#Formação: “Os cursos de turismo ‘não podem ser só de lápis e papel'”

#Formação: “Os cursos de turismo ‘não podem ser só de lápis e papel'”

Categoria Advisor, Formação

O setor do turismo vive um momento de pausa e de reflexão e são vários os empresários que aproveitam o interregno, imposto pelo surto de Covid-19, para realizar ações de formação online. Em muitas escolas de turismo as atividades letivas prosseguem através do ensino à distância. A Ambitur.pt quis saber qual o papel do ensino/formação no momento atual e como irá a crise impactar o seu futuro.

Para o presidente da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril (ESHTE), Raúl Filipe, o surto de Covid-19 trouxe a “oportunidade de reforçar os meios de ensino à distância”, sobretudo, no caso do ensino superior. Por “imperativos urgentes de saúde pública” houve a “necessidade de transição brusca” para este tipo de ensino e Raúl Filipe considera que “as instituições de ensino superior revelaram capacidade de adaptação” e, em muitos casos, como a ESTHE, conseguiram manter as atividades letivas: com recurso ao ensino à distância, através de “plataformas digitais de partilha e interação” para “transmissão e discussão de conteúdos, orientação e/ou avaliação”.

Os cursos de turismo “não podem ser só de lápis e papel”
O presidente da ESHTE acredita que a experiência agora vivida irá “promover uma maior componente do ensino à distância” mas que nos cursos de turismo há que ponderar a sua utilização, pois “trata-se de um setor com exigência relevante de prática laboratorial e profissional”, no qual a presença física é essencial, nomeadamente na EHSTE “a componente de ensino prático é laborarial é forte”. Em suma os cursos de turismo “não podem ser só de lápis e papel”, defende o responsável.

No entanto, Raúl Filipe ressalva “a importância das tecnologias de ensino à distância” mas “sempre num quadro de conciliação com a formação presencial”, com harmonia e complementaridade. Por exemplo, a modalidade B-Learning “ao tentar atribuir ao tutor o seu papel tradicional mas usando a informática e a internet em seu benefício, permite uma convergência ideal”, o que em turismo pode “permitir um compromisso adequado entre eficácia pedagógica e flexibilidade”.

O “papel relevante” das novas tecnologias no impulso do turismo
Segundo o responsável, o progresso das tecnologias de informação e comunicação (TIC) teve um “papel relevante” no impulso do turismo, nos últimos 20 a 25 anos, e que não prejudicará o desenvolvimento do futuro turístico. De facto, a Internet cumpre “funções importantes” tais como: no plano da difusão da informação, do marketing e das reservas, fornece pistas para a escolha dos destinos, promove os produtos e os vários locais, facilita as transações e confere comodidade. Contudo, não substitui a “pedra angular do turismo” que é o “efeito da realidade vivida”.

Raúl Ferreira avança que essa relevância irá manter-se pelo que o “o turismo e os seus atores terão sempre necessidade de se adaptarem às mudanças significativas que irão certamente ocorrer”. A pandemia poderá permanecer por um longo período de tempo mas, para o presidente da ESHTE, “o setor já deu provas da sua capacidade de recuperação e retoma”, pelo que “no futuro ainda se irão acentuar mais as necessidades claras de formação” em áreas como gestão, planeamento, especialização, qualidade e inovação.

Reforçar a formação é investir no futuro
O responsável argumenta que a “formação é um elemento essencial no desenvolvimento do turismo”, independemente da conjuntura, e caso os empresários tenham a possibilidade de a reforçar neste período, apesar dos custos associados, devem fazê-lo pois estarão a investir no futuro: “Quem apostar na melhoria das qualificações e da qualidade do emprego, e na modernização da organização do trabalho, ficará em vantagem para se adaptar aos novos eventuais padrões competitivos.”

A formação é também muito importante para os altos quadros das empresas e para os quadros públicos, especialmente numa altura de gestão de crise, e em contexto de retoma da atividade turística, no que respeita ao desenvolvimento de “competências de visão estratégica, de gestão e de controlo”, termina.

Rita Inácio