SET: “Temos de recentrar a nossa política num turismo que não se quer voraz mas audaz e sagaz”

SET: “Temos de recentrar a nossa política num turismo que não se quer voraz mas audaz e sagaz”

Rita Marques, secretária de Estado do Turismo, esteve presente na tomada de posse da nova direção da APAVT, ontem, e refletiu que os desafios “sinalizados” no último congresso da associação foram ultrapassados pela “preponderância” de outros fruto da pandemia. À luz de novos desafios, a secretária de Estado do Turismo procura fazer “renascer” o bom turismo que se quer “audaz”. 

A secretária de Estado do Turismo admite que “os desafios que o nosso setor atravessa são, de facto, imensos” e defende que “só com um espírito de cooperação leal é que temos conseguido degolar alguns deles” num “registo de construção e esperança para o futuro”.

Rita Marques recorda-se de, quando tomou posse, há um ano atrás, ter estado no último congresso da APAVT e de “ter ouvido, com muita atenção, Pedro Costa Ferreira a sinalizar vários desafios que, na altura, o setor das agências de viagens entendia como prioritários”. Olhando para trás, a responsável entende que “encontramos hoje desafios que engoliram todos esses”.

Os novos desafios, impostos pela pandemia, são: “A mobilidade intraeuropeia, que há uns meses atrás era tão fácil e que agora implica uma logística muitíssimo difícil, e com países terceiros para lá da Europa que atualmente têm determinadas restrições que dificultam as viagens; o Brexit; a própria pandemia agora com a testagem e a vacinação; a situação económico-financeira das nossas empresas e a confiança que falta aos nossos consumidores”, enumera. Todos desafios que “não estavam na nossa agenda há um ano atrás” e que “ganham hoje preponderância tal” que ofuscam os anteriores.

De acordo com Rita Marques, para a secretaria de Estado do Turismo “as prioridades são claras”, nomeadamente, “restabelecer as condições económicas e financeiras das nossas empresas, através de mecanismos de recapitalização mas também da delineação e operacionalização de todos os instrumentos que permitam melhor gerir a tesouraria e os encargos fixos”. Esta é a prioridade “fundamental” do Governo porque “sabemos que sem operadores económicos, as 132 mil empresas que constituem o setor, muito dificilmente poderemos renascer”, realça. Em seguida, importa “garantir que o setor possa atingir a manutenção dos postos de trabalho” identificado esta fase como uma “janela de oportunidade para o reforço de competências” tanto de colaboradores como empresários.

A SET comenta que “há uns meses falávamos do turismo enquanto setor de economia voraz”, a respeito do overtourism, mas que hoje “temos de recentrar a nossa política num turismo que não se quer voraz mas audaz e sagaz”. Para si, a Estratégia de Turismo 2020-2027 releva-se “oportuna” mas é preciso “comunicar melhor e dar conta que estamos completamente empenhados em fazer renascer o bom turismo”.

Rita Marques acredita que “precisamos de sorte” mas que “a sorte persegue os audazes” e que é preciso trabalhar para merecê-la ao “fazer pontes, abrindo portas e subindo escadas”, juntos, no setor do turismo.

Rita Inácio