Turismo na Europa manteve-se forte em 2018 e prepara-se para incertezas em 2019

Turismo na Europa manteve-se forte em 2018 e prepara-se para incertezas em 2019

De acordo com o mais recente relatório da Comissão Europeia do Turismo (European Travel Comission-ETC), intitulado “Turismo Europeu – Tendências & Perspetivas 2018”, a Europa permanece a região mais visitada do mundo, com uma retoma de 6% nas chegadas internacionais de turistas em 2018 face ao ano anterior. Este crescimento continua apesar das permanentes tensões da indústria, a incerteza no que diz respeito ao Brexit e o abrandamento económico da Zona Euro e da China.

Quase todos os destinos (32 de um total de 33) registaram algum tipo de evolução, com as viagens para a Turquia (+22%) a manterem a sua forte recuperação, impulsionada por um leque vasto de mercados emissores e uma Lira Turca em desvalorização. O segundo destino que mais cresceu foi a Sérvia, continuando a beneficiar do acesso isento de vistos por parte dos detentores de passaporte chinês, com as chegadas registadas 15% mais elevadas até novembro quando comparadas com igual período do ano anterior.

Malta (+15%) teve chegadas e estadias robustas, refere a ETC, com base em dados até agosto, à medida que os seus esforços para se posicionar como destino durante todo o ano se concretizam. Ainda entre os destinos que mais cresceram encontra-se Montenegro (+14%), que registou resultados sólidos devido ao contínuo desenvolvimento das infraestruturas turísticas; e a Letónia (+10%), o único destino da Europa Central/Leste a mostrar um crescimento de dois dígitos.

Uma vez mais os EUA e a China revelaram, em 2018, um forte crescimento das viagens para o exterior. O aumento nos EUA foi sustentado por vários fatores económicos, incluindo um dólar forte contra o Euro e a Libra Esterlina, enquanto 24 em 30 destinos registaram um aumento no número de visitantes da China, graças à melhoria da conetividade aérea e aos procedimentos de vistos, bem como a uma classe média chinesa que se encontra em expansão, afirma o relatório.

Segundo Eduardo Santander, diretor executivo da ETC, “apesar de riscos adversos como tensões nos mercados financeiros, incerteza no que diz respeito à saída do Reino Unido da UE e os preocupantes indicadores no futuro, a indústria turística europeia provou uma vez mais ser forte em 2018, representa mais de metade (51%) das chegadas turísticas mundiais. Olhando para a frente para a multiplicidade de incertezas que 2019 tem para oferecer, prevemos um crescimento em torno dos 3% nas chegadas internacionais de turistas à região. Estes desafios representam uma oportunidade para reorientar a política nacional e europeia no sentido de sustentar os motores do crescimento do turismo sustentável e promover o desenvolvimento a longo prazo na Europa”.

O impacto económico potencial de um Brexit “Sem Acordo”
Enquanto a maioria dos destinos registou um crescimento por parte dos principais mercados emissores em 2018, é cada vez mais evidente que a incerteza relacionada com o Brexit continua a ter um impacto negativo no setor, sublinha a Comissão. Segundo este relatório, as viagens e o turismo vindo do Reino Unido sofrerá negativamente em todas as frentes no caso de um Brexit “Sem Acordo”. Os impactos negativos dos motores económicos, ruturas das companhias aéreas e crescente regulamentação de passaportes deverão conduzir a menos oito milhões de viagens para o exterior por parte do Reino Unido.