“Queremos ser a referência internacional no segmento dos hotéis boutique”

“Queremos ser a referência internacional no segmento dos hotéis boutique”

João Prista von Bonhorst é o novo diretor-geral do Bairro Alto Hotel desde junho de 2018. Entusiasmado por assumir este projeto, o profissional não hesita em afirmar que o desafio agora que o novo hotel está aqui é garantir que o serviço siga o investimento feito e manter a equipa motivada.

Como se caracteriza o novo Bairro Alto Hotel?
O hotel passou de 4.500 para 9.000 m2. Quase duplicou a área mas não o número de quartos, pois quis manter o espírito de hotel boutique. Vamos encontrar mais quartos e mais amplos, que respondem melhor à procura dos mercados nos quais estamos inseridos. Aumentámos o número de suites; no passado tínhamos 55 quartos, hoje temos 87, dos quais 22 são suites. Isso muda muito o business mix e o tipo de cliente, o tipo de serviço que temos de prestar ao cliente.

Houve também a questão muito importante de abrir ainda mais o hotel à cidade com novos conceitos de restauração, todos eles com a assinatura do Chef Nuno Mendes, o braço direito do Chef Bruno Rocha. Conceitos diferenciadores que vêm trazer algo mais à cidade. Temos no 6º piso o Rooftop que agora é a extensão dos quartos dos hóspedes para uma zona de estar exclusiva, com uma vista deslumbrante. O 5º piso é agora uma área de restauração onde está inserido o nosso BAHR, com bar, terraço amplo com a mesma vista que os nossos clientes estavam habituados mas com mais espaço, e o nosso restaurante de cozinha aberta. Todo este espaço tem um conceito muito diferente do resto do hotel, é completamente disruptivo. Partiu muito do manifesto boémio. É aqui que servimos pequeno-almoço, almoço e jantar. Temos ainda a mezzanine, um espaço muito intimista, com recantos e zonas mais sossegadas como a biblioteca que, provavelmente, é uma das zonas mais fotografadas pelos nossos hóspedes, e com uma carta de restauração diferenciada daquela que se encontra tanto no 6º como no 5º pisos, e com bar. Temos aqui a pretensão de abrir ainda mais à cidade e fazer alguns eventos culturais. Temos a pastelaria que se importa diretamente para o lobby, e não é por acaso. A nossa grande vontade é que as fornadas passem pela mezzanine e desçam à pastelaria, com os nossos bolos e receitas do Chef Nuno Mendes. Se continuarmos vamos ter ao espaço 18-68, também aberto para a rua, um cocktail bar localizado na Rua Barão Quintela. O seu nome é uma homenagem aos Bombeiros Voluntários que ali estiveram instalados durante muito tempo.

Além disso, temos quatro salas de reuniões; um auditório, duas salas de reunião comunicantes e uma board room, todas com pé direito alto e muita luz natural. E, a completar a oferta, o Wellness e Fitness Center. Somos o único hotel em Lisboa a trabalhar com a Susanne Kaufmann, uma marca austríaca muito prestigiada do ponto de vista de produtos cosméticos.

Para um boutique hotel, sentimos que estamos muito bem equipados para responder a todas as solicitações desta nova clientela que também agora fomos espicaçar com estas novas áreas.

Os hóspedes quando hoje entram no novo Bairro Alto Hotel encontram o mesmo espírito de sempre, não houve um corte com o passado…
Mesmo os quartos que foram inteiramente feitos de novo, todos eles “transpiram” o antigo Bairro Alto Hotel. A empresa que fez a decoração é a mesma. Continuamos a ter a mesma leitura.
Além disso, esta empresa sempre valorizou muito as pessoas. O hotel esteve fechado mas manteve nos seus quadros 38 funcionários. Muito raras são as empresas que investem tanto nas pessoas e esta manteve as pessoas para que, quando abrisse, o ADN do Bairro Alto Hotel estivesse lá. Assim, para além de encontrar o espírito, vai encontrar a pessoa, e isso não tem preço. E os clientes valorizam.

Qual tem sido o feedback dos clientes?
As pessoas ficam entusiasmadas, pois veem um upgrade do produto. É aquilo que nos caracteriza: sermos a referência e a excelência. Apreciam imenso os espaços e apreciam rever os nossos funcionários e estar em contacto com as pessoas que já os recebiam no passado. Há uma máxima que colocámos nos nossos diretórios: “Casa não é onde se vive, mas onde somos compreendidos”. E é muito isso que tentamos fazer com os nossos hóspedes, para que se sintam em casa.

Qual o principal desafio que tem pela frente neste momento?
O desafio mais difícil acaba por ser o de exceder as expectativas que nós próprios traçámos em termos de negócio e exceder as expectativas daqueles que nos visitam, conseguir impressionar. A administração fez o mais difícil: investir para termos o melhor hotel da cidade. E temos o melhor hotel da cidade. Mas falta-nos a segunda etapa, que é igualmente difícil. O desafio agora é que o serviço siga o investimento que foi feito e possamos continuar a ambicionar a ser a referência internacional no segmento em que estamos inseridos.

Marta Tavares da Silva e João Prista von Bonhorst

E como está esse processo?
É um crescimento contínuo. Claro que se investiu muito nas pessoas. A equipa aumentou exponencialmente, passando de cerca de 60 pessoas para quase 130. Agora temos de ser capazes de as manter motivadas e transmitir a nossa paixão por este negócio, a paixão por servir pessoas e servir com a opção pelo detalhe e pelo rigor numa experiência cinco estrelas, num boutique hotel onde não se quer perder a alma e o serviço próximo, mas não intrusivo.

Marta Tavares da Silva (MTS): Durante o fecho do hotel, aproveitámos esse período e investimos muito em formação da equipa. A nossa preocupação é que o serviço acompanhe o produto que idealizámos. Tivemos quase mil horas de formação nesse período.

Que metas pretende atingir o Bairro Alto Hotel a longo prazo?
Queremos ser a referência internacional no segmento dos hotéis boutique. Vamos ter sempre duas metas: a rentabilidade e posicionamento de mercado; e a reputação que temos junto dos clientes. Estas são as métricas que vamos utilizar para vermos se estamos a ir na direção certa e se estamos a chegar à meta que queremos.

Que cliente quer o novo Bairro Alto Hotel?
Nós somos um hotel mais de lazer do que corporate. Aquilo que prevemos que sejam os nossos segmentos mais corporate representam cerca de 10% do negócio. É um segmento que existe e que é necessário, pois estamos numa localização em Lisboa onde há falta dessa oferta e daí ter-se investido nas salas de reuniões, que já têm tido várias solicitações. Mas seremos sempre um hotel de lazer. Há também uma aposta clara na restauração. Houve aqui uma multiplicação das nossas expectativas em termos de receitas advindas desse setor mas também do número de clientes e da taxa de captação que vamos ter.

MTS: Acreditamos que a oferta é suficientemente diferenciadora para, por si só, atrair as pessoas de fora. O facto de serem produtos tão diferentes mas tão complementares, e tendo o peso de nomes associados como o Chef Nuno Mendes, um português reconhecido internacionalmente, todos esses fatores juntos vão atrair as pessoas de fora, que já tinham uma apetência muito grande para vir ao hotel.

Qual o toque pessoal que o João traz para este projeto?
Eu gostava de transmitir às equipas e aos clientes a paixão que está dentro de nós, nesta atividade. O rigor e a opção pelo detalhe, e pela personalização. É conseguir que este hotel, agora com uma dimensão e clientela diferentes, consiga manter um serviço que já o caracterizava no passado, e que possamos elevar o serviço e a atenção ao detalhe. Essa é a minha ambição. Na nota de boas-vindas que temos no diretório coloquei a sugestão de dar um passeio de bicicleta com os hóspedes pela cidade. É importante que haja essa proximidade hoje. A antiga fórmula de fazer gestão geral nos hotéis está a evoluir e a mudar. Esta proximidade é muito motivadora e é um ótimo estímulo também para as equipas fazerem mais.

Inês Gromicho e Pedro Chenrim/ Fotos Raquel Wise. (Grande Entrevista publicada na edição 324 da Ambitur)