VIP Hotels prevê que retoma possa arrancar em abril de 2021

VIP Hotels prevê que retoma possa arrancar em abril de 2021

O grupo hoteleiro acredita que, a partir de abril de 2021, será fundamental investir nos mercados de long-haul como China, Japão ou Brasil para confirmar uma retoma mais robusta.

A pandemia da Covid-19 tomou todos de surpresa e a hotelaria em Portugal não foi exceção, muito pelo contrário. No Grupo VIP Hotels, que detém 12 unidades em Portugal e cinco em Moçambique, os anos de 2014 a 2019 foram de “crescimento robusto” que garantia “níveis de sustentabilidade financeira estáveis e duradouros”. Isso mesmo diz à Ambitur Miguel Cymbron, diretor de Vendas e Marketing da cadeia hoteleira, que lembra que este ano se apresentava como “excecional, com um outlook de reservas on the books (OTB) muito forte, fazendo antever um novo recorde de faturação”.

Mas a verdade é que logo a 27 de janeiro, com a proibição levantada pela China de viagens dos seus cidadãos para o estrangeiro, devido ao surto do novo coronavírus, e tendo os hotéis VIP mais de uma centena de grupos deste mercado e outros tantos de outros países asiáticos, tudo se alterou. E entre 28 de janeiro e 20 de março, o grupo assistiu a um decréscimo abruto de reservas, até ao encerramento quase total das unidades.

Embora os meses de julho, agosto e setembro tenham representado uma “retoma ténue, mas positiva”, a partir de meados de outubro Miguel Cymbron recorda que foi evidente que essa tendência se iria inverter e que entrariam “numa época baixa muito mais acentuada do que o normal”.

Hoje, a VIP Hotels tem três das suas unidades em funcionamento – VIP Santa Iria, Arts e Zurique – e o responsável não hesita em afirmar que nos encontramos perante uma situação de “gravidade” para toda a hotelaria portuguesa ou, pelo menos, para Lisboa e os Açores, os destinos onde o grupo hoteleiro atua.

O inverno e pós-inverno
Neste momento, o segmento corporativo seria a única opção viável mas Miguel Cymbron lembra que, com as novas restrições, que limitam os eventos a um máximo de cinco pessoas, este subsegmento de eventos “desaparece”. Por outro lado, “estamos «confinados» ao mercado nacional, com muito pequenas exceções para Espanha e França”, explica. Mas a realidade é que, se olharmos para as dormidas na Área Metropolitana de Lisboa em 2019, além do mercado português, a hotelaria da capital viveu do mercado brasileiro, francês, norte-americano e espanhol. Ora do Brasil e EUA não podemos esperar turistas e além disso, também o francês e o espanhol se encontram numa situação pandémica aguda que não permite o envio de turistas para fora das respetivas fronteiras. Assim sendo, no inverno, “Lisboa irá perder os seus quatro principais mercados internacionais, o que irá comprometer decisivamente a performance da sua hotelaria”, sublinha Miguel Cymbron. O responsável alerta para o facto de alguns hotéis estarem a reduzir preços para níveis inferiores à crise de 2008/12, uma situação que “é penalizadora para toda a cadeia de valor do turismo”. E acrescenta: “Lembramos que a recuperação dos preços médios da hotelaria nacional foi longa a difícil e que, embora neste momento existam moratórias, elas não serão eternas”.

Eventos que estariam confirmados como a presidência portuguesa da EU, foram já cancelados, o que significa que “um dos poucos «balões do oxigénio» que nos restavam ficará reduzido a quase nada”, diz. O que leva a que seja necessário abrir alguns mercados fechados e gerar confiança no destino, para “podermos comunicar internacionalmente que Portugal é um país duplamente seguro: seguro contra o terrorismo e, agora, seguro contra a Covid-19”, frisa Miguel Cymbron.

Mas o otimismo prevalece e, embora a maioria dos analistas aponte para que os níveis de 2019 apenas sejam atingidos em 2024, num recuperação lenta, “a VIP Hotels prevê que a retoma possa ser iniciada em abril de 2021”, sendo o primeiro teste a próxima Páscoa. O diretor hoteleiro acredita que os tradicionais grupos de lazer de Brasil, China e Japão, por exemplo, possam mesmo iniciar-se antes de abril.

A partir de abril, não bastará apostar nos mercados europeus ou no short-haul mas será crucial investir nos long-haul, defende, que “serão fundamentais para uma retoma mais robusta e que, de alguma forma, compense a perda dos grandes eventos”.

Inês Gromicho (publicado na edição 332 da Ambitur)