Abrir um hotel: querer muito só não basta!

O sonho de ter um hotel é o que começa por mover a maioria dos empresários. No entanto, na hora de avançar para um projeto o querer só não basta. É preciso ter capital que, na opinião de Rodrigo Machaz, diretor-geral da Memmo Hotels, deve ser pelo menos metade do investimento total, um exigente plano de negócios e um posicionamento ímpar face às unidades já existentes no mercado. No seminário “Capitalização e Financiamento para a Hotelaria”, promovido pela Associação da Hotelaria de Portugal, em Lisboa, Josefa Ribeiro, promotora do Hotel Riverside Alfama, Rodrigo Machaz e Miguel Câncio Martins, debateram alguns dos pontos mais importantes que devem ser levados em conta desde a estratégia até à estruturação do projeto.

Aos presentes, Josefa Ribeiro e Rodrigo Machaz deram conta de duas faces desta moeda. Josefa é a proprietária do Hotel Riverside Alfama, a tão falada unidade hoteleira vizinha da Casa dos Bicos, em Lisboa e que consta da lista de aberturas dos hotéis há já vários anos, mas que apenas este mês vê as suas portas abrir. A juntar aos sete burocráticos anos que o projeto do hotel demorou para ser aprovado, juntaram-se, de acordo com Josefa Ribeiro, um número sem fim de dificuldades que fizeram com que “só no preço de construção da unidade” se some já um investimento de mais de 20% do que o inicialmente previsto. Segundo a responsável, e apesar dos entraves, a opção de avançar com a unidade nunca esteve em causa, no entanto, se começasse hoje esta jornada “escolheria, para estar ao seu lado, as pessoas certas” e apostaria numa melhor estruturação do projeto. O Hotel Riverside Alfama integra assim o grande grupo (80%) dos projetos que, segundo José Manuel Inácio, do gabinete de apoio da AHP, não cumprem o plano de investimento inicial.

Apesar de se ter deparado também com alguns entraves, a experiência de Rodrigo Machaz é bastante mais positiva. “Quando fomos para Alfama já tínhamos um doutoramento em dificuldades em Sagres”, começou por afirmar o responsável, acrescentando que o mais importante no projeto é a definição do posicionamento, da marca e do conceito do hotel. “Acho que fomos dos primeiros a pensar realmente na definição da marca”, constatou o hoteleiro, acrescentando que, mais recentemente, na decisão de avançar com uma terceira unidade, que vai abrir portas em agosto no Príncipe Real, pesou o facto de “em Lisboa, a concorrência dos boutique hotel de quatro estrelas ser grande, mas de, nos cinco estrelas, haver ainda espaço”.Nove anos depois de ter aberto portas a primeira unidade do grupo Memmo, em Sagres, Rodrigo Machaz não tem dúvidas que a chave para o sucesso passa pela conciliação de alguns elementos imprescindíveis: a localização, um serviço e um imóvel impecáveis e um marketing pró-ativo. “Temos de garantir que o nosso produto não é repetível ao lado. Hoje olho para o Memmo Baleeira e penso: «podem fazer um hotel aqui ao lado, mas igual a este não fazem»”, explica.

Também presente no debate esteve Miguel Câncio Martins, um arquiteto que, em parceria com investidores estrangeiros, está já a preparar a sua estreia na hotelaria nacional.