ANA: “Não temos um aeroporto em colapso, temos um aeroporto esgotado”

ANA: “Não temos um aeroporto em colapso, temos um aeroporto esgotado”

Categoria Business, Transportes

Durante o 44.º Congresso da APAVT, Francisco Pita, administrador e Chief Commercial Officer da ANA – Aeroportos, garantiu que o Aeroporto de Lisboa não está em “colapso” mas que está muito próximo de esgotar a sua capacidade, sendo necessário avançar com o Montijo.

Francisco Pita defende que “não temos um aeroporto em colapso. Nós temos um aeroporto esgotado. Estamos a operar dentro da capacidade que temos, não acima da capacidade sobre a qual podemos operar”.

O ponto mais crítico do aeroporto de Lisboa, neste momento, será a sua capacidade de pista que em média permite 38 movimentos por hora. Já a capacidade de slots ronda os 90%. “Nós não podemos oferecer mais do que isso quando sabemos que existe procura”, lamenta o responsável.

O administrador afirma que nenhuma previsão, de qualquer entidade (Governo, ANA ou TAP), apontava para o ritmo de crescimento que o aeroporto de Lisboa conheceu nos últimos cinco anos. “Aquilo que aconteceu ultrapassou claramente tudo o que podia ser previsto. E o resultado foi este: Vamos fechar este ano com 29 milhões de passageiros, mais 10 milhões do que aquilo que apontavam as previsões feitas.”

Segundo a ANA, a capacidade máxima teórica da Portela é de 30 milhões de passageiros. No contrato de concessão assinado entre a ANA e o Estado português, um “trigger” (gatilho) para iniciar a discussão sobre o aumento de capacidade aeroportuária de Lisboa situa-se nos 22 milhões de passageiros. “Temos muito menos tempo para tomar uma decisão e finalizar uma solução”, conclui Francisco Pita.

ANA não defende apenas o Montijo

Nas palavras do administrador, a ANA não defende apenas o Montijo. A ANA defende uma solução dual: a criação de um hub na Portela e um aeroporto complementar no Montijo, vocacionado para o tráfego ponto-a-ponto.

A escolha do Montijo é justificada pelo facto de ser “o único aeroporto da região de Lisboa com uma pista praticamente paralela à da Portela e a uma distância que permite ter operações independentes entre as duas pistas”.

Deste modo, somar-se-ia capacidade aeroportuária a Lisboa: o aeroporto da Portela passaria a oferecer 48 movimentos por agora e o aeroporto do Montijo teria cerca de 24 movimentos por hora, um total de 72 movimentos.

Francisco Pita quer deixar claro que “a ANA não baixou os braços. Mantém-se todos os dias empenhada em perder o mínimo possível de procura. Enchemos, atafulhamos, porque sabemos a importância que isso tem para o setor”.

Rita Inácio