Skycop: Companhias aéreas europeias não divulgam valores de compensações nos relatórios financeiros

Skycop: Companhias aéreas europeias não divulgam valores de compensações nos relatórios financeiros

A Skycop, empresa que defende os passageiros e os seus direitos numa “luta” contra a má conduta das companhias aéreas em relação a reembolsos de voos, efetuou um relatório onde revela à imprensa que “as principais companhias aéreas europeias estão a omitir mais de 5 mil milhões em compensações nos seus relatórios financeiros”. Estes resultados foram apurados a partir de dados recolhidos entre 2015 e 2017 e analisaram como a Air Baltic, Air France – KLM, Easy Jet, IAG Group (Aer Lingus, British Airways, Iberia e Vuelling), LOT, Lufthansa Group, Ryanair e a TAP Air Portugal.

De um total de quase 3 mil milhões de passageiros, o relatório apurou que mais de 29 milhões de passageiros foram afetados – número que ultrapassa em três vezes a população nacional. O primeiro lugar dos devedores vai para a Ryanair, com uma dívida registada em mais de 1.1 mil milhões de euros. Olhando para o panorama nacional, a TAP apresenta um valor em dívida superior a 130 milhões de euros em compensações nos três anos contemplados no relatório.

Para Jurgis Petrosius, co-fundador da Skycop “todos os anos, com a aproximação do fim do ano fiscal, as companhias aéreas consolidam os seus relatórios financeiros. No entanto, os números nem sempre transmitem toda a verdade. Muitas vezes, os auditores não têm em consideração todos os dados quando estão a fechar relatórios de contas de uma determinada companhia aérea. Ao que parece, as companhias aéreas estão a tentar ocultar os valores das compensações que têm em dívida para com os seus passageiros”.

A Skycop defende que, no que toca a relatórios, as compensações devem ser adicionadas aos passivos no balanço financeiro e designados como ‘reservas’ – situação que não se verifica atualmente. Estas reclamações podem ter um impacto significativo nos resultados líquidos das companhias aéreas, se estas salvaguardas não forem criadas. Dessa forma, os investidores são colocados numa posição de risco, já que a informação não representa o panorama financeiro na sua totalidade, impossibilitando a análise correta da situação financeira da empresa.

Jurgis explica ainda que “o somatório das compensações tem um peso muito relevante para um relatório financeiro e deve ser divulgado em separado, tal como os acréscimos. Infelizmente este resultado terá um impacto significativo nos resultados líquidos das empresas, mas poderá ajudar a identificar e mitigar riscos, a planear cash flows e a tomar decisões operacionais com o objetivo de prevenir situações catastróficos – como se sucedeu com as companhias aéreas Monarch e Alitilia em 2017 ou com a Primera, Colbat e Small Planet em 2018.”

A Skycop, apela assim aos auditores para “agirem enquanto autoridade maior no controlo e a assegurar que as companhias divulguem e revelem estes dados nos seus balanços financeiros”.