IATA: crescimento mais lento mas estável em 2019

IATA: crescimento mais lento mas estável em 2019

A International Air Transport Association (IATA) anunciou os resultados do tráfego de passageiros em 2019 revelando que a procura (RPKs) aumentou 4,2% face a 2018. O resultado de 2019 é um abrandamento quando comparado com o crescimento anual de 2018 de 7,3% e marcou o primeiro ano desde a crise financeira mundial em 2009 em que a procura por parte dos passageiros esteve abaixo da tendência de longo prazo de um crescimento anual em torno dos 5,5%. A capacidade em 2019 disparou 3,4% e o load factor subiu 0,7 pontos percentuais para um recorde de 82,6%. O recorde anterior foi de 81,9% em 2018.

“2019 foi um ano difícil para a aviação e 2020 arranca de uma forma terrível e desafiante. O abate do PS 752 em janeiro foi imperdoável. Os aviões comerciais são instrumentos de paz, não alvos militares. Para honrar as vítimas desta tragédia temos de abordar este desafio com os governos e os stakeholders. Os nossos pensamentos também estão com os feridos, e as famílias daqueles que perderam as vidas, no acidente PC2193 da Turquia, ontem. A segurança é a principal prioridade da indústria da aviação e estamos unidos no desejo de compreender e aprender com as circunstâncias desta tragédia”, refere Alexandre de Juniac, diretor geral e CEO da IATA.

E acrescenta: “Hoje, as manchetes também estão focadas no novo coronavírus. Da nossa experiência com outros surtos anteriores, as companhias aéreas têm standards bem desenvolvidos e as melhores práticas para manter as viagens seguras. E as companhias aéreas estão a apoiar a Organização Mundial da Saúde e as autoridades públicas de saúde nos esforços para conter o surto em linha com as Regulamentações Internacionais de Saúde. Não existe atualmente nenhum conselho da OMS para limitar as viagens ou o comércio. Mas é claro que a procura caiu em rotas associadas com a China, e as companhias aéreas estão a responder reduzindo a capacidade para a China a nível doméstico e internacional. A situação está a desenvolver-se rapidamente mas estamos a observar ajustes de horários significativos para fevereiro”.

Em dezembro de 2019 a procura aumentou 4,5% contra igual mês de 2018. O que significou uma melhoria acima do crescimento anual de 3,3% registado em novembro, sobretudo devido à procura sólida na América do Norte.

“As companhias aéreas estiveram bem e mantiveram um crescimento estável no ano passado perante inúmeros desafios. Um contexto económico mais frágil, atividade comercial global fraca e tensões políticas e geopolíticas tiveram o seu peso na procura. Uma gestão astuta da capacidade, e os efeitos da imobilização do 737 MAX, contribuíram para mais um recorde do load factor, ajudando a indústria a lidar com uma procura mais reduzida e a melhorar a performance ambiental”, afirma Alexandre de Juniac.

Mercados Internacionais de Passageiros
O tráfego internacional de passageiros em 2019 subiu 4,1% face a 2018, descendo do crescimento anual de 7,1% do ano anterior. A capacidade cresceu 3% e o load factor 0,8 pontos percentuais para 82%.

O tráfego das companhias aéreas da Ásia Pacífico aumentou 4,5% em 2019, uma grande queda quando comparada com o crescimento de 8,5% em 2018. Isto refletiu o impacto da guerra comercial EUA-China bem como o abrandamento da confiança empresarial e da atividade económica. A capacidade subiu 4,1% e o load factor 0,3 pontos percentuais para 80,9%.

As transportadoras europeias assistiram a um crescimento de 4,4% no tráfego, descendo do crescimento anual de 7,5% em 2018. A capacidade subiu 3,7% e o load factor 0,6 pontos percentuais para 85,6%, o valor mais elevado para qualquer região. Os resultados atribuem-se a um abrandamento geral da atividade económica, ao declínio da confiança empresarial, incerteza do Brexit e o colapso de algumas companhias.

As companhias aéreas do Médio Oriente viram a procura de passageiros aumentar 2,6% o ano passado, o ritmo de crescimento mais lento entre todas as regiões, e uma descida do crescimento de 4,9% de 2018. No entanto, a procura começou a recuperar no quatro trimestre e o crescimento mensal de 6,4% em dezembro liderou todas as regiões. A capacidade anual subiu 0,1% e o load factor 1,8 pontos percentuais para 76,3%.

As transportadras norte-americanas viram o tráfego diminuir o crescimento para 3,9% em 2019, descendo dos 5% de 2018, no meio de uma atividade económica mais frágil e da confiança empresarial diminuída. A capacidade subiu 2,2% e o load factor 1,3 pontos percentuais para 84%, o segundo mais elevado entre as regiões.

O tráfego das companhias da América Latina subiu 3% em 2019, uma redução forte quando comparada com o crescimento anual de 7,5% em 2018. A capacidade disparou 1,6% e o load factor 1,1 pontos percentuais para 82,9%.

As companhias africanas lideraram todas as regiões com um aumento de 5% na procura, descendo do crescimento de 6,3% de 2018. A capacidade cresceu 4,5% e o load factor 0,3 pontos percentuais para 71,3%.

Mercados domésticos de passageiros
As viagens aéreas domésticas aumentaram 4,5% em 2019, revela a IATA, uma descida dos 7,8% de 2018. Todos os mercados revelaram um crescimento anual, liderados pela China e Rússia. A capacidade subiu 4,1% e o load factor 0,4 pontos percentuais para 83,7%.

As companhias aéreas chinesas viram o tráfego de passageiros crescer 7,8% em 2019, o ritmo mais baixo desde a crise financeira global.

O crescimento de dois dígitos das companhias indianas, que durou quatro anos, parou em 2019, com o tráfego a subir 5,1%, descendo dos 18,9% de 2019. A falência da JetAirways e a atividade económica mais reduzida foram os principais culpados.

Foto: Amadeus