INE: Abrandamento no ritmo de crescimento da atividade de alojamento turístico

INE: Abrandamento no ritmo de crescimento da atividade de alojamento turístico

O INE divulgou hoje os dados relativos à atividade turística ao longo do mês de julho de 2019. O setor do alojamento turístico registou 2,8 milhões de hóspedes e 8,2 milhões de dormidas em julho, correspondendo a variações de +5,4% e +2,2%, respetivamente (+10,0% e +6,1% em junho, pela mesma ordem). As dormidas de residentes cresceram 2,7% (+12,0% em junho) e as de não residentes aumentaram 2,0% (+3,7% no mês anterior). Brasil e Espanha contribuíram com cerca de 90% para o acréscimo no número de dormidas de não residentes.

Em julho de 2019, a estada média (2,89 noites) reduziu-se 3,0% (-1,9% nos residentes e -3,6% nos não residentes). A taxa líquida de ocupação (60,0%) recuou 1,7 p.p. (+0,3 p.p. em junho). Os proveitos totais aumentaram 6,2% (+11,8% em junho), atingindo 537,8 milhões de euros. Os proveitos de aposento (417,6 milhões de euros) cresceram 5,1% (+12,7% no mês precedente).

O rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) situou-se em 70,9 euros (+0,7%, +6,9% no mês anterior) e o rendimento médio por quarto ocupado (ADR) também desacelerou, correspondendo a 107,6 euros (+1,2%, +6,2% no mês anterior).

Hóspedes e dormidas com abrandamento

Em julho de 2019, o setor do alojamento turístico registou 2,8 milhões de hóspedes, que proporcionaram 8,2 milhões de dormidas, refletindo-se em variações de +5,4% e +2,2%, respetivamente (+10,0% e +6,1% em junho, pela mesma ordem). As dormidas na hotelaria (82,2% do total) registaram um ligeiro aumento de 0,8% em julho. As dormidas nos estabelecimentos de alojamento local (peso de 14,5% no total) cresceram 11,4% e as de turismo no espaço rural e de habitação (quota de 3,2%) aumentaram 2,0%.

Mercados interno e externos com evoluções semelhantes

Em julho, o mercado interno contribuiu com 2,5 milhões de dormidas, o que se traduziu num aumento de 2,7% (+12,0% em junho). As dormidas dos mercados externos (peso de 69,4% em julho) cresceram 2,0% (+3,7% em junho) e atingiram 5,7 milhões. Nos primeiros sete meses do ano, as dormidas aumentaram 4,2%, com contributos positivos quer dos residentes (+7,6%), quer dos não residentes (+2,9%).

Mercados brasileiro e chinês destacaram-se com os maiores crescimentos em julho

Os dezasseis principais mercados emissores representaram 87,2% das dormidas de não residentes nos estabelecimentos de alojamento turístico em julho. O mercado britânico (19,3% do total das dormidas de não residentes em julho) registou um ligeiro aumento em julho (+0,7%). Desde o início do ano, este mercado aumentou 1,5%. As dormidas de hóspedes espanhóis (12,1% do total) cresceram 7,6% em julho e 8,4% desde janeiro.

O mercado alemão (10,0% do total), com diminuições desde fevereiro, apresentou uma redução de 3,8% em julho, tendo recuado 6,2% desde o início do ano. As dormidas de hóspedes franceses (8,4% do total) recuaram ligeiramente em julho (-0,6%). No conjunto dos primeiros sete meses do ano, este mercado diminuiu 2,6%.

Os mercados brasileiro e norte americano (quotas de 5,9% e 5,7%, respetivamente) aumentaram 18,3% e 10,3% em julho, pela mesma ordem, tendo registado aumentos de 13,0% e 19,0% em termos acumulados no ano. São também de salientar os aumentos em julho nos mercados chinês (+15,6%) e irlandês (+11,7%). Desde o início do ano, destacou-se especialmente o mercado norte americano, já referido, bem como o chinês (+16,0%).

No mês de julho contabilizou-se um acréscimo de 111,6 mil dormidas de hóspedes provenientes de países estrangeiros, comparativamente com igual mês do ano anterior. Para este acréscimo, destacaram-se os contributos do Brasil (46,3%), Espanha (43,5%), Irlanda (27,6%) e EUA (26,8%).

Dormidas no Norte destacaram-se em julho

Em julho, registaram-se aumentos das dormidas em todas as regiões com exceção da RA Madeira (-4,1%). O Norte destacou-se com um crescimento de 11,8%, salientando-se também os acréscimos registados no Alentejo (+3,3%), AM Lisboa e RA Açores (+2,3% em ambas as regiões). O Algarve concentrou 36,8% das dormidas registadas no país neste mês, seguindo-se a AM Lisboa (quota de 22,6%).

Desde o início do ano, o realce vai para os acréscimos apresentados pelo Norte (+10,3%) e Alentejo (+9,5%). As dormidas de residentes apresentaram, em julho, aumentos em todas as regiões com exceção do Algarve (-0,8%). Os maiores aumentos registaram-se no Alentejo (+6,4%), Norte e RA Açores (+5,9% em ambas as regiões). Desde o início do ano, o realce vai para o Alentejo (+15,1%) e RA Açores (+11,5%).

Em julho, em termos de dormidas de não residentes, destacou-se o crescimento no Norte (+15,6%) e na AM Lisboa (+2,4%). No conjunto dos primeiros sete meses do ano, o realce vai também para o Norte (+12,1%) e AM Lisboa (+4,7%).

Lisboa concentrou 1/5 das dormidas em Portugal desde o início do ano

A Lisboa corresponderam 16,3% do total das dormidas em julho, quota que sobe para 20,2% no período de janeiro a julho. Neste período acumulado, as dormidas de não residentes representaram 83,7% do total de dormidas no município, tendo concentrado 23,9% do total das dormidas no país por parte de não residentes.

Albufeira apresentou pesos de 15,0% nas dormidas em julho e de 12,3% no conjunto dos primeiros sete meses do ano, verificando-se que, neste período, as dormidas de não residentes representaram 80,1% do total neste município e corresponderam a 13,9% do total nacional de dormidas de não residentes.

O Funchal representou 5,6% das dormidas totais em julho e 7,6% desde o início do ano, período em que 89,7% das dormidas foram de não residentes. No Porto registaram-se 5,6% das dormidas totais em julho e 6,4% do total desde o início do ano. Os não residentes representaram 82,1% das dormidas registadas no conjunto dos primeiros sete meses do ano.

De janeiro a julho, entre os municípios mais representativos no total nacional, Matosinhos sobressaiu com a maior quota de residentes (61,2%), seguindo-se Braga (53,0%). Neste período, os não residentes foram especialmente predominantes (92,8%) no município de Santa Cruz (RA Madeira).

Algarve registou 1/3 das dormidas na hotelaria nos primeiros sete meses do ano

Nos primeiros sete meses de 2019, as dormidas na hotelaria (83,3% do total) registaram um aumento de 2,5%, inferior aos demais segmentos: +15,2% no alojamento local (quota de 14,1%) e +7,5% no turismo no espaço rural e de habitação (que representou 2,5% do total). Os estabelecimentos designados como hostel registaram um aumento de 25,4% nas dormidas nos primeiros sete meses do ano, tendo representado 23,2% das dormidas em alojamento local e 3,3% das dormidas totais neste período.

Relativamente ao segmento da hotelaria, o Algarve representou 33,2% das dormidas desde o início do ano, secundado pela AM Lisboa, com uma quota de 25,5%. No segmento do alojamento local, desde o início do ano, a AM Lisboa concentrou 38,7% das dormidas, seguindo-se o Norte (quota de 21,2%). No que respeita ao turismo no espaço rural e de habitação, o Norte concentrou 29,6% das dormidas totais nos primeiros sete meses do ano, seguindo-se o Alentejo (24,3%) e o Centro (20,8%).

Ao nível do município, na hotelaria, Lisboa, Albufeira e Funchal destacaram-se com quotas de 19,0%, 14,4% e 8,4%, respetivamente, no período de janeiro a julho. No caso do alojamento local, Lisboa e Porto representaram 31,0% e 11,8% do total de dormidas, respetivamente.

Relativamente a dormidas em hostel, verifica-se que desde janeiro a AM Lisboa concentrou 51,3% do total no país, com destaque para o município de Lisboa (42,6% do total nacional), sendo ainda de referir o Norte (23,8%), e em particular o município do Porto (16,5% do total nacional).

Estada média reduziu-se

Em julho, a estada média nos estabelecimentos de alojamento turístico (2,89 noites) reduziu-se 3,0%. A estada média dos residentes decresceu 1,9% e a dos não residentes recuou 3,6%. Neste mês, este indicador registou aumentos apenas no Norte (+1,2%) e RA Açores (+1,0%). As maiores reduções verificaram-se no Algarve (-4,4%) e AM Lisboa (-3,0%). Na RA Madeira e no Algarve as estadas médias atingiram 5,24 noites e 4,54 noites, respetivamente.

Taxa de ocupação com diminuição

A taxa líquida de ocupação-cama nos estabelecimentos de alojamento turístico (60,0%) recuou 1,7 p.p. em julho (+0,3 p.p. em junho). As taxas de ocupação mais elevadas registaram-se no Algarve (71,6%) e na AM Lisboa (65,9%).

Proveitos em desaceleração

Em julho, os proveitos registados nos estabelecimentos de alojamento turístico atingiram 537,8 milhões de euros no total e 417,6 milhões de euros relativamente a aposento, desacelerando para crescimentos de 6,2% e 5,1%, respetivamente (+11,8% e +12,7% em junho, pela mesma ordem). Em termos de evolução dos proveitos nas várias regiões, em julho, sobressaiu notoriamente o Norte (+20,0% nos proveitos totais e +18,7% nos de aposento).

Em julho, a evolução dos proveitos foi positiva nos três segmentos de alojamento. Na hotelaria, os proveitos totais e de aposento (peso de 87,5% e 86,2% no total do alojamento turístico, respetivamente) aumentaram 4,3% e 3,3%, pela mesma ordem. Considerando as mesmas variáveis, os estabelecimentos de alojamento local (quotas de 9,6% e 10,7%) destacaram-se com aumentos de 27,4% e 22,7%, respetivamente, enquanto no turismo no espaço rural e de habitação (representatividade de 2,9% e 3,1%) se observaram subidas de 7,8% e 5,8%, pela mesma ordem.

No conjunto dos estabelecimentos de alojamento turístico, o rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) situou-se em 70,9 euros em julho, o que correspondeu a um ligeiro aumento de 0,7% (+6,9% em junho). No Algarve, este indicador ascendeu a 102,4 euros, seguindo-se a AM Lisboa (88,3 euros). Neste indicador, realça-se o crescimento no Norte (+9,9%).

A variação do RevPAR em julho situou-se em +1,4% na hotelaria, +6,4% no alojamento local e -2,8% no turismo no espaço rural e de habitação.

No conjunto dos estabelecimentos de alojamento turístico, o rendimento médio por quarto ocupado (ADR) atingiu 107,6 euros em julho, o que se traduziu num aumento de 1,2% (+6,2% em junho). No Algarve o ADR foi 136,2 euros (+4,4%), seguindo-se a AM Lisboa, onde atingiu 115,9 euros (-2,5%).

Parques de campismo e colónias de férias

Em julho de 2019, os parques de campismo receberam 346,8 mil campistas (-4,7%) que proporcionaram 1,2 milhões de dormidas (-6,5%). Para a redução das dormidas contribuíram quer o mercado interno (-4,5%), quer os mercados externos (-11,2%). As dormidas de residentes predominaram, representando 71,8% do total. A estada média (3,46 noites) recuou 1,9%.

As colónias de férias e pousadas da juventude registaram 40,9 mil hóspedes (-1,5%) e 105,5 mil dormidas (-4,9%). As dormidas de residentes (quota de 72,1%) registaram um decréscimo de 3,9% e as de não residentes recuaram 7,2%. A estada média (2,58 noites) decresceu 3,4%.