Turismo de longa distância bate recordes e compensa quebra dos mercados alemão, francês e holandês em Portugal

Turismo de longa distância bate recordes e compensa quebra dos mercados alemão, francês e holandês em Portugal

Nos primeiros seis meses de 2019, o setor do turismo registou um crescimento em Portugal, com base sobretudo no turismo de longa distância, apesar da conjuntura de abrandamento da economia a nível mundial, e em particular europeu. É neste contexto que se realiza em Lisboa, amanhã, a 2.ª Summit Shopping Tourism & Economy Lisboa.

O Pestana Palace Hotel acolhe esta cimeira que tem como objetivo, de acordo com Miguel Júdice, presidente do comité organizador, “colocar o turismo de qualidade e de compras na agenda política e económica do país, ouvindo contribuições do lado da procura (embaixadores de países emissores e alguns grandes players do sector) e da oferta (institucionais e privados), e também partilhar as melhores práticas de outros países que estão há mais tempo focados neste segmento e com grande sucesso”.

O turismo em Portugal tem crescido mais de 10% ao ano desde 2014 e o seu peso na economia nacional passou de cerca de 4% do PIB antes da crise para mais de 8% em 2018, o que representa um crescimento a um ritmo muito superior ao do conjunto da economia. Em 2021, deverá chegar aos 9,3%, tendo em conta a previsão do Banco de Portugal, podendo ultrapassar a fasquia dos 20 mil milhões de euros. Caso se confirme, significa que os gastos de turistas estrangeiros irão triplicar entre 2009 e 2021.

Segundo o WTTC (World Travel & Tourism Council), Portugal é o país da Europa que tem registado o maior crescimento no sector do turismo, prevendo-se que esta tendência de aumento se mantenha nos próximos anos. Para 2019, o WTTC estima para Portugal um aumento turístico bastante acima da média europeia, que é de 2,5%, realçando que o destino está a ter um forte crescimento de mercados não tradicionais, de fora da Europa.

As previsões do Turismo de Portugal são de que 2019 encerre ultrapassando a barreira dos 24 milhões de turistas – em 2018, segundo as contas do INE, recebeu um total de 22,8 milhões de turistas, o que colocou o país no 17.º lugar no ranking dos países com maior número de turistas a nível mundial, de acordo com a OMT (Organização Mundial de Turismo).

Apesar de o número de visitantes que o nosso país recebe anualmente ter vindo a crescer acima do número de cidadãos do mundo que efectuam viagens internacionais, a quota de turistas de países de longa distância, com classes médias emergentes, pode apoiar ainda mais esse crescimento.

No primeiro semestre deste ano, o número de hóspedes que chegaram a Portugal ascendeu a 12,1 milhões, o que representa um crescimento na ordem dos 7,6%, enquanto as receitas totais ascenderam a 7.308 milhões de euros, significando um aumento de 6,8% face ao período homólogo de 2018.

No período de janeiro a junho de 2019, segundo os dados provisórios do INE, registou-se novamente um forte aumento de hóspedes não europeus a Portugal, particularmente dos EUA (+19,5%), da China (+18,5%), do Brasil (+12,2) e da Coreia do Sul (+24%).

Receitas turísticas em Portugal

Em 2018, o total de receitas do turismo em Portugal ascendeu a 16,7 mil milhões de euros, sendo a grande fatia proveniente de turistas residentes em países do continente europeu: apesar da perda de quota do mercado europeu de 0,4% face a 2017, estes turistas representaram no ano passado 80,6% das receitas, o que significa um aumento de 7,7% face ao ano anterior. Os países do continente americano contribuíram com 12,3% das receitas, significando um aumento de 16%, enquanto a contribuição dos países africanos foi de 4%, representando um decréscimo nas receitas de 10,7%, e dos asiáticos, 3%.

Em 2018, chegaram a Portugal mais de 22 milhões de turistas, sendo que apenas 15,9% são oriundos de países não europeus, de longa distância. No entanto, os seus gastos representam mais de 20% do total das receitas.

Em 2018, estima-se que o turismo de compras tenha movimentado em Portugal entre 400 e 500 milhões de euros, valor gasto pelos turistas residentes em países fora da União Europeia (UE). Segundo dados da Global Blue, em termos globais, os turistas angolanos ocupam o primeiro lugar, com 33% das compras realizadas, mas em termos individuais, os turistas chineses são os que mais compram. De facto, os turistas chineses têm vindo a crescer, representando já 15% das compras feitas, o que significa um impacto de 7,2% nos negócios nacionais —, tendo já ultrapassado os brasileiros, cujo impacto nos negócios ronda os 6,1%.

Também de acordo com dados disponibilizados pela Global Blue, nos primeiros oito meses do ano, os gastos dos turistas provenientes de fora da UE aumentaram 36%, o que representa um incremento face aos 12% registados no ano inteiro de 2018. Por outro lado, o valor médio por compra dos turistas não residentes na UE foi de 315€ o que significa um crescimento de cerca de 13% relativamente ao período homólogo de 2018. Os angolanos consolidam-se como os que mais dinheiro gastam em compras em Portugal, apesar de o valor médio por compra ser de 254€  (praticamente idêntico ao valor do ano anterior), quase um terço do valor médio por compra gasto pelos turistas chineses (727€).

Os maiores aumentos no valor médio gasto por compra verificaram-se nos turistas brasileiros e norte-americanos, com subidas de 23% e 22% respectivamente, para os 275€ e 646€.

Aposta nas rotas de longo curso confirma expansão dos mercados emissores americanos e chinês

Relativamente ao tráfico aéreo de turistas para Portugal, o aumento das rotas e o reforço do número de voos de países emissores como EUA, Brasil ou China, incrementando a conectividade com estes países, tem sido fundamental para consolidar os números tão positivos.

Concretamente no que se refere aos EUA, a TAP tem vindo a fazer uma forte aposta, contando já com 50 voos por semana para diferentes cidades norte-americanas, esperando chegar em breve aos 70 voos. O mesmo se passa relativamente ao mercado brasileiro, estando já previsto um aumento do número de frequências semanais para diferentes cidades brasileiras.

Por outro lado, a retoma da ligação à China com a nova rota Lisboa-Xian-Pequim vai permitir aumentar os fluxos de turistas entre os dois países, ajudando a aumentar a competitividade do destino Portugal junto do mercado emissor chinês. Com esta ligação, o Turismo de Portugal pretende também aumentar a estadia média do turista chinês em Portugal.

Também o Porto está a apostar em aumentar as suas ligações directas a destinos de longa distância, nomeadamente ao Canadá, aos EUA e aos Emirados Árabes Unidos e Qatar.

Neste sentido, o esgotamento da capacidade do aeroporto de Lisboa poderá constituir um entrave ao desenvolvimento de novas rotas e aumento de número de ligações. Segundo dados da francesa Vinci, dona da ANA – Aeroportos de Portugal, o aeroporto de Lisboa serviu, pela primeira vez, mais de 30 milhões de passageiros em 12 meses consecutivos. Em Portugal, o total anual acumulado até setembro é de 45,887 milhões de passageiros, liderado por Lisboa (23,802 milhões), seguindo-se o Porto (10,052 milhões) e Faro (7,438 milhões).

Transformar o sector do turismo, conquistando novos públicos, vindos de mais longe, sem descurar os turistas tradicionais, oriundos da Europa, não pode nunca descurar a sustentabilidade global, seguindo os pressupostos definidos nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

É necessário tornar as cidades e as organizações mais conscientes, garantindo uma maior e consolidada sustentabilidade da atividade turística, na economia, com o crescimento do turismo de luxo e de qualidade, na dimensão social, com melhores empregos oferecidos no sector para os portugueses e no ambiente, eliminando os impactos negativos do aumento da procura turística, deve ser o eixo fundamental da estratégia nacional para o futuro.