Cascais: “Temos em pipeline muitos hotéis a ser construídos”

Cascais: “Temos em pipeline muitos hotéis a ser construídos”

Nem a pandemia afastou os investidores hoteleiros do concelho de Cascais. Isso mesmo garantiu Miguel Pinto Luz, vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais, no mais recente webinar organizado pela Câmara Municipal de Faro, desta vez dedicado ao tema “Novas tendências & Experiências”. O autarca explicou que, nos últimos 15 anos, o município apostou numa política de atração de marcas hoteleiras internacionais, que deu frutos. Sheraton, InterContinental, Ritz-Carlton são já realidades em Cascais, mas a verdade é que mais estão por vir. “Temos em pipeline muitos hotéis a ser construídos”, frisou Miguel Pinto Luz. E, se hoje, são 20 mil as camas (10 mil em hotelaria tradicional e as restantes em alojamento local) que caracterizam a oferta do concelho, em breve passarão a 30 mil. O Ritz-Carlton está a construir mais uma nova unidade e marcas como a Sofitel e a Hilton são “uma realidade em início de construção”, esclarece o orador.

Uma oferta que tem levado ao crescimento dos números do turismo neste concelho, conforme evidencia este responsável, e também permitiu subir os preços. “Portugal não tem que trabalhar com preços baixos”, justifica o vice-presidente do município de Cascais, onde, em 2019, se atingiu o RevPar mais alto do país. Ao todo, o concelho conta com cinco unidades de cinco estrelas e 11 hotéis de quatro estrelas, o que constitui 85% da oferta hoteleira do município, de quase 45 hotéis.

Miguel Pinto Luz admite que o período da pandemia foi complicado e que a Câmara Municipal tentou mitigar, mas não se puderam evitar descidas superiores a 75% nas dormidas, de mais de 72% nos hóspedes e superiores a 60% no RevPar. “São números que nos preocupam porque a sobrevivência destes atores é fundamental”, defende. Mas a realidade é que, mesmo durante a crise, foram muito poucos os investimentos que travaram neste concelho, o que significa que “quem investe acredita numa retoma muito rápida”.

E é também essa a opinião do autarca cascalense: “Vai ser um crescimento quase vertical”. Até porque “os nossos hotéis, neste último ano, sofreram obras, estão capacitados e prontos para a retoma”.

Outra estratégia do município são os eventos, até pelas dormidas que geral e pelos imóveis que vendem, explica Miguel Pinto Luz. “Só queremos atrair eventos de primeira linha”, indica, dando como exemplos a vela ou o golfe. Já no que diz respeito ao segmento das conferências e congressos, um mercado que também é importante para este concelho, o orador admite não saber o que esperar e acredita que possa prevalecer um modelo híbrido.

Nova campanha para mercados internacionais
O vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais reconhece, no entanto, que a situação é complicada a nível dos mercados emissores. “Tivemos um grande revés”, admite, e vai mais longe: “O problema da TAP só o vamos sentir nos próximos anos”. O orador recorda que a aposta da companhia aérea nacional no mercado norte-americano logo se fez sentir, deixando os EUA de ser um mercado secundário para estar atualmente no TOP 5 ao nível deste concelho. O que significa que “o impasse que a TAP vive está-nos a colocar um entrave a um crescimento que estava a acontecer de uma forma muito sustentada”.

Por outro lado, Espanha continua como o primeiro mercado emissor, seguindo-se França, este com um boom enorme, não só a nível turístico, como do mercado residencial. Reino Unido, Alemanha e Brasil são outros mercados importantes para Cascais.

Por isso mesmo, o concelho está já “a preparar uma enorme campanha internacional” nos principais mercados emissores, afiança Miguel Pinto Luz.

O investimento autárquico prioriza o digital e opta por um desinvestimento na presença em feiras.

Por outro lado, aposta no estabelecimento de contactos com operadores e DMC’s através de um “tratamento privilegiado, quase de boutique” no sentido de os convidar a vir a Portugal, e este sim “é um trabalho que nos distingue”, garante, concluindo que “é a nova forma de comunicar e de projetar o destino”.

Inês Gromicho