Alcobaça: A cidade do amor

Alcobaça: A cidade do amor

Túmulo de D. Inês de Castro

Os magníficos túmulos de D. Pedro I e D. Inês de Castro, que repousam no Mosteiro de Alcobaça, marcam o mote e carregam de simbolismo um amplo território onde a história, a cultura e a natureza andam de mãos dadas.

Em Alcobaça, que cresceu à volta do seu imponente Mosteiro, não faltam motivos para uma visita que quererá prolongar no tempo para poder absorver tudo o que esta cidade histórica e pacata tem para lhe mostrar. Logo a começar pelo Percurso Camoniano, inaugurado em 2017, que traduz em peças de cerâmica o universo literário e simbólico do amor imortal de Pedro e Inês. Este percurso de arte urbana pode ser visitado livremente ou com visitas guiadas gratuitas, mediante inscrição prévia. No Jardim do Amor que também evoca os famosos amantes, pode depositar uma dedicatória, ou jura de amor, num dos 700 cofres embutidos.

Não deixe também de experimentar os famosos e deliciosos doces conventuais, o frango na púcara ou o licor de Ginja de Alcobaça, razões que são um verdadeiro cartão-de-visita desta cidade.

Mas sem dúvida que em Alcobaça qualquer visita terá de incluir, necessariamente, o seu Mosteiro, uma obra-prima da arquitetura cisterciense, classificado Património da Humanidade pela UNESCO em 1989. Aqui encontrará a maior igreja monástica cisterciense e uma das maiores da Europa. Contemporâneo da fundação de Portugal, o Mosteiro acompanhou de perto a sua história nos momentos mais decisivos. Também no Castelo de Alcobaça a história está gravada nas pedras. Tendo passado por várias fases de destruição, e outras de recuperação, hoje restam mesmo só algumas pedras mas é, sem dúvida, um excelente miradouro para a Serra os Candeeiros e para o Mosteiro de Alcobaça.

Mosteiro de Coz

Outro “tesouro” a descobrir é o Mosteiro de Coz, a 10 Km de Alcobaça, que no século XVI se tornou um dos mais ricos mosteiros femininos da comunidade de religiosas cisterciense. Com o seu esplendor artístico barroco, a igreja testemunha a riqueza dessa comunidade. E, após a visita, passe na loja do projeto COZART, que mantém viva a tradição das “Cestas de Coz”, que representam a ancestral arte artesanal de trabalhar o junco. Este projeto social aposta na preservação desta herança associando a tradição à inovação e ao design.

Alcobaça é também natureza e, na entrada nascente da cidade, poderá passear pelo Parque Verde da cidade, que abraça o rio Alcoa e preserva a memória dos antigos caminhos da água do Mosteiro de Alcobaça. Pode também viver a natureza no seu esplendor na Mata Nacional do Vimeiro, e aproveitar para percorrer o Percurso Pedestre pensado para famílias, escolas e grupos organizados, admirando o património ambiental único da região.

Castelo de Alcobaça

As praias são outro chamariz deste concelho, situado entre a Serra dos Candeeiros e o Oceano Atlântico. A extensa costa oferece nove praias, na maioria premiadas, como São Martinho do Porto e Paredes da Vitória, e outras também procuradas pelos amantes da natureza pelas suas águas de “qualidade de ouro”, como Água de Madeiros, Légua ou Pedra do Ouro. Não deixe de dar um pulo à pitoresca vila de São Martinho do Porto, a 18 Km de Alcobaça, cuja baía de águas azuis encanta durante todo o ano, bem como os seus bons restaurantes e miradouros, e claro, a sua praia, ideal para os amantes de desportos náuticos como a vela, windsurf ou stand up paddle.

E quando estiver em Alcobaça não pode também deixar de conhecer o Museu do Vinho, onde encontrará a maior coleção vitivinícola em contexto museológico, na antiga Adega do Olival Fechado. É um espaço para amantes e conhecedores, onde está o património histórico da Junta Nacional do Vinho, um espólio que ultrapassa as 10 mil peças.

Para terminar esta viagem pelo concelho de Alcobaça, entre no imaginário coletivo português através da história do pano de algodão estampado e das colchas de Chita, e navegando até à época dos Descobrimentos, à criação da Companhia das Índias e à introdução da arte de estampar em Portugal. A Chita de Alcobaça tem um valor histórico e etnológico, simbolizando atitudes, viveres e costumes do passado. Uma boa desculpa para querer regressar a esta região na sua próxima viagem.

Este artigo foi publicado na edição 332 da Ambitur.