Isso fez-me pensar duas vezes e decidi seguir para a Faculdade diretamente, com a licenciatura de gestão turística, que me poderia dar acesso a trabalhar numa companhia aérea mais tarde. Mantive-me no setor que gosto, mas noutra vertente que me fascina bastante.

Paulo Mendes altoPessoalmente gosta de viajar?
Sim. Mas as viagens tornam-se mais cansativas quando se é pai. O facto de estar longe do meu filho, nesta altura, faz-me confusão. Em termos pessoais, sempre que eu e a minha mulher temos oportunidade, viajamos. As oportunidades são poucas devido ao trabalho. Este é um setor que obriga a viajar muito profissionalmente e torna-se cansativo estar sempre em viagens. Muitas vezes prefiro dar escapadas de carro (por exemplo, ao Algarve). Andar de avião hoje é muito cansativo, devido aos embarques e desembarques. As viagens tornaram-se necessárias, mas também muito cansativas. São os próprios clientes que o dizem hoje em dia, que a viagem é uma parte chata, e no destino é tudo bom. O controlo nos aeroportos está a tornar-se saturante.

Ao longo do seu percurso que momentos diria terem sido mais desafiantes?
Diria que o maior desafio que tive até hoje foi quando passei a ter as funções de diretor comercial da Airmet. Era tudo novo. O meu conhecimento estava na parte da angariação de clientes, assim como no relacionamento com os clientes. A partir do momento em assumi a Direção Comercial o trabalho passou a estar concentrado no escritório. De um momento para o outro inverte-se tudo. A nível pessoal isto obrigou-me a adaptar-me a uma nova filosofia. A mudança de diretor comercial para diretor geral já foi uma evolução natural.

 

Esta é a 2ª parte da Grande Entrevista de Paulo Mendes que foi publicada na Edição 293 da Ambitur. Leia aqui a 1ª parte

Inês Gromicho e Pedro Chenrim