“Não é fácil vender Portugal. É um desafio”

Há futuro para o turismo em Portugal: esta é a principal conclusão do Fórum Turismo 3.0, sob o tema “Fazer acontecer!”, uma iniciativa promovida recentemente pelos estudantes do 3º ano da licenciatura em Gestão Hoteleira do Instituto Superior das Ciências da Administração (ISCAD), em Lisboa, onde as tendências do turismo em Portugal foram os pontos fortes.

Ainda durante a sessão de abertura, Jorge Humberto, diretor operacional da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa, aproveitou a ocasião para deixar algumas notas e começou pelos números: atualmente, há cerca de 140 voos semanais da Alemanha, 264 de Espanha e 75 do Brasil. Por isso, afirma: “Olhem para o céu se quiserem ver as razões do sucesso turístico”, referindo-se aos ganhos na acessibilidade, apenas possíveis com a captação de novas rotas.

Jorge Humberto acredita que “há futuro para o turismo em Portugal”. Mas, alerta: “Esse futuro terá sempre como ponto único a nossa identidade. Aquilo que nós temos de absolutamente único e diferente. Enquanto dermos passos para fugir a isso e sermos qualquer coisa, mais ou menos equivalente àquilo que os outro são, nós vamos perder o fundamental”.

Já Nuno Madeira, a quem coube a primeira intervenção no painel “As Tendências no Turismo; o Crescimento Inteligente e Sustentável como Reforço da Competitividade”, que centrou a sua atenção nas operações da Turismo de Portugal, que consistem, hoje, no apoio à venda. Segundo o diretor do departamento de gestão de equipa de turismo no estrangeiro do Turismo de Portugal, “não é fácil vender Portugal”. Pelo contrário: “É um desafio”.

Numa altura em que a procura externa corresponde a 70%, Nuno Madeira sublinha que “isso cria uma exigência brutal”, porque estamos a competir diretamente com mercados “mais exigentes a nível mundial”, como os Estados Unidos da América. Mas, também na Europa, lembra que existem destinos “muitos mais acessíveis, centrais e já conhecidos”, como França, Espanha, Reino Unido e Itália. Perante este cenário, a entidade fundamenta toda a sua estratégia de atuação com base num propósito: vender “aquilo que de melhor nós temos para oferecer”, quer seja o território diversificado ou a riqueza de atributos, como as paisagens, cultura ou até a gastronomia.

Além disso, destaca ainda o papel dos portugueses que, afirma, “são, por natureza, acolhedores”. Para Nuno Madeira, esta é “uma capacidade sincera que mais ninguém no mundo tem”. Em Portugal, “o turista vai na rua e, fale espanhol, inglês ou francês, os portugueses esforçam-se para tratá-lo bem ou ajudá-lo a resolver uma dúvida”, acrescenta.

As tendências no turismo em Portugal também não lhe oferecem muitas dúvidas: por um lado, temos o desenvolvimento económico noutras áreas do globo, como nos Estados Unidos da América, e, por último, enaltece a distribuição online, um dos eixos de comunicação do Turismo de Portugal, através do qual “chegamos a todos de uma forma economicamente mais viável”.

A mesma constatação é partilhada por Paulo Bacalhau, CEO da Digital Sales, que nota: “A reputação digital é vital”. Salientando ainda que, a rede “veio mudar muita coisa” e, em alguns casos, “de forma irreversível”. “Hoje já ninguém compra nada sem ver primeiro online”, garante.

Para além disso, numa altura em que também as políticas de sustentabilidade ambiental são, cada vez mais, tema de discussão na hotelaria nacional, o Inspira Santa Marta Hotel, na Rua de Santa Marta, em Lisboa, tem como princípios fundadores do conceito da unidade a sustentabilidade e eficiência energética. Ainda assim, Nicolas Roucos, diretor do eco-friendly hotel, reforça que o principal “é oferecer experiências e serviços diferenciadores”.

A sessão “As Tendências no Turismo; o Crescimento Inteligente e Sustentável como Reforço da Competitividade”, integrada no Fórum 3.0, realizou-se a 20 de janeiro, entre as 14h30 e as 16h45, no auditório 2 do ISCAD, em Lisboa. A organização da iniciativa coube aos estudantes do 3º ano da licenciatura em Gestão Hoteleira do ISCAD, no âmbito da unidade curricular Comunicação e Relações Públicas, com o apoio da Crossview e da Leitaria Lisboa.