Um Alentejo por descobrir para lá dos postais

Um Alentejo por descobrir para lá dos postais

Embora este passeio se vá manter dentro dos limites alentejanos, vamos alargar a sua experiência. Não lhe vamos aqui falar sobre os clichés dos postais que mostram o Alentejo tal como o sabemos, nem repetir o que já foi dito. Vamos antes sugerir-lhe que mude de rota. Este é o ponto de partida de um trabalho especial que a Ambitur dedica este mês ao Alentejo, dando-lhe a conhecer o que fazer e experimentar, onde dormir e o que saborear nesta região portuguesa.

Sousel, Estremoz, Borba, Vila Viçosa e Alandroal. São estes os municípios por onde passa a Rota Tons de Mármore, que permite não só descobrir parte da região alentejana, como também perceber o porquê de ser um lugar riquíssimo em todas as suas facetas – mesmo nas mais secretas. E, é no nome desta iniciativa, que reside uma das razões pela qual deve visitar o Alentejo: o mármore.

Dito de outro modo: além de enquadradas em paisagens deslumbrantes, onde o sossego é rei e até a comida é aromática, estas localidades têm todas no mármore um dos seus cartões-de-visita mais valiosos. E, claro está, possível de contemplar em vários pontos.

Foi precisamente por isso que, há quase quatro anos, a Entidade Regional de Turismo do Alentejo lançou os alicerces para dar um novo impulso a esta matéria-prima. A ideia de criar a Rota Tons de Mármore foi submetida a uma candidatura ao Quadro de Referência Estratégica Nacional e é hoje executada pela Spira. CEO da Spira, Catarina Valença Gonçalves, afirma que o principal objetivo da Rota Tons de Mármore é dar a conhecer o património cultural e industrial do Alentejo.

Sempre acompanhados por um intérprete do património, os circuitos incluem desde descidas a pedreiras subterrâneas à observação de todo o processo de extração, transformação, fabrico e aplicação do mármore. A visita estende-se ainda aos centros históricos das localidades, comércio local, museus e monumentos mais emblemáticos. Mas, o melhor, é-lhe servido à mesa de tascas e restaurantes típicos.

Apesar de recente, são cada vez mais os portugueses a seguir a máxima “vá para fora cá dentro”, sendo que o número de turistas nacionais representa 50% da procura. Quanto a mercados internacionais, a Alemanha destaca-se (20%), seguida da Holanda e Bélgica (10%), Finlândia e Estados Unidos da América (5%).

Mas, deixe-nos dar-lhe cinco bons motivos pelos quais deve visitar o Alentejo pelo menos uma vez na vida. O que vai ver exatamente depende do tempo que reservou para esta viagem. Há circuitos de apenas meio dia, que abarcam o concelho de Vila Viçosa, e que duram aproximadamente três horas, até excursões de um dia por Borba e Estremoz, Vila Viçosa e Estremoz ou Vila Viçosa e Borba. Quem tiver mais tempo pode optar pelas rotas de dois ou três dias, que já abarcam Vila Viçosa, Estremoz, Alandroal e Sousel. A Rota Tons de Mármore disponibiliza ainda rotas à sua medida se quiser desenhar um percurso diferente, decidir as suas prioridades, datas e locais de visita. Saiba que pode fazer estes circuitos de carro, de bicicleta ou em percursos pedestres.

Igreja do Convento

Sousel, a vila pacata
Na pacata vila de Sousel, situada entre Portalegre e Évora, a visita passa mais concretamente pela empresa de transformação de brita, a Pragosa, pelo “Forno de Cal”, em plena Serra de São Miguel, e pela Igreja do Convento de Santo António, ambos recuperados recentemente pela autarquia. Todos estes pontos, localizados num dos extremos do anticlinal de Estremoz, valorizam o circuito com uma paisagem menos industrializada quando comparada com as localidades parceiras da rota.

O que visitar em Sousel:
– Mercados: Sousel (1.º domingo de cada mês) Casa Branca (2.º domingo) e Cano (4.º domingo)
– Igreja de Nossa Senhora da Orada
– Museu dos Cristos
– Igreja da Misericórdia
– Certames (Festival do Caracol, em Casa Branca; Bênção do Gado, em Santo Amaro; Festival das Sopas com Pão, em Sousel; e o Festival das Tapas, em Cano.
– Torre de Camões

Castelo de Estremoz

Estremoz, a cidade branca
Diz-se que não deve existir na “cidade branca” do Alentejo, como é conhecida, uma única construção que não tenha marcas do mármore branco. Com um património industrial associado à extração de mármore, três pedreiras em atividade – Bentel, Geopedra e Magratex – e outras desativadas que merecem ser conhecidas, a Pedreira Municipal é um dos principais pontos de interesse turístico do cenário estremocense.
Mas há mais pontos dignos de visita, artigos para regatear no mercado e gastronomia típica para provar na Mercearia Gadanha, no São Rosas ou na Cadeia Quinhentista, antes da dormida no Monte Rosada.

O que visitar em Estremoz:
– Rossio Marquês de Pombal
– Capela da Rainha Santa
– Lojas de artesanato (que dão vida aos Bonecos de Estremoz)
– Mercado Tradicional (realiza-se todos os sábados de manhã)
– Teatro Bernardim Ribeiro
– Adegas

Vila Viçosa

Vila Viçosa, a Princesa do Alentejo
Conhecida como a Princesa do Alentejo, Vila Viçosa é também chamada de “vila-museu”, sendo a terra de uma das mais ilustres poetisas portuguesas, Florbela Espanca. É uma vila pequena mas cheia de história e onde não faltam atividades com que se entreter.
Conte com uma descida a uma pedreira subterrânea, mais concretamento às galerias da Lugramar, e uma visita à fábrica Marbrito, onde poderá observar todo o processo do mármore até à sua conclusão. Ao final do dia, termine a experiência com uma refeição repleta de produtos regionais na Taverna.

O que visitar em Vila Viçosa:
– Castelo Medieval
– Museu do Mármore
– Museu Agrícola e Etnográfico
– Solar da Padroeira de Portugal
– Museus da Caça e de Arqueologia
– Paço Ducal

Fonte das Bicas

Borba, a mais pequena cidade do Alentejo
É ainda recente a elevação de Borba a cidade – 12 de junho de 2009 – tornando-se assim a mais pequena cidade do Alentejo, lugar que até então era ocupado por Santiago do Cacém. Lugar de acontecimentos históricos notáveis, na cidade de Borba, distrito de Évora, a extracção e transformação de mármore é uma das principais atividades. Nesta localidade, o ponto alto do programa será, certamente, quando se sentar à mesa para provar um cozido de grão no Restaurante D. Vinho.

O que visitar em Borba:
– Fonte das Bicas
– Castelo de Borba
– Adega de Borba
– Igreja Paroquial de São Tiago de Rio de Moinhos
– Museu da Casa da Cultura da Orada
– Antiquários

Alandroal

Alandroal, fundado em 1298
Na pitoresca vila de Alandroal, fundada em 1298 por D. Lourenço Afonso, Mestre de Avis, irá visitar as principais aplicações do mármore, seguido de um ateliê de pesca nas águas do Guadiana. Mas o circuito não termina sem antes provar uma sopa de carne confecionada em terrinas de barro na Adega dos Ramalhos.

O que visitar no Alandroal:
– Castelo de Terena
– Barragem de Lucefecit
– Fortaleza de Juromenha
– Igreja da Nossa Senhora da Conceição
– Ermida de Nossa Senhora da Consolação
– Santuário do Endovélico

O que deve saber na Rota Tons de Mármore:
– Circuitos combinados de um a três dias
– Programas de três a oito horas
– Preços entre os 20 e os 37,50€ por pessoa (equipamentos de segurança incluídos)
– Todos os programas estão disponíveis em português, espanhol, francês e inglês
– Os participantes devem ter idade igual ou superior a 14 anos

Este artigo foi publicado na edição 300 da Ambitur.