“O restart da atividade turística tem foco na confiança, responsabilidade e experiência”

“O restart da atividade turística tem foco na confiança, responsabilidade e experiência”

Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, participou ontem no webinar “The Future of Tourism”, promovido pela Católica Lisbon School of Business & Economics. O responsável avança que o “restart” da atividade turística será feito com base na confiança, responsabilidade e experiência, e que para reinventar o setor o foco deverá estar “nas pessoas e na sustentabilidade”. 

O presidente do Turismo de Portugal atenta que, atualmente, “estamos muito mais orientados para o futuro com os desafios e as enormes esperanças que temos para o turismo em Portugal” pois “esta é uma grande responsabilidade para o país porque temos vindo a apoiar e a estimular as empresas para a aposta nesta atividade que é a mais prejudicada pelo Covid-19”.

No seu entender, o país tem duas vantagens chegado o momento da retoma: “Estamos habituados a gerir crises em Portugal” e “é realmente útil termos uma estratégia” como a entidade traçou desde 2016 para o horizonte até 2027. A estratégia do Turismo de Portugal tem por base “a sustentabilidade e as pessoas” e Luís Araújo não tem dúvidas de que “se nos continuarmos a focar nos trabalhadores, turistas e residentes, qualquer medida que tomemos para o futuro será sempre bem-sucedida”.

Confiança, responsabilidade e experiência

Para este “restart” da atividade turística, o Turismo de Portugal está especialmente focado na confiança, responsabilidade e experiência. Quanto à primeira, Luís Araújo comenta que não se trata apenas de transmitir confiança aos turistas mas “agora, mais do que nunca, precisamos de confiança dentro do nosso país”, sobretudo, nas pessoas que “investiram durante muitos anos neste setor, com ótimos resultados, e que agora enfrentam a incerteza para o futuro”. A confiança terá de ser reforçada com medidas sanitárias, para as diferentes atividades, e é necessária uma “comunicação clara” do que se está a fazer nesse sentido.

O responsável avança que o selo “Clean & Safe” foi uma das medidas tomadas no sentido de “construir confiança em ambos os lados”, tanto nos turistas como no setor turístico nacional. Além de “preparar as empresas para o futuro”, e para as novas exigências dos clientes, é também “uma mensagem clara para os turistas nacionais e internacionais de que precisam de ser responsáveis”. A certificação conta já com website próprio onde os clientes podem avaliar determinada unidade hoteleira ou restaurante e, caso “pressionem o botão vermelho”, o Turismo de Portugal avança de imediato com uma auditoria.

A responsabilidade é “não apenas coletiva mas individual” até porque “a Covid-19 não discrimina nenhum país ou pessoa”. Luís Araújo relembra que o Turismo de Portugal definiu como propósito “dar as boas-vindas a todos e respeitar as diferenças” e que “temos de nos manter fiéis a esse propósito e mostrar ao mundo que esta é a forma correta de retomar a nossa atividade”.

“Os turistas agora estão muito mais focados na experiência perfeita”, não apenas em termos sanitários, pelo que “quando falamos sobre pagamentos, mobilidade, check-in, informação, precisamos mais do que nunca de ter uma experiência perfeita dentro do nosso país”, sublinha o responsável, e o NEST – Centro de Inovação do Turismo está a trabalhar em formas de aperfeiçoar toda a experiência turística.

“A inovação é uma fórmula a seguir para o futuro do turismo em Portugal”

Por falar em inovação, Luís Araújo defende que é preciso “procurar novos segmentos, formas de fazer negócios e de partilhar conhecimento”. Deste modo, as 20 escolas do Turismo de Portugal “deram formação online a mais de 40.000 pessoas durante estes dois últimos meses” e o responsável sublinha que foram as escolas mais pequenas que deram mais e melhor formação, o que para si “é a verdadeira inovação” e revela “o quão grande Portugal pode ser”.

Além disso, o presidente do Turismo de Portugal avançou que Portugal foi ontem considerado pela Comissão Europeia “um dos países mais inovadores da UE”, tendo apenas à sua frente a Suécia, Finlândia, Dinamarca, Países Baixos e Luxemburgo. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) tem também um ranking com mais de 400 inovações contra o Covid-19 no Mundo e “mais de 40% destas inovações foram criadas em Portugal”. Luís Araújo considera que “devemos tirar vantagem disto e promovê-lo ao Mundo” pois “a inovação é claramente uma fórmula a seguir para o futuro do turismo em Portugal”.

O responsável considera que “temos de reinventar a nossa atividade” e de nos “focar no essencial que são as pessoas e o planeta”, com o “crucial” papel da tecnologia enquanto “melhor amiga da sustentabilidade”. Em jeito de resumo: “Estamos muito focados em construir confiança, responsabilidade, e em oferecer a melhor experiência, nestes tempos conturbados, a quem quer que venha a Portugal ou a qualquer português que está no país e que agora descobre diferentes partes dele.”

“Se queremos reinventar o turismo temos de nos focar nas pessoas e no planeta”

Luís Araújo alerta que “se queremos reinventar uma atividade como o turismo temos de nos focar nas pessoas [turistas e cidadãos] e no planeta”, com o desafio da crescente procura pelo plástico de uso único face à pandemia. É preciso refletir sobre “as novas exigências dos consumidores e como torná-las sustentáveis para o planeta e para as pessoas”. Neste aspeto, o responsável acredita que “Portugal, com o seu track record, com empresas com mais de 100 anos, e pessoas que foram treinadas nos últimos anos, está muito melhor preparado agora do que há uns anos atrás”.

O presidente do Turismo de Portugal esclarece, ainda, que “temos mais casos [Covid-19] porque estamos a testar mais” com o intuito de “saber onde estão as pessoas infetadas” pois “estamos preocupados com a sua saúde mas também com a saúde de quem nos visita”. Para si, esta é a forma de “cuidar da nossa saúde e da nossa economia” com base numa “estratégia em cima de factos”.