Congresso AHP: Governo quer continuar a utilizar a fórmula de sucesso do turismo nacional

Congresso AHP: Governo quer continuar a utilizar a fórmula de sucesso do turismo nacional

“O sucesso dos últimos anos do setor turístico tem passado por se articular políticas públicas com os objetivos e atuação dos agentes privados. Queremos continuar a assegurar isso de uma forma mais próxima e mais eficaz”. Pedro Siza Vieira, ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, aproveitou o 31º Congresso Nacional da Hotelaria, que decorre até amanhã em Viana do Castelo, para vincar as linhas de atuação do atual Governo para o setor turístico, durante o mandato que agora teve início. Entre anúncios de mais investimentos, alertas económicos, maior envolvimento na regulação entre agentes do setor (questão da paridade), Pedro Siza Vieira considera que este é o momento para o setor fazer uma reflexão tendo em conta os próximos anos.

O ministro da Economia, na sua intervenção no Congresso promovido pela Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), começou por considerar que assistimos a um salto qualitativo muito grande do setor e da sua rentabilidade nos últimos anos. Sendo assim, para o responsável tivemos “um país que se afirmou como um destino maduro, onde as empresas foram protagonistas desse salto, estando agora preparadas para os desafios próximos do setor turístico”. Para Pedro Siza Vieira “sabemos que continuar a crescer é mais difícil quando o patamar aumenta, mas temos que continuar a crescer bem, com confiança, numa parceria do setor público com o setor privado”.

Para o ministro, “este é o momento para se fazer uma reflexão sobre os próximos anos. O que nos espera? Eu destacaria dois momentos”. O primeiro, que abrange os próximos dois/três anos, destaca-se pela necessidade de se tentar contrariar o abrandamento económico previsto.

Internamente, no que diz respeito ao setor, “temos um congestionamento do acesso aéreo do país, em concreto na região de Lisboa”. Por outro lado, a nível internacional, assiste-se a uma conjuntura económica internacional inibidora de crescimento.

Sendo assim, para Pedro Siza Vieira, “a capacidade que tivermos de continuar a atrair rotas aéreas e operações é decisiva.” Anunciou então o governante que “iremos reforçar o programa de apoio à captação de rotas e operações aéreas em 10 milhões de euros (Programa VIP.pt, ex-Iniciative.pt), com apoios que podem ir até quatro anos, com uma incidência muito particular no reforço da operação para o Algarve no período do inverno. Este será um investimento que representa o dobro face ao que foi feito nos últimos anos”.

Por outro lado, o responsável relembra que o Governo também irá investir no Aeroporto de Lisboa, num investimento muito significativo, na melhoria da sua operação que irá “permitir mais rapidamente aumentar os acessos a Lisboa”. O interlocutor também relembra que a deslocação da Base Aérea nº1 de Sintra para Beja já na Primavera do próximo ano vai libertar de muitos constrangimentos o espaço aéreo na proximidade do Aeroporto de Lisboa e permitir mais movimentos por hora.

Quanto ao futuro a médio /longo prazo, o ministro considera que este é composto por tendências contraditórias, macros e micros. “Em primeiro lugar temos de considerar as mudanças e alterações geopolíticas, que passam por tensões comerciais. Por outro lado, do lado da procura turística, assistimos a novas preocupações: sustentabilidade, gestão de destinos turísticos, entre outros. Também se assiste a uma mudança de modelo da distribuição (tour operação, plataformas de partilha, entre outros) e à introdução de novos produtos turístico. Estas são alterações no mercado que nos obrigam a um reposicionamento”, indica o responsável.

Para Pedro Siza Vieira, “as pessoas vão querer viajar cada vez mais. Esta e a próxima geração querem viver experiências. A capacidade que tivermos de construir destinos interessantes definirá a nossa capacidade de crescer”.

Sendo assim, considera o responsável que precisamos de nos preparar: “É isso que justifica a revisão do Plano Turístico para a próxima década, abordando tendências como sustentabilidade, água, eficiência energética, desafios da digitalização e capacitação das empresas”.

Além disso, o responsável anunciou que “vamos também apoiar o investimento das empresas do setor no desafio da transição digital, eficiência energética e economia circular, que vão exigir reposicionamento e novos investimentos. Vamos assim dar azo à prorrogação e reforço da Linha de Apoio à Qualificação da Oferta, com um orçamento adicional de 250 milhões de euros para apoio às empresas do turismo nesta legislatura”. Esta é uma linha que, nos últimos anos, permitiu apoiar investimentos na ordem dos 375 milhões de euros, recordou o ministro.

Pedro Siza Vieira terminou a sua intervenção considerando que “é importante continuarmos a dispor de verbas significativas para apoiar a promoção externa de Portugal e para podermos continuar a apoiar a qualificação da oferta. Por isso, vamos iniciar um movimento importante de renegociação das concessões de jogo, de uma forma que permita sustentavelmente continuar a dispor desses recursos para uma política pública de turismo. É aqui que tem estado muito do sucesso das políticas públicas para o setor”.

Pedro Chenrim, no 31º Congresso AHP, em Viana do Castelo