Turismo industrial: “É um trabalho que está a acontecer em todo o território” e que terá “uma estratégia mais concertada de promoção”

Turismo industrial: “É um trabalho que está a acontecer em todo o território” e que terá “uma estratégia mais concertada de promoção”

O Turismo de Portugal já está a pensar o segmento do Turismo Industrial há algum tempo e, segundo Teresa Ferreira, diretora do departamento de Dinamização de Recursos do Turismo de Portugal, este “é um trabalho que está a acontecer em todo o território”. A responsável falava num painel dedicado ao tema que teve lugar hoje, no âmbito do 1º Summit Portugal Faz Bem, onde garantiu que apesar de, neste momento, o Turismo Industrial ainda se encontrar numa fase de consolidação inicial e de não estar ainda num momento de promoção consistente e de posicionamento de Portugal como destino onde as experiências deste segmento são relevantes, “haveremos de ter aqui uma estratégia mais concertada de promoção deste produto”.

Estão já identificados mais de 130 recursos de património e indústria no âmbito deste trabalho do Turismo de Portugal, embora nem todos estejam ainda prontos para visita. E foi já lançado um Guia de Boas Práticas para o Turismo Industrial. Aliás, foi criado um grupo dinamizador da rede de Turismo Industrial que reúne, além do Turismo de Portugal, as entidades regionais de turismo, alguns municípios com mais experiência neste segmento e projetos privados ou especialistas.

Teresa Ferreira lembra que se trata de um produto que está alinhado com alguns dos vetores da Estratégia Turismo 2027. Por um lado, pode ser trabalhado à escala nacional e está ancorado em recursos endógenos diferenciadores dos territórios. Além disso, explica a oradora, “é uma forma de enriquecer a experiência do turista no território”, bem como de ajudar a trabalhar públicos mais especializados. Recorda ainda que este é um produto que pode ser usufruído ao longo de todo o ano.

Gonçalo Rebelo de Almeida

Aspetos com os quais Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador da Vila Galé Hotéis, concorda. E adianta: “Um hotel é uma pequena parte da experiência turística mas é fundamental que sejam desenvolvidos conteúdos e experiências adicionais pois isto enriquece a experiência do turista e obriga a permanências e estadias mais longas”.

Nesta cadeia hoteleira portuguesa há já algumas unidades que se diferenciam pela inovação, quer do ponto de vista da localização, dos conteúdos ou da reabilitação dos espaços onde estão inseridos. Gonçalo Rebelo de Almeida aponta o exemplo do Vila Galé Albacora, em Tavira, que é “um hotel museu” pois surge num antigo arraial de pesca de atum e o grupo manteve o museu. Também o Vila Galé Collection Alter Real e a sua Coudelaria apostam na atividade equestre e na criação de cavalos. E o Clube de Campo, em Beja, disponibiliza um lagar de azeite ou uma adega de produção de vinhos. Por fim, o Vila Galé Collection Braga nasceu num antigo hospital e apostou-se na ligação à utilização anterior do edifício.

“Quantos mais conteúdos tivermos mais alongamos a estadia média, provocamos a repetição, contribuímos para a diversificação regional e combatemos a sazonalidade”, defende o administrador da Vila Galé. No fundo, só impactos positivos, aos quais se juntam uma maior dinâmica das regiões do interior do país. “Ficamos com um produto mais rico”, frisa. E lembra que se a região não tiver qualquer atrativo, dificilmente o hotel por si só consegue ser um polo de captação de turistas. “O hotel é uma componente importante da experiência turística mas não pretende esgotá-la”.

São João da Madeira e Covilhã: exemplos de Turismo Industrial
O município de São João da Madeira é um exemplo de como é possível salvaguardar o património industrial com sucesso, algo que tem vindo a fazer desde 2006 e que levou à criação de um projeto de Turismo Industrial seis anos depois. Isso mesmo explica Alexandra Alves, chefe da Unidade de Turismo na Câmara Municipal de S. João da Madeira, que lembra que sempre houve uma proximidade muito grande de toda a população à indústria, o que permitiu afirmar a importância deste segmento.

Em 2005 já tinha nascido o Museu da Chapelaria e em 2016 o Museu do Calçado mas só em 2012 se decidiu agregar valor ao território permitindo o usufruto destes equipamentos culturais e da indústria viva, com a visita a fábricas ativas.

Quem gere estas visitas é o próprio município que se assumiu desde logo como uma espécie de agente de animação turística pois, na altura, não havia operadores turísticos interessados em trabalhar o Turismo Industrial. Hoje, a autarquia trabalha com operadores mas “a nossa gestão permite um serviço mais profissionalizado e de maior qualidade”, garante Alexandra Alves.

E se, no início, foi o público escolar o alvo imediato, e mais natural, o que até permitiu uma aproximação dos jovens à indústria, logo o município apostou numa estratégia de diversificação e, nos últimos anos, isso já tem acontecido.

Outro exemplo de uma região que conseguiu integrar-se neste segmento do Turismo Industrial é a Covilhã, também conhecida por “cidade fábrica”, onde se desenvolveu a indústria de lanifícios. O Museu de Lanifícios surge de uma aposta da Universidade da Beira Interior, que quis preservar o património existente. Rita Salvado, diretora do Museu dos Lanifícios da Beira Interior, trouxe a este painel o exemplo da Rota da Lã, um projeto de valorização coletiva deste património. “O Turismo Industrial é um turismo cultural, criativo, sustentável e de natureza”, frisou.

Está já agendada a segunda edição do Summit Portugal Faz Bem, entre 21 e 23 de outubro, com os mesmos convidados. A equipa do Portugal Faz Bem está também a criar o primeiro Marketplace de Turismo Industrial a partir de Portugal.

Inês Gromicho