“Nos próximos seis a nove meses não teremos uma operação hoteleira minimamente sustentável”

“Nos próximos seis a nove meses não teremos uma operação hoteleira minimamente sustentável”

Categoria Business, Empresas

A HotelShop e a Moneris realizaram, na passada sexta-feira um Webinar, que teve a Ambitur como media partner, sobre “Gestão de Sobrevivência para Hotéis”.

A Moneris, grupo especializado em contabilidade e apoio à gestão, tem cerca de 300 colaboradores e 4.000 clientes através dos quais regista uma faturação superior a 10 milhões de euros. O CEO, Rui Pedro Almeida, assegura que o grupo está “profundamente ligado” ao turismo sendo 20% da receita da Moneris proveniente do setor.

Rui Pedro Almeida afirma que “estamos a assistir a uma crise muito grande de cancelamentos” fora do controlo da gestão hoteleira, registando-se um aumento à volta de 300%. Por isso, “revisitar a política de cancelamentos é absolutamente crucial” e a solução avançada pelo responsável é adotar uma “política de negociação muito mais fina com o hóspede” com o intuito de “garantir a reversão do pedido de cancelamento” através de remarcação, crédito ou da oferta de um upgrade do serviço. No fundo, alcançar medidas que “permitam ao hotel não descapitalizar a sua tesouraria” e “garantir reservas para quando a crise passar”.

O CEO da Moneris defende que “nos próximos seis a nove meses, não teremos uma operação hoteleira minimamente sustentável ao ponto do break even point” e que, “para recuperar os índices que tínhamos anteriormente, provavelmente, levaremos cerca de dois anos”.

Retomar a economia sem descontrolar a pandemia

Adianta também que “há um novo mercado a surgir” de pessoas que procuram “férias próximas da sua residência” numa “deslocalização para uma zona mais apelativa”. Rui Pedro Almeida argumenta que “as unidades devem apostar fundamentalmente na fidelização do cliente” pois será mais fácil fazer regressar um antigo hóspede, através da nostalgia, do que captar um novo. É assim importante “cuidar da comunicação com os hóspedes” e “monitorizar a sua mudança de comportamento”.

O responsável recorda que, na sua maioria, as empresas do setor do turismo optaram pela “não desmobilização” dos seus colaboradores e congratula a decisão: “Há que preparar a equipa para o futuro e para a retoma”, capacitando-a, até porque “a atividade está suspensa mas a marca não está” e é preciso trabalhá-la.

Além disso, o Programa de Estabilização Económica e Social foi aprovado e contabiliza cerca de 120 milhões de euros disponíveis enquanto medidas de apoio ao setor do turismo, que se dividem em quatro vetores principais: medidas fiscais, medidas laborais, financiamento e apoios/incentivos. O objetivo é “retomar a economia sem descontrolar a pandemia”. O CEO da Moneris considera tais medidas importantes mas alerta que “é preciso densificar” o Programa pois estas “são ainda, claramente, muito curtas para uma situação de cenário dos próximos meses”.