Lisboa: “É necessário que o tema do aeroporto seja colocado nesta campanha eleitoral” e sejam “assumidos compromissos nesta matéria”

Lisboa: “É necessário que o tema do aeroporto seja colocado nesta campanha eleitoral” e sejam “assumidos compromissos nesta matéria”

Ambitur abordou as várias regiões do país de forma a saber que prioridades e desafios apontam para o desenvolvimento do turismo e quais as expectativas em relação aos próximos tempos.

Vítor Costa, diretor geral da Associação Turismo de Lisboa (ATL) e presidente da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa (ERT-RL), assume que “a prioridade imediata é revisitar o Plano Estratégico de forma a incorporar os impactos estruturais da pandemia e retomar uma trajetória de desenvolvimento”. Recorde-se que este plano entrou em vigor em janeiro de 2020, e foi suspenso por dois anos devido à Covid-19. O responsável assegura que a Comissão Executiva da ERT-RL e a Direção da ATL já iniciaram este trabalho com o apoio da consultora que elaborou o plano. E prevê que, no final deste primeiro trimestre, “possamos validar a estratégia e passar à ação de forma mais efetiva”. O entrevistado admite não esperar aqui grandes alterações no que diz respeito aos produtos prioritários, aos mercados ou à importância da acessibilidade aérea e da mobilidade interna, mas reconhece que “há alterações que temos que incorporar, prioridades que temos que reequacionar e concorrência que temos que observar”. Vítor Costa recorda ainda que “o turismo é essencial ao sustentável desenvolvimento económico da região de Lisboa e tem que voltar a assumir o seu papel”.

Fazendo um balanço do ano que agora terminou, o presidente da ERT-RL não tem dúvidas: “os resultados de 2021 foram péssimos”. Se bem que em relação a 2020, sobretudo os meses após o início da pandemia, tenha havido “alguma melhoria”. Aliás, sempre que se verificou o alívio de medidas de controlo da pandemia, quer em Portugal como nos outros mercados, “houve uma resposta positiva”, aponta. E a partir de meados de agosto, acrescenta, registaram-se “sinais claros de melhoria e boas perspetivas”. Mas a situação voltou a inverter-se no final ano, com mais uma vaga de Covid-19.

Em relação ao futuro, Vítor Costa não hesita em dizer que já esteve mais otimista. “Não esperamos resultados positivos no primeiro trimestre de 2022”, assinala, frisando que estima que a recuperação se inicie mais tarde, isto se a pandemia não ditar mais nenhum recuo. “De qualquer modo, não pensamos atingir ainda em 2022 os níveis de 2019. Talvez no próximo ano”, deixa em aberto. Mas garante estar confiante pois, sempre que há abertura, a procura responde positivamente, “demonstrando que continua a haver vontade de viajar e que Lisboa está no radar das preferências”. Neste momento, alerta, é necessário que se volte a colocar a necessidade de “apoiar o tecido económico para que ele consiga resistir”.

Mesmo perante tamanhas dificuldades, a verdade é que se tem assistido a abertura de novos hotéis na região, projetos lançados noutra fase, explica o responsável à Ambitur.pt, e que só agora se concluíram. “Isso mostra alguma confiança dos investidores, mas não significa que exista uma vaga de novos investimentos“, afirma. Vítor Costa diz saber que existem ainda outros projetos em desenvolvimento e que, mais tarde ou mais cedo, vão entrar em operação. “Mas para já tenho dúvidas que existam muitos novos projetos para serem lançados a partir do zero, neste momento”, interroga-se, esclarecendo que tão não se deve a “questões conjunturais mas por questões estruturais, que os investidores irão ponderar”.

E a principal delas é a acessibilidade aérea, aponta, algo que considera “decisivo para o nosso destino”. O diretor geral da ATL explica que as infraestruturas existentes “são insuficientes para a procura”, que inclui o hub da TAP, a procura pelos residentes permanentes, pelos residentes temporários e das regiões vizinhas de Lisboa e Regiões Autónomas. “A prova de que a oferta é insuficiente para a procura atual e futura é o facto de a cedência de slots ter sido a questão mais difícil em relação ao plano da TAP”, regista, adiantando que “se a oferta de infraestruturas fosse suficiente, haveria slots para todos e não seria preciso disputá-los”. Defende pois que “é necessário que o tema do aeroporto seja colocado nesta campanha eleitoral e que sejam assumidos compromissos nessa matéria”.

Inês Gromicho