Soltrópico aposta nas vendas antecipadas perspetivando crescimento face a 2018

Soltrópico aposta nas vendas antecipadas perspetivando crescimento face a 2018

A Soltrópico, em abril, registou um aumento significativo de “um dígito”, quando comparado com o período homólogo do ano passado, revelou à Ambitur.pt Fernando Bandrés. O diretor de operações do operador turístico considera que “adiantar a saída das programações para a rua” é fulcral para “captar vendas”. Referindo-se ao verão, o responsável considera que “esta tendência” já tem acontecido em anos anteriores mas “tem começado cada vez mais cedo”, assumindo um “peso significativo” nas vendas. Desta forma, as expectativas da Soltrópico para este verão são “muito positivas”.

No que toca à rentabilidade, Fernando Bandrés refere que, embora o preço do produto por passageiro seja o mesmo que no ano anterior, “há uma maior aposta na antecipação das vendas” e um “volume de negócios” cada vez mais significativo. O cenário traçado pelo responsável é aquele que já tem vindo a acontecer: “uma aposta muito grande nas vendas antecipadas com o mercado depois a abrandar e a começar a reagir novamente no last minute”.

Acerca das preocupações dos clientes, na sua generalidade “não diferem muito” das habituais. Fernando Bandrés aponta a “segurança” ou o “clima” como alguns exemplos. No entanto, na visão do diretor de vendas, o cliente “está muito bem informado” e o “conteúdo flui de uma forma completamente diferente. Há aspetos que anteriormente não eram tidos muito em conta mas que, hoje em dia, o consumidor tem mais em atenção”. Não há dúvidas que, “cada vez mais, nos movimentamos num mundo mais complicado e difícil”, sublinha.

Em relação ao perfil do cliente da Soltrópico, o responsável afirma que “está muito virado para a família” com uma procura mais direcionada para “quartos com capacidade para dois adultos e uma ou duas crianças”. Quanto aos padrões são sempre os mesmos: desde a “qualidade do alojamento” até às “ofertas de lazer” que o destino tem para oferecer.

Já sobre a oferta de destinos e a capacidade aérea em relação a 2018, Fernando Bandrés considera que a programação charter em Portugal poderá ter aumentado em alguns destinos (Cabo Verde e Saïdia), que “resultou daquilo que se programou”, mas, no panorama atual, o responsável é assertivo: “a oferta é superior àquilo que seria o ideal”, tendo em conta a capacidade aérea.

Na procura dos destinos internacionais, Cabo Verde e Saïdia são os dois destinos com mais volume dentro do negócio charter da Soltrópico. Segundo Fernando Bandrés, recentemente tiveram de aumentar para cinco o número de frequências do destino Saïdia a partir de Lisboa. Atualmente, para aquele destino, estão a ser operados dois voos a partir da cidade do Porto e mais três de Lisboa. Quanto à Tunísia, é o destino que demonstra uma “maior preocupação”, assume o responsável. Contudo, no ano passado, o arranque da operação “também foi mais complicado e durante o pico do verão acertou”, admite.

Quanto aos desafios, Fernando Bandrés não tem dúvidas que são os mesmos de há um ou dois anos: por um lado, “temos um cliente que já está informado e que constrói o seu próprio pacote em diversas plataformas”, o que o torna “mais exigente”; por outro, “temos uma maior concorrência”.

Com uma visão otimista, o responsável acredita que, em 2019, “as vendas vão atingir as do ano anterior”. Mas a preocupação do operador turístico “não é e nunca foi tanto o volume de negócio” mas antes “o nível de rentabilidade”. Fernando Bandrés explica que esse objetivo passa por “operar destinos com uma capacidade e uma oferta adequada à procura têm”. Assim, “não ‘estragamos’ a passagem nem o preço médio do pacote” e “a rentabilidade do destino”. Tendo em conta que a Soltrópico não é o único player no mercado, este “equilíbrio” nem sempre é fácil de manter. O diretor operacional afirma que onde se verifica mais crescimento é no “aproveitamento dos lugares que temos contratado” e onde aumentam a capacidade é no “prolongamento das datas de operações das programações”, permitindo “aumentar o volume de negócio sem pôr mais oferta no mercado”, explica.

Seguindo a linha de “adiantar as saídas das programações ao mercado”, a Soltrópico já está a planear as operações para o Réveillon 2019. Para o responsável, esta estratégia traz um “retorno forte em vendas”. Para já, “vamos manter os nossos clássicos”, como a Ilha do Sal e Boavista. As partidas especiais a nível de charter também estão no programa, assim como Marrocos (Marraquexe) que “já é um destino clássico da casa”, explica. A operar pela terceira vez “será também o charter a Salvador da Bahia”. O destino “novidade” será, segundo Fernando Bandrés, anunciado em breve.

Cristiana Macedo