INE: dormidas e proveitos desaceleram em agosto

INE: dormidas e proveitos desaceleram em agosto

A hotelaria registou 2,3 milhões de hóspedes e 7,5 milhões de dormidas em agosto de 2016, resultados que se traduziram em aumentos homólogos de 3,4% e 3,7%, inferiores aos de julho (+10,8% e +7,7%). O mercado interno decresceu 3,3%, interrompendo a tendência crescente (+3,0% em julho), enquanto os mercados externos evidenciaram abrandamento (+7,7% face a +9,8% em julho), indicam os dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

A estada média aumentou (+0,4%; 3,21 noites), tal como a taxa de ocupação-cama (73,5%; +0,1 p.p.). O crescimento dos proveitos (+11,9% nos proveitos totais e +13,4% nos de aposento) foi também inferior ao verificado em julho (+18,3% e +19,0%, respetivamente).

Desaceleração dos hóspedes e dormidas
Em agosto de 2016, os estabelecimentos hoteleiros registaram 2,3 milhões de hóspedes (+3,4%) e 7,5 milhões de dormidas (+3,7%), correspondendo a uma desaceleração face ao mês anterior (+10,8% e +7,7%, respetivamente). Nos oito primeiros meses do ano os hóspedes aumentaram 9,4% e as dormidas 8,9%.

Nos aldeamentos turísticos as dormidas aumentaram expressivamente (+8,5%), sendo também de salientar os acréscimos nos hotéis-apartamentos (+6,2%) e nos hotéis (+5,6%). Os hotéis concentraram 63,9% das dormidas e os hotéis-apartamentos 14,9%. Os apartamentos turísticos mantiveram a evolução negativa que se verifica desde junho (-7,9% em agosto).

Dormidas de não residentes aumentaram
O mercado interno (2,5 milhões de dormidas) teve uma redução de 3,3%, após dois meses com aumentos (+3,0% em julho e +8,5% em junho), antecedidos por uma diminuição de 1,3% em maio.

Os mercados externos (5,0 milhões de dormidas; +7,7%) desaceleraram ligeiramente face aos dois últimos meses (+9,8% tanto em julho como em junho).

No período de janeiro a agosto as dormidas de residentes aumentaram 4,3% e as de não residentes 10,9%. Nos primeiros oito meses do ano, as dormidas em agosto representaram 23,5% do total acumulado (-1,9 p.p.) no caso dos residentes, tendo correspondido a 18,9% do total até agosto (-0,6 p.p.) no que respeita aos não residentes.

Principais mercados com evolução positiva
A evolução dos 13 principais mercados emissores foi globalmente positiva, tendo-lhes correspondido uma quota de 88,8%, igual à de agosto de 2015. O Reino Unido (22,7% das dormidas de não residentes) apresentou um acréscimo de 8,2%, superior ao de julho (+6,8%) e junho (+7,8%), contudo aquém do acumulado de janeiro a agosto (+11,3%). O mercado espanhol desacelerou fortemente (+1,4% face a +11,5% em julho), reduzindo a sua representatividade de 18,2% em agosto de 2015 para 17,1% em agosto de 2016. Nos oito primeiros meses do ano as dormidas deste mercado aumentaram 10,0%.

A Alemanha, com uma quota de 10,2%, registou um acréscimo de 3,9%, bastante aquém do mês anterior (+13,1%) e do acumulado de janeiro a agosto (+9,6%). Também a França (+3,6%) desacelerou face aos últimos meses (+18,2% em julho e +24,8% em junho), com uma evolução substancialmente inferior à do período acumulado de janeiro a agosto (+14,9%). O seu peso relativo foi 12,6% (-0,5 p.p.). Pelo contrário, o mercado holandês apresentou um expressivo acréscimo em aceleração (+22,5% face a +1,1% em julho e +17,2% em junho), representando 6,2% do total. Este aumento superou também o dos oito primeiros meses do ano (+13,3%).

São de realçar ainda as evoluções dos mercados suíço (+23,0%) e norte-americano (+21,4%), assim como a notável recuperação do mercado brasileiro (+19,4% face a -0,5% em julho). O mercado sueco (+18,2%) registou o crescimento mais acentuado desde 2015.

Açores com aumento expressivo das dormidas
As dormidas aumentaram em todas as regiões, com maior intensidade na R. A. Açores (+10,1%), Centro (+7,5%) e Norte (+6,6%). O Algarve foi a região com menor crescimento de dormidas (+0,7%); apesar de continuar a deter a maior quota, 39,8%, esta teve uma redução de 1,2 p.p. face a igual mês de 2015. Em termos de representatividade seguiram-se Lisboa (20,5%, +0,3 p.p.) e Norte (12,0%, +0,3 p.p.).

As Regiões Autónomas apresentaram aumentos significativos das dormidas do mercado interno (+11,0% nos Açores e +7,4% na Madeira), sendo também de referir o Centro (+6,3%). Em termos de dormidas de residentes, o Norte pouco oscilou (+0,5%) e as restantes regiões registaram decréscimos, acentuadamente no Algarve (-10,6%) mas também em Lisboa (-3,1%).
O Algarve foi a região com maior procura por parte dos residentes (39,2% do total, face a 42,4% em agosto de 2015), secundado pelo Centro (17,6%, +1,6 p.p.), Norte (15,0%, + 0,6 p.p.) e Lisboa (13,2%, sem variação de peso relativo na escolha dos residentes).

As dormidas de não residentes aumentaram em todas as regiões, nomeadamente no Alentejo (+16,6%) e Norte (+11,6%). O Algarve (+7,5%) contou com o contributo positivo dos seus principais mercados emissores, nomeadamente o britânico (+6,8%), o holandês (+13,6%) e o francês (+10,1%).

As principais regiões de destino de hóspedes vindos do estrangeiro foram o Algarve (40,1% da dormidas, -0,1 p.p.),
Lisboa (24,3%, sem variação), R. A. Madeira (13,9%, -0,5 p.p.) e Norte (10,5%, +0,4 p.p.).

Recuperação da estada média
A estada média aumentou ligeiramente (+0,4%; 3,21 noites), ao contrário dos decréscimos dos últimos dois meses (-2,8% em julho e -0,7% em junho). No período de janeiro a agosto a evolução foi negativa (-0,4%; 2,86 noites). Tal como no mês anterior, os valores mais elevados deste indicador ocorreram na Madeira (5,62 noites), Algarve (5,07) e Açores (3,27). A evolução nas regiões foi maioritariamente positiva, com realce para o Alentejo (+6,9%) e Açores (+2,1%). A Madeira foi a única região com redução da estada média (-0,8%).

Ligeiro aumento da taxa de ocupação
Os resultados da taxa líquida de ocupação-cama (+0,1 p.p. que no mesmo mês do ano anterior; 73,5%) ficaram aquém do mês precedente (+2,0 p.p.; 64,9%) e também do período acumulado de janeiro a agosto (+2,2 p.p.; 50,3%).

Como é habitual, as regiões com maior taxa de ocupação foram a Madeira (85,4%), Algarve (81,2%) e Lisboa (75,0%). No entanto, Algarve e Lisboa apresentaram evolução negativa (-0,9 p.p. e -0,7 p.p., respetivamente), enquanto a Madeira apresentou o maior aumento (+3,1 p.p.). É de referir também os incrementos dos Açores (+2,2 p.p.) e Norte (+2,1 p.p.).

Abrandamento dos proveitos mas com acréscimos assinaláveis
Os proveitos totais fixaram-se em 442,8 milhões de euros e os de aposento em 343,5 milhões de euros, correspondendo a acréscimos de 11,9% e 13,4%, respetivamente. Estes resultados ficaram aquém dos de julho (+18,3% e +19,0%) e também do período acumulado de janeiro a agosto (+15,9% e +17,0%). Mantem-se a tendência de evolução dos proveitos em termos superiores aos hóspedes e dormidas.

Os proveitos aumentaram significativamente em todas as regiões, mas com desaceleração generalizada, tal como
ocorrido com as dormidas. A R.A. Açores apresentou acréscimos assinaláveis (+19,5% nos proveitos totais e +17,7% nos proveitos de aposento), tal como o Norte (+17,4% e +18,5%). O Algarve foi a região com maior desaceleração nos proveitos totais face ao mês anterior (-8,0 p.p.), não obstante o nível de aumento significativo em termos homólogos (+10,7%). Relativamente a proveitos de aposento, o Alentejo registou abrandamento notório face ao mês precedente (-10,2 p.p.) atingindo ainda assim um aumento de 11,0% em agosto, face a igual mês de 2015. Nos oito primeiros meses do ano este indicador situou-se em 44,2 euros (+12,6%).

As regiões com maior RevPAR foram o Algarve (112,5 €), Lisboa (79,7 €) e Madeira (65,3 €). A evolução foi globalmente positiva, destacando-se o Norte (+15,8%), Açores (+10,8%), Madeira (+10,7%) e Algarve (+10,3%).

Os hotéis-apartamentos de cinco estrelas registaram o valor mais elevado de RevPAR (145,9 €), seguidos pelos hotéis
de cinco (143,9 €) e as pousadas (107,4 €). Todas as tipologias e categorias apresentaram incrementos, sobressaindo
os hotéis-apartamentos (+14,8%) nomeadamente as unidades de quatro estrelas (+16,3%). É de realçar também as
evoluções observadas nas pousadas (+10,9%) e nos apartamentos turísticos (+10,4%).