“Vale a pena examinar qualitativamente” o turismo interno pois ” pode ser muito importante no período de transição para 2022″

“Vale a pena examinar qualitativamente” o turismo interno pois ” pode ser muito importante no período de transição para 2022″

Categoria Advisor, Política

O Presidente da República esteve ontem na sessão de encerramento da Conferência da CTP ‘Retomar o Crescimento’, que teve lugar em Coimbra, por ocasião do Dia Mundial do Turismo. Marcelo Rebelo de Sousa fez questão de salientar que, num momento em que a pandemia parece estar a querer finalmente abrandar, é necessário “ter resistência, suplemento de alma e visão coletiva a prazo”. E explicou: resistência foi o que os empresários tiveram ao longo deste mais de ano e meio, que se traduziu “numa capacidade de recuperação notável, sempre e logo que os desconfinamentos o permitiram”. Suplemento de alma pois os meses de agosto e setembro vieram atenuar suavemente a situação e abriram caminho para aquela que terá de ser “a aposta dupla de início de outubro”, que deverá traduzir-se num novo apelo ao turismo interno, “imaginando para esse turismo interno razões para um suplemento de contributo nos próximos três a quatro meses”. Por outro lado, pensando também no turismo externo “agora que superámos de maneira definitiva os temores que a perceção de Portugal e de evolução pandémica, de alguns meses atrás, fizeram vingar, em diversos países europeus, tradicional origem de muitos dos nossos visitantes”, como é o caso da Alemanha, por exemplo.

Por fim, visão coletiva a prazo pois, frisou o chefe de estado, “para converter este esforço destes últimos meses, que foi muito intenso, da parte do setor, e o suplemento de empenho que importa reter nos quatro próximos meses, em algo mais duradouro, é preciso que haja uma visão de médio prazo – dos privados mas também dos poderes públicos”. E acrescentou: “Os privados sabem que a retoma requer esse horizonte, a vários anos. É bom que o Estado, as regiões autónomas, as autarquias locais, partilhem dessa necessidade de uma visão a médio e longo prazo para o turismo”.

Marcelo Rebelo de Sousa pediu à Confederação do Turismo de Portugal e ao setor que fizessem um esforço para fazer um balanço analítico destes anos de 2020 e 2021, não apenas a nível quantitativo mas também e sobretudo qualitativo. E tentassem perceber algumas questões ao nível da “excecional resposta” dos turistas internos, nomeadamente, procurar saber se foram os mesmos turistas nacionais de sempre ou novos; quais as suas escolhas, de que idades e grupos sociais. “Será que as crises abriram a clientelas novas e mercados internos diferentes? E com formas e modos de atuação distintos? A minha intuição é afirmativa. Vale a pena examinar qualitativamente este turismo interno. Ele pode ser muito importante no período de transição dos próximos meses para 2022″, destacou o orador.

Do lado do turismo externo, entender quem foi mais fiel e ousado, motivos pelos quais viajaram, se devido a novos nichos de investimento imobiliário e residência em Portugal, se se tratava de nómadas profissionais, digitais ou não digitais. “Sabemos que são nichos diferentes do turismo como um todo mas haverá vasos comunicantes”, questiona o Presidente da República, acrescentando que só com uma análise deste género se poderá perceber onde “apostar nos meses e anos imediatos em termos externos”.

E reforçou a ideia: “Estamos num momento de jogar com o turismo interno naquilo que é preciso jogar, observando atentamente a evolução do turismo externo”, defendendo que “os passos a dar têm de ser bem pensados, alicerçados em ponderações qualitativas e não apenas quantitativas”.

Marcelo Rebelo de Sousa abordou também a questão do emprego, em duas óticas: recuperar o emprego perdido durante a pandemia e reajustar o emprego no mercado. “São vários os empresários turísticos que me dizem que há problemas de reajustamento”, admite, até porque parte dos postos de trabalhos anteriores desapareceram e agora, “encontrar, de imediato, à medidas necessidades, resposta eficiente, é um problema duplo para o setor, de resposta não fácil”.

Ainda no curto prazo, salientou que seria importante analisar o motivo pelo qual as linhas de crédito abertas não terem tido o sucesso esperado. “Entende o Governo, e penso que bem, que isso não é razão para não abrir outra linha de crédito. Mas vale a pena ponderar porque é que aquelas que tinham por destinatários agências de viagens, operadores turísticos, por um lado, e médios e grandes empresas turísticas, acabaram por não ter a procura que se pensava iriam ter”, alerta. E esclarece que isso significará que, também no curto prazo, há que ir ajustando as medidas de transição, para que surtam efeito.

No que diz respeito à TAP, o Presidente da República mostrou-se satisfeito com a postura dos responsáveis da companhia. “Sabemos que há uma intervenção europeia que é decisiva, sabemos que há calendários que não são menos relevantes, mas diria que é muito importante haver um projeto, uma ideia e uma líder”, destacou.

Já no que se refere ao aeroporto de Lisboa, reconhece que este continua a ser um problema urgente confessando não se sentir animado com a ideia de “ver terminado o meu segundo mandato presidencial sem que umm matéria que vinha de mandato presidencial anterior tenha sido equacionada, decidida e objeto de começo de execução, já não ouso dizer de concretização plena de execução”.

Para o chefe de estado português, há uma ideia que deve dominar o período imediato do turismo em Portugal: “Não nos basta recuperar e resistir; é preciso reconstruir, ir mais além”. E vai mais longe dizendo que ou Portugal entra naquilo que é conjunto dos estados da União Europeia com um papel de alguma liderança em domínios em que tem aptidão para essa liderança – e o turismo é um desses casos – “ou perderemos uma vez mais uma oportunidade histórica, como perdemos ao longo dos séculos, é secular, embora isso não nos console”. E considera que este raciocínio se aplica também a decisões estruturais, que não podem ficar dependentes de vicissitudes meramente conjunturais.

“Estamos num momento de amanhãs. Mais depressa de um amanhã de reconstrução do que de mera recuperação e resiliência conjuntural. Com incertezas, ainda muitas, mas com expectativas que surgem e que se vão reforçando por mérito dos protagonistas do setor”, concluiu Marcelo Rebelo de Sousa, terminando ao acreditar que “este dia 27 de setembro de 2021 é promissor”.

Inês Gromicho